Portugal

Portugal – Orçamento 2019 – Governo quer regresso de emigrantes

Nos anos mais negros da história recente de Portugal, entre 2010 e 2015 emigraram mais de 100 000 portugueses por ano. A crise e a presença da Troika associadas a uma dura política de austeridade desencadearam uma das maiores vagas de emigração de todos os tempos.

Muitas foram as empresas que, para enfrentarem as dificuldades, fizeram reestruturações que, na prática, se traduziram em despedimentos em massa. Muitos homens e mulheres com mais de 40 anos viram-se no desemprego e sem perspetivas de futuro no seu País. Não havia trabalho ou o que ainda existia era precário e muito mal remunerado. Por outro lado, muitos dos que partiram eram jovens qualificados graças à falta de condições financeiras para acolher no mercado de trabalho todos os que, anualmente, saíam das universidades. A estratégia política adotada na época convidava-os a saírem da sua “zona de conforto” e procurar vida fora do seu país. Portugal viu assim a sua massa produtiva diminuir drasticamente.

O governo de António Costa anunciou recentemente que Portugal, agora que conseguiu melhorar a sua situação económica, criando 315 mil postos de trabalho, e ajudando na recuperação económica das famílias com um aumento do rendimento médio de 4,7%, está em condições de acolher os que quiserem regressar – “O País para continuar a crescer precisa de aumentar os seus recursos humanos. Somos um país aberto à imigração, mas não devemos renunciar também a atrair a Portugal aqueles portugueses que emigraram, em particular aqueles que emigraram nos últimos tempos.”, afirmou o Primeiro-Ministro.

As medidas estão ainda em fase de estudo com vista ao seu melhoramento, segundo o governo, e serão apresentadas no orçamento de estado para 2019, mas já foram adiantadas pelo jornal Expresso – dirigem-se a todos os que mantiveram residência fiscal no nosso país até 2015 e incluem redução do IRS em 50% por um período entre 3 a 5 anos (a definir) e dedução de despesas de custos de instalação como, por exemplo, viagem de regresso e habitação.

Reagindo às críticas de que tem sido alvo – uns acusam o governo de populismo, outros de estar a incorrer numa injustiça para com quem ficou no país e ajudou à superação da crise, entre muitas outras críticas – António Costa afirmou “Neste caso, o que está em causa é saber o seguinte: num momento em que temos a taxa de desemprego historicamente mais baixa, temos uma enorme carência de mão-de-obra em muitos setores de atividade, em que o País sofreu uma crise muito profunda que forçou à emigração um número significativo de portugueses, como não tínhamos desde a década de 60. Podemos e devemos desistir de atrair esta população? Ou devemos criar um incentivo para que assim se faça?”.

O Milénio Stadium procurou saber o que pensam os portugueses sobre este assunto. Por um lado, temos três exemplos de portugueses que não saíram do país e conseguiram sobreviver à crise. Por outro lado, três pessoas que optaram por sair do seu país, quando viram as portas do trabalho digno serem recorrentemente fechadas. Eis o resultado.

 

QUEM FICOU

 

Ana Filipa Barbosa – Cabeleireira

Milénio Stadium: Sair do país, para si, nunca foi opção? Porquê?

Ana Filipa Barbosa: Não, nunca foi. Para além da barreira linguística, não sou uma pessoa com um espírito muito aventureiro. Posso também dizer que nunca estive numa situação “extrema” que me levasse a considerar a saída do país.

 MS: Como enfrentou os anos de crise em Portugal?

AFB: Acabava por ser “um dia de cada vez”. Sempre na esperança de que as coisas iriam melhorar, mas com muita revolta em relação aos responsáveis pela situação pela qual o nosso país passou e, no fundo, ainda continua a passar.

 MS: Quais foram as maiores dificuldades que teve que superar?

AFB: Depois de sair de um emprego anterior (que declarou insolvência) estive um tempo parada (cerca de um ano). Por não haver oferta de trabalho decidi que estava na altura de avançar com o meu próprio negócio – foi um risco, mas tinha mesmo de arriscar.

MS: Ao longo dos últimos anos beneficiou de algum apoio governamental para assegurar a manutenção do seu posto de trabalho?

AFB: Não, nenhum!

