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A minha casa é a rua

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Crédito CamõesTV

Toronto vive uma crise sem precedentes em termos de moradia. Sendo a capital da província de Ontario e a cidade mais populosa do Canadá, com uma região metropolitana de cerca de 6 milhões de habitantes, sofre de muitos problemas sociais comuns às grandes cidades do mundo. No centro das preocupações da cidade tem estado a falta de moradias acessíveis, que tem vindo a piorar cada vez mais com o aumento populacional.

Perante a falta de acesso a lugares com condições mínimas de habitação, as pessoas ficam pelas ruas ou encontram abrigo em locais inadequados, como tendas e barracas improvisadas. O Statistics Canada, diz que um dos seus maiores desafios é ter um número exato da população sem-abrigo. Geoff Bowlby, o diretor geral responsável pelos censos para o StatsCan, revelou à imprensa que “Não existe uma base de dados no Statistics Canada que diga exatamente quais são as pessoas que vivem nas ruas para podemos dar um acompanhamento apropriado”. Bowlby disse ainda que “É difícil encontrar a maioria da população das pessoas que vivem nas ruas”.

Embora os números continuem difíceis de contar, a cidade sabe que continuam também a crescer. Neste impasse, as pessoas começam a procurar soluções além dos serviços de apoio existentes. Mais recentemente, temos assistido ao aumento de tendas e casas “improvisadas” um pouco por toda a cidade, que está a gerar um clima de tensão entre a Câmara Municipal de Toronto, os moradores de rua, a população das vizinhanças e cidadãos que saíram em defesa das várias partes envolvidas no conflito.

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Crédito: Camões TV

O Milénio Stadium saiu à rua para ver de perto a situação e fez várias tentativas de falar com as pessoas no local, sendo que a maioria não quis prestar declarações. No Alexandra Park, Hanna, nome fictício, diz que “o meu sonho é ter uma casa com condições, como qualquer outro cidadão, mas infelizmente, por circunstâncias da vida, eu estou na rua”. No parque as tendas e casas adaptadas são bem visíveis um pouco por todo o lado, distribuídos numa área pequena. O mesmo se pode constatar no Trinity Bellwoods Park, onde se vai formando uma pequena comunidade de cidadãos que procuram as ruas como refúgio.

É importante lembrar que o inverno no Canadá costuma a ser muito rígido para todos, em especial para os moradores de rua, apesar de a cidade tentar responder à situação com a sua rede de shelters, casas temporárias e os já existentes programas. Diante desta situação, Khaleel Seivwright, carpinteiro de profissão, teve a ideia de construir “pequenos abrigos” temporários para moradores de rua em algumas das partes de Toronto. Numa entrevista para uma cadeia de televisão local, Khaleel disse que “Nunca vi tanta gente a vaguear e a morar em parques, e isso é algo que eu posso fazer para garantir que estas pessoas sobrevivam ao frio. É algo que eu poderia fazer, que seria útil, porque há tantas pessoas hospedadas em tendas, barracas e locais inadequados”. A iniciativa, chamada “Toronto Tiny Shelters”, causou alguma controvérsia com a Câmara Municipal de Toronto, que decidiu apresentar uma providência cautelar no Tribunal de Apelação de Ontário contra a construção destes abrigos, devido às leis vigentes na cidade e na província.

Em declarações à impresa local Brad Ross, porta-voz da cidade de Toronto, explicou que a providência cautelar está simplesmente a tentar confirmar um estatuto já existente que proíbe a construção de estruturas ilegais em passeios germinados, estradas e outras propriedades públicas.

A Câmara Municipal de Toronto destacou que, entre 2019 e 2020, houve um aumento de 250% no número de incêndios nos acampamentos onde vivem os moradores de rua, afirmado que estes “pequenos abrigos” foram uma das principais causas desta subida. Um dos vários motivos apresentados pela Câmara é o facto dos “pequenos abrigos” serem contruídos em madeira, o que os torna perigosos e considerou também que cria maiores dificuldades em tirar estas pessoas das ruas e levá-las para as instalações existentes para estes fins.

No verão de 2018, a cidade de Toronto adotou o “Official Plan Amendment 403”, dando permissão às habitaçōes de viela. Segundo as estimativas, existem atualmente cerca de 30 mil lotes que se qualificam para esta finalidade. No entanto, também há milhares de propriedades que não se enquadram nestas regras.

Por exemplo, os chamados “Garden Suites”, que não requerem acesso por via pública, prometem aumentar as oportunidades residenciais na cidade.

Para melhorar a situação das moradias, muito recentemente o presidente da Câmara Municipal de Toronto John Tory apresentou o chamado “Housing Now” uma iniciativa para ativar propriedades da cidade para o desenvolvimento de mais residências sociais em comunidades de escalões mistos.

A Câmara Municipal lançou a primeira fase do Housing Now em janeiro de 2019 com 11 locais. Espera-se que esta fase entregue mais de 10.000 novas casas, incluindo aproximadamente 3.700 casas de aluguer a preços acessíveis.

Em maio de 2020, seis novos locais foram adicionados a este programa. Estes locais pertencem já à segunda fase e estima-se que adicionem entre 1.455 e 1.710 novas unidades residenciais ao programa, das quais aproximadamente 530 a 620 serão unidades de aluguer acessíveis.

O Housing Now é um componente do Plano de Ação HousingTO 2020-2030 da cidade de Toronto para abordar todos os aspetos das questões habitacionais em Toronto, aumentando mais moradias nos programas já existentes.

Esta é a triste realidade com que nos deparamos ao caminhar pelas lindas ruas da cidade de Toronto.

Francisco Pegado/MS

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