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Vacina da Pfizer: “se se verificar eficácia de 90%, será das melhores que teremos”

Vacina da Pfizer: "se se verificar eficácia de 90%, será das melhores que teremos"
A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, durante a conferência de imprensa sobre o novo coronavírus (covid-19), realizada no Ministério da Saúde, em Lisboa, 21 de outubro de 2020. Portugal contabiliza hoje mais 27 mortos relacionados com a covid-19 e 2.447 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS). TIAGO PETINGA/POOL/LUSA

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou esta segunda-feira, em conferência de imprensa, que, caso se verifique a eficácia de 90% da vacina da Pfizer, esta será “das melhores vacinas” e que se trata de “uma boa notícia”.

Na habitual conferência de imprensa de atualização da informação sobre a pandemia de covid-19, Graça Freitas começou por esclarecer que os casos ativos são de doentes que ainda “não tiveram alta médica” ou que “não faleceram”, mas que, “felizmente, a maior parte dos doentes está a recuperar no seu domicílio”.

A diretora-geral da Saúde relembrou ainda que entrou esta segunda-feira em vigor “uma nova definição de ‘caso’, que interessa sobretudo aos médicos, mas também às pessoas”. “Os sintomas são tosse, que foge ao padrão habitual, febre, com temperatura corporal igual ou superior a 38.ºC, falta de ar ou dificuldade respiratória sem outra causa atribuível e outros dois sintomas que as pessoas já sabem, que são a perda de olfato e perda do sentido de gosto ou alteração do paladar”, informou.

“Quanto aos concelhos, estamos a fornecer informação que tem a ver com a taxa de incidência dos últimos 14 dias. Neste momento, há 121 concelhos nessa situação com 240 casos ou mais por 100 mil habitantes. Os 121 atuais podem permanecer, outros poderão sair desta lista e outros poderão voltar a entrar”, alertou.

Sobre a notícia da vacina da Pfizer, “se se verificar que a sua eficácia é de 90%, será das melhores vacinas que teremos, porque mesmo das que utilizamos atualmente nem todas têm essa eficácia. Esperemos que os ensaios se venham realmente a concretizar e se confirme essa eficácia. Portugal também está nos mecanismos de aquisição dessa vacina. É uma boa notícia”, afirmou Graça Freitas.

Acerca da deslocação entre concelhos, “cada pessoa terá que ver o seu percurso e verificar se pode seguir ou não. O conselho que deixo é que qualquer pessoa verifique quais são os concelhos em que pode progredir sem infringir nenhuma regra”. “Estamos a compilar informação com a melhor qualidade possível através de um sistema partilhado com os serviços de saúde. Dentro de dias atualizaremos essa base de dados por concelho”, informou a diretora-geral da Saúde.

Graça Freitas aproveitou a conferência de imprensa para deixar também um alerta sobre as reuniões familiares e as refeições: “O momento de refeição nos nossos convívios familiares ou sociais ​​​​​​​é extremamente crítico e de alto risco“, avisou, relembrando que entre 68 a 70 por cento dos casos de infeção atualmente ocorrem nesses convívios.

A diretora-geral da Saúde explicou que o momento das refeições “é de grande descontração, grande proximidade e obviamente não se está a usar máscara”, pelo que é um momento “crítico” para o contágio. Por isso, a Direção-Geral da Saúde recomenda que esses momentos aconteçam apenas entre coabitantes.

Quanto às concentrações de pessoas, sobretudo nos supermercados, com os novos horários aos fins de semana, a diretora-geral da Saúde referiu que o que se tem “observado ao longo dos meses é que continuam a haver restrições à entrada dos supermercados e as pessoas têm de se aperceber a que horas é que devem ir e que será uma aprendizagem muito rápida”. “Já nos habituámos e já o fazemos com naturalidade”, reforçou.

Sobre os critérios para a realização de testes em massa numa instituição, Graça Freitas respondeu que “não há uma regra única e básica de quando determinar o número de testes ou fazer-se testes em massa numa escola, num lar, numa prisão, portanto esse contexto de testagem mais massificado depende sempre da avaliação do risco que se passa nessa instituição e na comunidade”.

“Em relação aos testes, quero deixar um apelo: os testes são pedidos, prescritos e aconselhados sempre que são necessários, não tenham a mínima dúvida de que Portugal testa muito e testa desde o início. As pessoas não devem tomar a iniciativa de pedirem testes por elas próprias, devem esperar pela recomendação e prescrição médica. Não é de todo aconselhável fazer-se testes seja para o que for sem ser por prescrição médica. Era bom que nos disciplinássemos”, apelou a responsável.

“Relativamente às previsões de quando ultrapassaremos a centena de casos por dia nos cuidados intensivos, temos de continuar a monitorizar esta pandemia, mas não me compete fazer futurologia, temos de prever cenários e esses cenários devem ir do pior possível aos mais benignos, mas as autoridades acompanham esses cenários para poderem expandir a capacidade dos seus recursos”, garantiu Graça Freitas.

Questionada sobre um estudo da Universidade do Porto segundo o qual as bases de dados do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE) têm qualidade fraca e falhas de informação, a diretora-geral da Saúde respondeu que esses dados “não são de investigação científica, mas de vigilância epidemiológica, e são obtidos através daquilo que os médicos e os laboratórios preenchem”. Segundo a responsável, “há parâmetros que vêm muito bem preenchidos e há outros, como em todo o mundo, que vêm menos preenchidos”.

“Numa altura em que temos milhares de novos casos por dia, a grande prioridade é detetar doentes, tratar doentes, isolar contactos e seguir a epidemia. Os dados dos contactos de vigilância, neste contexto, não são perfeitos, mas mantemos com a academia e com os cientistas uma excelente relação. Os académicos têm aqui uma função muito importante ao avaliar esses dados de vigilância epidemiológica. Para os estudos mais completos, contamos com a rede da academia”, assegurou.

Sobre o surto de legionela nos concelhos de Vila do Conde, Póvoa de Varzim e Matosinhos, a diretora-geral da Saúde recordou que, apesar da pandemia, “as outras doenças continuam a manifestar-se”. “O que constatamos é que desde o dia 29 de outubro foram notificados alguns casos de legionela no Norte do país. A doença caracteriza-se por atingir pessoas mais velhas e do sexo masculino. Não é uma doença contagiosa, mas as autoridades de saúde estão a investigar para detetar a origem do surto e atuar para resolver a situação”, concluiu Graça Freitas.

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