Portugal “à la carte”!…

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Por razões que a “razão” desconhece, mas porque acordei especialmente bem-humorado, hoje vou falar sobre gastronomia!…Não de uma gastronomia qualquer, mas aquela que nos impele à leitura matinal das melhores informações sobre o “prato do dia” e da opinião daqueles que estão a degustar os respectivos menus.

Para a maioria dos portugueses, que ainda mantêm o gosto no palato pelo cardápio do que se serve de melhor internacionalmente e habituados que estão a identificar os estrangeirismos das listas dos restaurantes lisboetas que identificam os respectivos pratos, a primeira escolha serve-se fria e dá pelo nome de “Brexit”. Um prato para abrir o apetite aos mais fervorosos adeptos da vingança ao “ultimato inglês” e que tem provocado enormes dores de barriga nos amantes de “bifes”!

Um outro petisco internacional, que serve de entrada e que ninguém sabe como sai, é o “Shut-down” americano. Servido em taças adocicadas pelo Senado, mas muito apimentadas pelo Congresso, este menu que já provoca cólicas a muitos funcionários públicos americanos, arrisca-se a ser alvo de uma emergência clínica ou a atirarem o seu teimoso cozinheiro contra um muro!

Do outro lado do Atlântico, em França, foi criado um prato a ser cozinhado bem quente nos Campos Elísios e que é designado como “Gilet jaune”. Servido apenas aos fins-de-semana, esta iguaria inventada pelos melhores cozinheiros do mundo, entre os quais os franceses que tomaram a Bastilha, tem vindo a ser considerada como a descoberta do século, pela azia que provoca aos governantes e pelo aproveitamento dos restos, por parte dos amantes por caldeiradas.

Regressando à nossa gastronomia atual, os portugueses estão hoje indecisos na escolha entre dois pratos de substância: “geringonça à esquerda” ou “geringonça à direita”!…

Com o aproximar das provas gastronómicas europeias e das constitucionais, os cozinheiros políticos afinam as suas ementas, tentando conquistar os seus e outros apreciadores da nossa cozinha nacional.

Incapazes de servir todos os gostos, após os resultados de uma última sondagem aos apetites dos portugueses e que baixaram as suas qualificações nas provas cegas que apresentaram, os “chefs” passaram à fase das sobremesas tentando conquistar os clientes pelo fim do menu.

Para os cozinheiros de uma possível “geringonça à esquerda”, os bons resultados obtidos com 40% dos gostos dos portugueses na referida sondagem, são agora açucarados com novos investimentos apetitosos, acompanhados com o sabor agridoce de cravos vermelhos, verdura e muita salsa servida em blocos de gelo. Um prato que já mostrou algumas provas de agrado e que precisa de muito mais para agradar ao chefe deste cozinhado, embora contra a vontade dos ajudantes de cozinha que têm de preparar os acompanhamentos.

Os mentores do outro prato – a “geringonça à direita” – estão a braços com um verdadeiro problema administrativo. Quem vai mandar nessa cozinha?

O cozinheiro eleito chefe de uma das maiores cozinhas nacionais, enquanto responsável pelo sucesso dos seus menus da culinária típica da região Norte do país, após meses de contestação por parte dos seus ajudantes, que o acusam de falta de criatividade por os seus sabores serem idênticos aos da “geringonça à esquerda” e pelo fraco desempenho no concurso das sondagens (24,8%), decidiram começar a entornar as panelas da sopa em que se transformou esta tradicional cozinha, dando lugar a uma batalha campal com as facas e colheres de pau disponíveis.

Um dos primeiros a querer assenhorear-se dos tachos, decidiu estabelecer-se por conta própria formando uma cozinha liberal, onde todos podem participar desde que não ponham em causa o seu lugar de “chef principal”. Não se sabe bem que tipo de cozinhado passa pela cabeça deste resiliente aprendiz de cozinheiro, embora o seu sucesso passe pelo insucesso dos seus antigos companheiros da cozinha.

Recentemente, uma outra revolta nesta cozinha, protagonizada pelos profissionais da agremiação do Senhor dos Passos e encabeçada por um dos seus “illuminati” destacado, decidiu partir a loiça toda reclamando o lugar do chefe eleito. Na sua receita, ainda ausente dos produtos que vai confeccionar, está a promessa de comida na cozinha para todos os excluídos do atual chef!

Assim, no meio de tantos cacos espalhados no chão desta cozinha e em vésperas dos concursos aos melhores sabores, as expectativas sobre o cozinhado que sairá eventualmente vencedor absoluto desta competição, começam a atormentar o “chef-mor” da cozinha nacional que, para tal, não hesita em multiplicar as “selfies” para manter a sua imagem (64,5%), em fazer do palácio uma cozinha suplente, participar em passatempos televisivos e ameaçar com o rolo da massa da sua popularidade, os insurgentes da sua lendária cozinha de pertença.

Não se sabe o resultado de todos estes cozinhados e de toda a panóplia de ingredientes e temperos que estão a ser usados. Por agora basta-nos saber que a comida ainda vai ter que ir ao forno, na esperança de que mais tarde os portugueses possam vir a ser bem servidos e (para quem gosta…) que não adulterem o nosso original cozido à portuguesa!

Luís Barreira

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