MS: A ser verdade o que agora se anuncia, o que pensa desta iniciativa do governo?

AFB: Sinceramente, uma parvoíce! Não há existem pessoas “mais portuguesas” e “menos portuguesas”. Se quem saiu foi à procura de uma vida melhor, com certeza que quem cá ficou também teve de lutar (e muito!) pelos mesmos objetivos.

Assim sendo, ninguém tem de sair beneficiado. Quando muito seria quem ficou no seu país e o “ajudou” a reerguer-se!

 

 

José Costa – Representante comercial na área do calçado

Milénio Stadium: Sair do país, para si, nunca foi opção? Porquê?

José Costa: Nunca foi opção porque preferi sempre ficar perto da família, onde tenho sempre mais apoio. Como é óbvio, sair do país seria sempre a última opção.

MS: Como enfrentou os anos de crise em Portugal?

JC: Com muita dificuldade. Muita luta e muito trabalho. Cheguei a ter que ir trabalhar para uma empresa fabril, para trás de uma máquina. Sabia que esse não era o meu futuro – não que tenha algo contra quem tem esse tipo de trabalho que não é, de todo, desprestigiante – mas não era feliz a fazer o que fazia. Sabia que seria só uma passagem e que mais cedo ou mais tarde as oportunidades iriam surgir e iria fazer aquilo que gosto, que é o que faço hoje em dia.

MS: Quais foram as maiores dificuldades que teve que superar?

JC: Todas e mais algumas. Não é fácil criar o nosso próprio emprego em Portugal, não há qualquer tipo de ajudas nem benefícios. Sempre com muita luta, com o dinheiro muito contado. Lembro-me, por exemplo, de quando comecei a trabalhar não conseguir almoçar fora – levava almoço de casa e almoçava pelo caminho porque tinha que poupar em tudo para poder arrancar com o meu negócio. Apesar de não ser uma ajuda financeira, o apoio dos meus pais foi crucial porque, como costumo dizer, com eles nunca me faltava um prato de sopa na mesa.

MS: Ao longo dos últimos anos beneficiou de algum apoio governamental para assegurar a manutenção do seu posto de trabalho?

JC: O único benefício que existe, se lhe pudermos chamar assim, é o de ficar isento da Segurança Social durante um ano. Fora isso, pouco mais ou mesmo nada existe. Deveriam existir muito mais incentivos e apoios, sem dúvida! Por exemplo: A Espanha, que tem autoestradas e estradas nacionais ótimas não cobra qualquer tipo de portagem. No meu tipo de negócio, gasta-se muito dinheiro em transportes e deslocações e a verdade é uma: o nosso país pode estar muito bom ao nível das autoestradas, mas todas elas são pagas. Se tiver de me deslocar, por exemplo, a Miranda do Douro, demoro 1 hora e meia/2horas se for pela autoestrada. Mas optando por uma estrada nacional, onde não pago portagem, demoro 4 ou 5 horas. Para além disso, sempre que vou a um cliente perto da fronteira, tento levar o depósito do carro o mais vazio possível para poder atestar em Espanha. É uma diferença enorme, a rondar os 20€ a menos em relação a Portugal.

MS: A ser verdade o que agora se anuncia, o que pensa desta iniciativa do governo?

JC: Acho que é uma estupidez e uma afronta principalmente para pessoas como eu que estiveram cá e que enfrentaram os piores anos da crise. Não tenho nada contra quem vai para fora, mas os que cá ficaram é que tiveram de “agarrar o touro pelos cornos” e agora quando as coisas, aparentemente, estão a ficar melhores, quem tem os benefícios são as pessoas que tiveram de sair. Acho que primeiro deveria existir uma contrapartida ou qualquer tipo de ajuda para quem cá está e, depois sim, os de fora. Tanto que tenho muitas pessoas amigas lá fora e não acredito que por causa destas medidas voltem.

 

 

Abel Correia de Oliveira – Comerciante

Milénio Stadium: Sair do país, para si, nunca foi opção? Porquê?

Abel Correia de Oliveira: Quando em 1972 saí do País foi por mera “obediência” ao meu pai. Pela experiência que tive nos últimos 5 anos (79/84) como emigrante, tenho a dizer que, o nosso Portugal é fantástico para poder criar os nossos filhos embora com algumas dificuldades, principalmente fiscais e burocráticas.

