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50% da pequena restauração de Toronto pode desaparecer

A pandemia da COVID-19 obrigou os restaurantes a encerrarem e o take-out e a autorização para venda de álcool não são suficientes para sobreviver. Albino Silva, proprietário de três espaços de restauração em Toronto – Adega, Chiado e Salt – diz que as margens de lucro dos restaurantes já eram pequenas antes da pandemia e antecipa um período difícil para os pequenos e médios empresários do ramo.

Albino Silva, proprietário e chef do restaurante Chiado em Toronto

As linhas de crédito que o Governo Federal disponibilizou são pequenas para fazer face às despesas porque um restaurante tem custos fixos elevados, como renda, contas e funcionários. Na minha perspetiva creio que 50% dos pequenos restaurantes de Toronto vai acabar por falir, para não dizer que as autarquias não podem operar em deficit, por isso mais cedo ou mais tarde os municípios vão ser obrigados a aumentar os impostos e isso vai dificultar ainda mais a sobrevivência”, admitiu ao nosso jornal.

Os espaços estão encerrados desde meados de março e embora tenha recorrido nas últimas semanas ao take-out, a pedido de alguns clientes, as receitas são pouco significativas. “Fiz layoff a 65 funcionários e as receitas do take-out e da venda de bebidas alcoólicas não são suficientes. Acho que no futuro podemos ter uma mudança de paradigma e talvez tenhamos de ir até casa do cliente servir, por exemplo, um jantar de aniversário.  As pessoas estão assustadas e perderam poder de compra. Acho que vamos enfrentar, no mínimo, dois anos muito difíceis”, disse.

O chef considera que a proposta da Câmara Municipal de Toronto para aumentar as esplanadas em algumas áreas da cidade é válida, mas antecipa dificuldades na partilha do espaço com os peões. “Os passeios não estão preparados para uso comercial e muitas vezes até estão bloqueados com lixo. Além disso é uma alternativa apenas para o verão e uma empresa tem de estar aberta 12 meses por ano, mas dadas as circunstâncias temos de estudar opções diferentes”, contou.

Sobre uma possível reabertura com novas regras de saúde e segurança, o empresário defende estar sobretudo preocupado com a confiança do cliente. “Os restaurantes são espaços de confraternização onde as pessoas desfrutam da gastronomia enquanto conversam, esse ambiente com máscara vai ser completamente anulado. Nem sei se as pessoas vão estar à vontade para estarem sentadas numa sala ou numa esplanada, mesmo que se reduza a capacidade para 50% e se aumente a distância física entre as mesas. Mas se for obrigado a trabalhar com máscara prefiro não abrir”, explicou.

A fraca adesão dos proprietários de Toronto ao programa de assistência financeira ao arrendamento tem gerado uma onda de críticas na cidade e já foi motivo de várias manifestações. Todos os níveis de Governo têm tentado sensibilizar os proprietários para ajudarem as pequenas empresas a sobreviverem e perdoarem 25% dos custos do aluguer, mas no caso do chef Albino a questão é bastante diferente. “Eu sou proprietário dos espaços, mas não podemos atirar a responsabilidade apenas para o Governo porque ninguém está preparado para uma pandemia. Acredito que somos resilientes e que com humildade e entreajuda vamos conseguir ultrapassar esta crise. Eu, como empresário, vou fazer o possível para manter os três espaços abertos porque tenho responsabilidades como empregador”, avançou.

Albino Silva é um dos chefs mais conceituados da América do Norte e o Chiado é eleito há vários anos como um dos melhores restaurantes da cidade de Toronto. Se tem saudades do seu menu basta encomendar com 24 horas de antecedência através do telefone 416-538-1910 ou do e-mail [email protected] Caso para dizer que “Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé”!

Joana Leal/MS

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