Portugal

Variante da África do Sul da covid-19 detetada em Portugal

A healthcare worker conducts an antigen rapid test for COVID-19 during a mass coronavirus screening in Tui, northwestern Spain, on December 8, 2020. (Photo by MIGUEL RIOPA / AFP)

João Paulo Gomes, investigador do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, revelou que a variante da África do Sul do SARS-CoV-2, que provoca a covid-19, já foi detetada no nosso país.

Em declarações à RTP1, o investigador que coordena o estudo sobre diversidade genética do SARS-CoV-2 em Portugal, adiantou que esta variante foi detetada esta sexta-feira em uma pessoa.

“Era um caso suspeito, indiciado pelas autoridades de saúde, e através da sequenciação genómica” o Instituto de Saúde Pública Doutor Ricardo Jorge (INSA) confirmou-se tratar da variante da África do Sul, disse.

Segundo João Paulo Gomes, “trata-se de um estrangeiro, residente em Lisboa, que terá chegado pouco depois do Natal” à capital.

O caso está localizado, pelas autoridades de saúde, estando a ser feito o rastreio de contactos e quebrar a cadeia de transmissão.

De acordo com o investigador, esta variante poderá ser “potencialmente mais perigosa” do que a do Reino Unido.

Além da mutação no local de ligação do vírus às células que potencia a sua entrada (igual à do Reino Unido) e a torna mais transmissível, a da África do Sul, como a do Brasil, tem outra mutação que os dados preliminares mostram que possa permitir “alguma fuga ao sistema imunitário”. Ou seja, alguns dos anticorpos gerados pelas pessoas deixavam de reagir em relação a esta variante.

Caso é de uma pessoa sul-africana residente em Lisboa

“O caso reporta-se a uma pessoa natural da África do Sul, residente em Lisboa, que foi diagnosticada a 7 de janeiro e atempadamente isolada, pelas Autoridades de Saúde de nível regional e local, no âmbito das suas competências de vigilância epidemiológica”, revela um comunicado conjunto do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) e da Direção-Geral da Saúde (DGS).

O INSA refere que “esta nova variante genética do SARS-CoV-2 tem sido assinalada pelas autoridades de saúde mundiais como merecedora de especial vigilância dado o seu elevado potencial de transmissão”.

“Além disso, alguns ensaios laboratoriais revelaram que esta variante poderá ser menos reconhecida por alguns dos anticorpos gerados no decurso de uma infeção, suscitando naturalmente uma preocupação acrescida”, refere o instituto.

No âmbito do “Estudo da diversidade genética do novo coronavírus SARS-CoV-2 (COVID-19) em Portugal”, o INSA afirma que prosseguirá com as atividades de vigilância laboratorial do SARS-CoV-2 em articulação com as Autoridades de Saúde, mantendo especial foco na deteção de novas introduções e monitorização da circulação de variantes a suscitar particular interesse pela comunidade científica e Autoridades de Saúde.

O INSA tem vindo a desenvolver desde abril de 2020, em articulação com o Instituto Gulbenkian de Ciência e com a colaboração de mais de 65 laboratórios, hospitais e instituições de todo o país, um estudo que visa determinar os perfis mutacionais do SARS-CoV-2 para identificação e monitorização de cadeias de transmissão do novo coronavírus, bem como identificação de novas introduções do vírus em Portugal.

Variante mais mortífera

Questionado sobre o anúncio do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, de que a variante do Reino Unido possa ser associado a “um nível mais elevado de mortalidade”, João Paulo Gomes respondeu que ainda “não existem dados em Portugal que permitam confirmar” esta versão.

Apesar de os estudos que dão esta informação, pedirem maior robustez nos números, no seu entender “parece haver indícios que possa estar associada a uma maior mortalidade”.

O especialista explicou que a variante britânica está a aumentar “de forma exponencial” a sua prevalência. “Há três ou quatro dias, tínhamos uma percentagem de 13% dos casos de covid-19 associados à variante do Reino Unido, hoje (sexta-feira) temos 21%”.

Por ser mais transmissível, esta variante vai substituir as outras. Dentro de três semanas irá representar 60% das infeções.

JN

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