MS: Como enfrentou os anos de crise em Portugal? 

ACO: Sendo comerciante esta última crise, posso aplicar a expressão, “foi vivida intensamente”. na altura com dois filhos no ensino superior, longe de casa. Não foi fácil.

MS: Quais foram as maiores dificuldades que teve que superar? 

ACO: Os compromissos assumidos com habitação, melhoramentos do estabelecimento e compromissos pessoais, tive de fazer uma forte “engenharia financeira” para conseguir ultrapassar a situação sem gerar dívidas ao Estado como Segurança Social e IVA. Claro que as poupanças da minha vida foram desaparecendo, diluídas no dia a dia. Foi a única forma de “aguentar a Troika”.

MS: Ao longo dos últimos anos beneficiou de algum apoio governamental para assegurar a manutenção do seu posto de trabalho? 

ACO: Não tivemos qualquer apoio nestes anos, sentimos o público a ficar sem poder de compra e nós comerciantes a suportar as despesas e obrigações. Sempre pontuais, ajudamos a ultrapassar a crise e voltar a ter esperança em recuperar as nossas poupanças, voltar a ter férias, ter alguma qualidade de vida e VOLTAR A SORRIR.

MS: A ser verdade o que agora se anuncia, o que pensa desta iniciativa do governo? 

ACO: Não quero ser egoísta e só pedir para mim, mas tenho alguma dificuldade em aceitar estes benefícios aos que “fugiram à crise”. Voltam agora tendo facilidades na reintegração? Eu ajudei a PAGAR a crise! Que benefícios tenho? Não virei as costas ao nosso Portugal. Os meus pais quando regressaram (após 50 anos) que benefícios tiveram?

Portugal é um paraíso, mas temos de trabalhar todos para o manter em “boa forma”. Já agora como nota final deixem-me que vos diga – se voltar a existir nova crise os reintegrados com estes benefícios são os primeiros a virar as costas.

 

 

QUEM PARTIU

 

Jenny Veloso – 29 anos – Lisboa – Assessora e gerente de relações comunitárias no gabinete do vereador do bairro 33 – Down Valley East, C. M. Toronto

Milénio Stadium: O que te fez emigrar?

Jenny Veloso: Eu licenciei-me em Portugal e depois disso achei que precisava de algo mais do que estar num país que eu sentia pequeno – quis ir descobrir o que havia noutros países. Primeiro fui para a China, de 2011 a 2013, depois fui para a América do Sul, Peru e Equador. Entretanto voltei para Portugal no início de 2015 e foi quando decidi ir para o Canadá. Tenho cidadania canadiana, o que me ajudou a decidir – foi aliás uma sugestão do meu pai.

MS: Foi fácil encontrar trabalho quando cá chegaste?

JV: Não foi muito fácil. E aquilo que encontrei não foi muito bom. O facto de não ter estudos canadianos também fez com que fosse mais difícil.

Não ter experiência de trabalho canadiana foi outro fator que me colocou alguns entraves.

Por me sentir um pouco limitada, procurei trabalho na comunidade portuguesa – são mais flexíveis e precisam de alguém que fale português.

MS: Já passaram uns anos desde que chegaste. Estás agora a trabalhar na área em que te formaste?

JV: Sim. Licenciei-me em Lisboa, em Ciências Políticas e Relações Internacionais. Neste momento trabalho na City Hall, em Toronto.

A minha função é assistir os residentes eleitores com qualquer assunto ou problema que seja relacionado com a Câmara Municipal de Toronto – tudo o que envolva florestas, parques, passeios das estradas, habitação social, etc.

MS: O teu salário corresponde às tuas expectativas antes de imigrares para o Canadá?

JV: Eu não tinha expectativas. É muito mais do que em Portugal, mas mesmo assim aqui sou considerada como alguém que tem “low to modest income”. Mas acho que é um bom salário.

MS: Tendo em conta esta proposta de incentivo aos emigrantes para regressarem a Portugal, pões em hipótese aproveitar a ajuda e voltar a casa?

JV: Eu penso em ir para Portugal – estou a ponderar ainda. Mas a minha ideia de voltar a casa nada tem a ver com este incentivo, é apenas um timing muito bom.

