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A pandemia e a crise social

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Primeiro foi a crise de saúde, depois veio a crise económica e agora começa a falar-se de uma crise social sem precedentes. No Canadá, em Portugal e no mundo a realidade é semelhante, apenas mudam os números e por isso a dimensão do problema. O novo vírus destruiu postos de trabalho, fez disparar o custo de vida e colocou muitas famílias dependentes de apoios sociais. O pacote de medidas que Otava anunciou para apoiar famílias e empresas é o maior da história do país, mas Trudeau já avisou que os subsídios não são eternos, resta saber como vai ser o futuro quando os apoios ao desemprego e à criação de emprego secarem. Ontário é a província em todo o país que gera mais riqueza para o PIB nacional, cerca de 40%. Aqui, como um pouco por todo o lado, os confinamentos destruíram empresas e sonhos e não se sabe quando chega a tão aguardada vacina e se com ela a vida vai voltar a ser normal.

O custo de vida em Toronto já era elevado, mas a pandemia fez disparar ainda mais o preço dos produtos alimentares e a crise não trouxe a tão esperada correção no mercado imobiliário. A habitação e a alimentação continuam a absorver a maioria do orçamento familiar, à qual se juntam transportes, saúde, educação, impostos, etc. Um estudo do Angus Reid Group de outubro aponta que a pandemia aumentou o fosso entre ricos e pobres no Canadá. Embora um em cada cinco canadianos diga que está agora em melhor situação, quase duas em cada cinco pessoas dizem que as suas finanças pessoais pioraram durante a primeira vaga. O estudo sublinha que as pessoas lutam cada vez mais para conseguir acompanhar o aumento do custo de vida e que o endividamento é uma preocupação para muitas empresas. O medo e a incerteza do futuro criaram índices de poupança históricos e os canadianos agora evitam gastar dinheiro em produtos supérfluos. Num relatório que o CIBC divulgou na semana passada, um dos cinco maiores bancos do país informa que os canadianos pouparam 28,2% no segundo trimestre de 2020, cerca de $90 mil milhões. As empresas também seguem a mesma tendência e registam poupanças na ordem dos $80 mil milhões.

Mas voltando ao estudo do Angus Reid Group, o relatório adianta que os habitantes de três províncias – Colúmbia Britânica, Alberta e Ontário – acumularam mais dívidas durante a pandemia. A maioria dos entrevistados diz que cortou sobretudo no entretenimento, em restauração e em viagens, mas um quarto das pessoas admitiram que tiveram de cortar em produtos essenciais como comida e roupas. Os canadianos que estão a poupar mais são jovens com ensino superior e que ganham em média $100.000.

A procura por bancos alimentares aumentou, mas os efeitos económicos da pandemia fizeram com que as doações diminuíssem. Alguns canadianos perderam o emprego ou passaram a trabalhar menos horas e por isso têm agora menos rendimentos e menos disponibilidade para fazer doações. Para além disso o medo de contrair a doença faz com muitos voluntários não arrisquem a vida para ajudarem na distribuição de bens alimentares.

Em Toronto a procura por bancos alimentares aumentou 22% em junho e 51% em agosto, os dados são de um relatório intitulado “Quem tem fome- o outro lado da COVID-19: Construindo um Futuro sem Pobreza”. No entanto, a fonte sustenta que a insegurança alimentar em Toronto já era um problema anterior à pandemia de COVID-19 e que antes de março a procura por bancos alimentares em Toronto tinha aumentado 5%. O relatório foi produzido pelo Daily Bread Food Bank e pelo North York Harvest Food Bank. Entre abril e março cerca de um milhão de pessoas recorreram a bancos alimentares em Toronto. Os dados anuais ainda não foram apurados, mas as organizações esperam que 2020 registe recordes na procura por bancos alimentares. O relatório revela ainda que normalmente o banco alimentar fornece comida para três dias e que 85% das pessoas que o procuram nem sempre têm comida suficiente para pôr na mesa.

O Food Banks Canada, no seu último relatório de 2010, indica que das 402,056 pessoas que recorreram a um banco alimentar em Ontário em março de 2010, cerca de 37.1% foram crianças.

Joana Leal/MS

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