Portugal

Morreu José Mário Branco

O país acordou esta terça-feira com a notícia da morte de José Mário Branco, músico, autor, poeta, produtor e um dos nomes mais importantes da música portuguesa dos últimos 50 anos. As reações ao desaparecimento físico do artista não se fizeram esperar. E foi exatamente aí que David Ferreira, antigo editor de José Mário Branco, colocou o tom.

“É um artista que continua por todo o lado. A morte física choca, mas nós continuamos a vê-lo por todo o lado”, disse David Ferreira à RTP, acrescentando a importância do produtor no início da carreira de Sérgio Godinho e nos anos mais marcantes de Zeca Afonso. Na fase final da carreira, lembra David Ferreira, o “papel importantíssimo [que teve] no fado: é ele que traz uma nova visão do que o fado poderia ser”.

Dessa última fase é Camané a principal testemunha. A maior parte da discografia do fadista foi produzida por José Mário Branco. Foi por isso um Camané emocionado que reagiu à notícia, em direto para a RTP3. Ter colaborado com o músico “foi a coisa mais importante que me aconteceu”. “Era um artista fantástico, muito para além de um artista de intervenção.” Como produtor, prossegue Camané, “era extraordinário, de bom gosto e de respeito pela estética musical”. O fadista disse ter aprendido muito com José Mário Branco, destacando desses ensinamentos “a importância da palavra, da poesia. Era um fora de série.”

Pouco depois, Camané falou também sobre o desaparecimento do produtor e amigo.

“TEVE EXIGÊNCIA E RIGOR EM TUDO ONDE PÔS A MÃO”

Luís Represas foi outro dos músicos tocados pelo génio de José Mário Branco. “Tinha sempre um cunho de exigência e rigor em tudo onde pôs a mão”, lembrou, também em direto para a RTP 3. O artista destaca o “exemplo de coerência em relação ao que pensava como músico e cidadão” como marca de água da carreira de José Mário Branco. “Preservo muito essa memória daqueles que, antes e depois do 25 de Abril, fizeram com que a sua música transmitisse ideias e conceitos políticos, sociais e estéticos.”

Como produtor, “fez parte de uma série de discos que nos abalaram e nos fizeram abrir a pestana. É isso que devemos preservar. É o acervo que deixa e que que não pode ficar eclipsado.”

Dentro desse leque de artistas está também Janita Salomé. Ainda à RTP 3: “deixa um legado que vai ser sempre referência. O país deve imenso ao Zé Mário Branco, não só enquanto músico. Enriqueceu o trabalho de muitos colegas dele. Enriqueceu a música portuguesa e isso ficará para sempre.”

“MORREU UM AMIGO”

No Instagram, a rapper Capicua escreveu: “Que possa sempre honrar o seu exemplo. Não esquecendo nunca que a música não é só estética, e muito menos técnica, porque a ética é a sua dimensão mais importante. Que pena nunca o ter conhecido pessoalmente para lhe agradecer. Para lhe dizer que o primeiro CD que tive era dele (oferecido pelo meu pai). Para lhe dizer como cresci com a sua voz, acreditando que a ‘Ronda do Soldadinho’ era música para crianças. E para lhe dizer que uma das coisas que mais me orgulha na minha cidade é ter feito nascer um tipo com a sua fibra! Já liguei ao meu Pai. Morreu um amigo. Um abraço à sua família!”.

Por seu turno, Legendary Tiger Man escreveu: “Nunca nos cruzámos, e foste dos primeiros músicos portugueses que me tocou no coração, adolescente, sedento de justiça e contestação. E a tua música foi ficando, ao longo dos anos, sempre”.

Adolfo Luxúria Canibal, dos Mão Morta, lamentou hoje a morte do “amigo” José Mário Branco, “alguém de quem gostava muito”. “Estou em estado de choque. É um amigo que se perde”, disse, emocionado.

Também o escritor Valter Hugo Mãe dedicou algumas palavras a José Mário Branco: “Que insuportável notícia, a da morte de José Mário Branco. Toda a música portuguesa empalidece. Que génio perdemos agora. Que tristeza esta porcaria chamada morte”.

Também emocionada, a cantora Cristina Branco falou num panorama musical português mais pobre a partir de hoje. “A forma como ele ensina a dar importância às palavras é absolutamente única.”

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