 

 

Mónica Fernandes – 28 anos – Braga – Designer Gráfico

Milénio Stadium: O que te fez emigrar?

Mónica Fernandes: Emigrei porque fiquei desempregada e não estava a conseguir encontrar um novo emprego na altura. Entretanto o meu namorado decidiu vir para o Canadá e eu, como estava sem trabalho, decidi arriscar.

MS: Quando chegaste ao Canadá, foi fácil encontrar trabalho?

MF: percebi que havia muita oferta se eu quisesse fazer limpezas ou então trabalhar numa padaria – o que não é um problema para mim, mas em duas semanas de cá estar tive a oportunidade de trabalhar na minha área de formação, para um órgão de comunicação social que serve a comunidade portuguesa no Canadá. Tive muita sorte.

MS: Hoje já não trabalhas nessa empresa. Continuas na tua área?

MF: Sim, continuo como designer gráfico, numa empresa diferente – também de portugueses, mas não necessariamente para portugueses. Já não trabalho na área de comunicação social, mas continuo a fazer trabalho gráfico, só que agora de outra forma.

MS: Antes de emigrares tinhas uma expectativa salarial – o teu ordenado corresponde a essa expectativa?

MF: Corresponde à expectativa. O que não corresponde é a realidade económica deste país – o custo de vida é muito alto e o meu salário só não é compatível com esse nível. Se eu quisesse viver sozinha não conseguia. Habitação e transportes, mais concretamente ter um carro e pagar o respetivo seguro, são das coisas mais difíceis. Se eu estivesse em Portugal a ganhar o que ganho aqui, viva desafogadamente – aqui não. É uma luta diária para ter as contas em dia.

MS: Tendo em conta esta proposta para o Orçamento de Estado de 2019 ponderas voltar a Portugal? É um incentivo que te motiva a voltar para casa?

MF: Ao contrário da maior parte dos portugueses a viver no Canadá, eu quando vim não tinha a intenção de ficar para sempre. O meu objetivo foi sempre voltar. Nunca me impus uma data de regresso, mas voltar é a meta. Vim para o Canadá com o intuito de me estabilizar financeiramente – ter uma base forte para voltar depois a Portugal. Estes incentivos agora propostos não me fazem voltar porque eu sempre quis voltar – não é isso que me faz tomar essa decisão. No entanto, se nos dão essa ajuda, claro que é uma mais valia e sinto-me privilegiada, mas acho muito injusto para quem ficou em Portugal a lutar contra uma crise económica terrível. Compreendo que o governo queira atrair os mais jovens a voltar a casa, porque a população está cada vez mais envelhecida e a natalidade é baixa. Faz sentido querer mão de obra jovem, qualificada ou não. Mas não posso dizer que são esses incentivos que me fazem voltar. O que me faz voltar é a minha vontade de regressar ao meu país.

Acho que o período de cinco anos que o Governo propõe para nos ajudar a restabelecer é bom. Quanto aos 50% da carga fiscal, tudo depende dos meandros disso. Essas ajudas de custo traduzem-se em quê? Nada é muito claro ainda. Acho que não é mesmo por aí que as pessoas vão mudar tudo e ir embora – podem aproveitar e beneficiar das regalias atribuídas, mas não vão voltar a Portugal por isso. Muito menos darem-nos um intervalo de tempo tão pequeno: 2019-2020 é já amanhã.

 

 

Mariana Bilbao – 27 anos – Lisboa – Jornalista

MS: O que te fez emigrar?

Mariana Bilbao: Eu emigrei em maio de 2013, sozinha. Vim depois de acabar o curso. Sou licenciada em Jornalismo. Estava a fazer um estágio que não tinha nada a ver com a minha área de formação e decidi que não era o que eu queria. Achei, por isso, que era interessante ter uma experiência fora de Portugal – nunca viajei a pensar que ia imigrar, mas sim que ia passar um verão no Canadá. Acabei por ir ficando.

MS: Foi fácil encontrar trabalho quando cá chegaste?

MB: Quando vim foi para aprender a falar inglês, durante um verão. Uma espécie de ERASMUS, já que não o tinha feito na altura em que estava a estudar na Universidade. Fiquei um mês e depois, quando quis arranjar trabalho foi fácil. Tenho cidadania canadiana, por isso também não tive que passar por esses processos dos contratos de trabalho.

