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A hora do adeus

Ter um cachorro, gato ou outro tipo de animal de estimação, pode proporcionar uma vida saudável, revelar-se como um ato de amor, amizade e, além disso, uma partilha de sentimentos sem pedir nada em troca. E isso é algo que todas as pessoas que têm ou tiveram um animal como membro na família sabem bem.

Zeca

Neste texto vou fazer um relato breve dos 19 anos vividos com meu Zeca. Os que me conhecem, já sabem da história deste viajante e companheiro na minha vida. Zeca imigrou comigo em 2004, viajou sozinho do Brasil para Toronto, com toda a segurança merecida, pois responsabilidade é uma das coisas que precisamos ter quando decidimos ter um animal de estimação. Do mesmo modo que temos com um filho de sangue. Ele teve as dificuldades de adaptação como todo imigrante – achar o seu “family doctor” (neste caso ele teve muita sorte), habituar-se ao clima e à alimentação.

A tendência de humanizar um animal de estimação é um facto e com o Zeca não foi diferente. Teve roupa de inverno e botas de neve, mas nunca gostou de se aventurar, preferia dar suas voltas no verão como um latino nato. A sua raça era micro poodle, não passou dos três quilos durante toda a sua vida, facilitando a sua estadia em hotéis pois sempre viajei por onde ele pode estar, adorava andar de bicicleta pela Lakeshore em Toronto. Viveu dos quatro anos aos 19 anos no Canadá, partindo no passado mês de setembro. Aqueles que amam os animais sabem que não existe uma dor maior do que a de perdê-los. Só o ato de pensarmos que algum dia eles morrerão nos dá um nó na garganta. Entretanto, temos que ter em conta que mais cedo ou mais tarde isso acontecerá e que é preciso que estejamos preparados. Acompanhei o final do meu companheiro com uma dor imensurável (difícil esse relato…), mas a vida é assim para todos, começamos a morrer no dia em que nascemos. O Dr. Nilo o veterinário que cuidou do Zeca durante muitos anos aqui em Toronto, sensibilizado com a partida, doou todo o dinheiro ganho com a eutanásia para a Universidade de Veterinária de Guelph. Fiquei sabendo semanas depois quando recebi a carta da universidade relatando o desejo da equipa da clínica. Ato de amor e respeito. Sou eternamente grata a eles.

Infelizmente, o ciclo de vida destes animais de estimação é muito menor do que o nosso. Portanto, é natural que sejamos nós que venhamos a sofrer pela morte deles. De acordo com psicólogos, isso gera um grande impacto emocional nas pessoas, tal como acontece quando um membro de nossa família morre. Porquê? Porque o cão ou o gato tem uma sociabilidade maior com o ser humano e faz parte desse núcleo íntimo familiar.

Cada vez mais casais e famílias adotam um animal de estimação e o transformam em um membro a mais na casa. É habitual que se organizem funerais e enterros como se tratasse de uma pessoa. Inclusive há cemitérios para animais de estimação. Toda clínica veterinária tem essas informações e opções nesta hora difícil. Escolhi ficar com as melhores lembranças do Zeca, deixando de lado as cinzas.

Mesmo que passemos anos e anos ao lado deles é necessário ter em mente que, um dia, eles partirão e que isso pode acontecer na sequência de alguma doença, complicação ou até mesmo envelhecimento natural. Tive esta sorte com Zeca partindo com 19 anos, mesmo achando que ele era ainda um filhote.

A morte de um animal de estimação pode ser superada, mas vai ser muito diferente em cada caso, mesmo assim o sentimento de perda é extremamente doloroso.

A expectativa de vida de gatos pode ser de dois a  16 anos e com os cães de 10 a 13 anos, enquanto a média dos humanos é viver até aos 79 anos. Ou seja, infelizmente não é possível que nosso bichinho nos acompanhe a vida inteira.

Por último, lembre-se do seu companheiro fazendo travessuras e estando feliz ao seu lado. Tente não guardar nenhum elemento que ele utilizava, porque isso causará mais dor. Confesso que tenho o primeiro brinquedo do Zeca comigo, tornando-o a minha decoração mais sentimental e valiosa que eu possa ter. Espere um tempo prudencial para levar outro animal de estimação para casa. Desde que você tenha consciência de que nunca será uma substituição e esteja preparado para dar a oportunidade para essa nova vida entrar no seu lar.

Fabiane Azevedo/MS

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