Quando cheguei foi tudo acontecendo. Fui conhecendo pessoas, começaram a dizer-me que havia órgãos de comunicação social portugueses cá e comentavam comigo que era mais fácil entrar nesse ramo pelo facto de eu ser jornalista e portuguesa – e por isso nem tentei trabalho noutra área.

MS: Antes de emigrares tinhas uma expectativa salarial? Corresponde à realidade?

MB: Não tinha expectativas salariais. Tudo em Portugal estava péssimo e o que eu queria era trabalhar na minha área – lá apenas encontrava estágios não remunerados e ainda fiz um ou dois enquanto estudava. Mas depois consegui apenas um estágio na área da banca, que nada tinha a ver com comunicação social. Por isso não tinha mesmo expectativas antes de vir. Mas cheguei cá e senti-me satisfeita. Os primeiros trabalhos que tive sempre recebi mais do que estava à espera. Em Portugal eu morava com os meus pais e o que recebia não dava para nada. Aqui, com um part-time, tinha dinheiro para pagar casa, transportes e ainda sobrava dinheiro que eu fui guardando.

MS: Entretanto a tua experiência pelo Canadá, que era passageira, começou a ficar mais permanente. A família começou a crescer. É por isso que ainda cá estás hoje?

MB: Não foi por isso. O Caio (marido) sempre foi flexível no que diz respeito a viajar e sair daqui, por isso se quiséssemos voltar para Portugal, ou para qualquer outro sítio, tinha acontecido.

O facto de ter agora dois filhos faz-me ponderar ir e não ficar.

MS: Esta proposta para o Orçamento de Estado de 2019 faz-te ponderar voltar a Portugal? É um incentivo que te motiva a voltar a casa? Ou nada te diz?

MB: Não está nos planos voltar a Portugal, mas também não está fora. Há essa hipótese, mas não pensamos muito nela neste momento. No entanto, os incentivos do Estado são sim uma espécie de isca – para mim é motivador. Faz-me pensar que se voltar, volto com ajudas. Porque dá medo largar tudo outra vez e começar tudo do zero. Saber que temos essas ajudas realmente dá-me uma motivação mais forte caso eu decida tentar voltar.

MS: Achas que essa ajuda aos emigrantes é, de alguma forma, injusta para quem ficou em Portugal durante os tempos mais difíceis de crise?

MB: Não acho justo. Se eu tivesse lá ficado não ia achar justo. Mas acho que é, de facto, uma motivação para nós que saímos. Se eu não tivesse saído se calhar não dava tanto valor, mas sair é um sacrifício gigante. Por esse motivo, acho que é justo para nós, mas também penso que seja injusto para eles. Se eu tivesse que numa situação de escolha, claro que aceitava estes incentivos – vai me beneficiar! Ser imigrante não é nada, nada fácil. É, como disse, um sacrifício enorme – eu compreendo que quem ficou também teve que se sacrificar, mas é diferente. Portanto, justo para quem lá ficou acho que não é, mas acho que é ótimo para quem saiu.

 

 

José Luís Carneiro – Secretário de Estado das Comunidades

“Portugal hoje tem condições para o regresso de muitos”

“Não se trata apenas de medidas de natureza fiscal. Há um conjunto de medidas que está a ser trabalhado e que aliás vêm reforçar outras que já estavam em curso. Por exemplo, temos o programa denominado “O regresso de uma geração preparada” destinado a acolher e apoiar, nas intenções de investimento, jovens que tenham saído do país no período grave da crise. É um programa que tem tido resultados muito positivos e que agora vai ter uma segunda fase. Depois temos os gabinetes de apoio ao emigrante que ajudam em todo o processo de regresso de uma família e seus descendentes ao país.

Entretanto, estamos a preparar em conjunto com o Secretário de Estado do Emprego um programa que tem a ver com a oferta de oportunidades de trabalho que temos hoje em Portugal.

Claro que a decisão de sair do país e a decisão de regressar depende sempre de um conjunto multidimensional de fatores, mas estou em crer que muitas das medidas que irão ser públicas contribuirão para que possa acontecer o regresso de muitos.”

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