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Corrida a Belém

O Dia D aproxima-se: termina hoje, dia 22, o período de campanha eleitoral e no domingo, dia 24 de janeiro, os portugueses vão decidir quem será, nos próximos cinco anos, o seu Presidente da República. São sete os candidatos ao lugar – Ana Gomes, André Ventura, João Ferreira, Marcelo Rebelo de Sousa, Marisa Matias, Tiago Mayan Gonçalves e Vitorino Silva -, e nesta edição do Milénio Stadium decidimos apresentar-lhe cada um deles, fazer um resumo de alguns dos momentos mais marcantes do período de campanha e ainda perceber como tem variado a intenção de voto no país. Marcelo Rebelo de Sousa recolhe a maioria das preferências, segundo sondagens, mas a sua popularidade já viu melhores dias.

milenio Stadium - Corrida a Belem - intençao de voto

 

INTENÇÃO DE VOTO

Têm sido registadas algumas mudanças nas intenções de voto desde a primeira sondagem realizada pela Pitagórica para a TVI e Observador e que foi divulgada no dia 18 de dezembro de 2020. Foram realizadas 629 entrevistas telefónicas, com um grau de confiança de 95,5%, para uma margem de erro máxima de 4%. André Ventura, Tiago Mayan Gonçalves e Vitorino Silva são os candidatos a Belém que, até ao dia 14 de janeiro, têm subido de forma regular.

O presidente do Chega passou de 9% para 11% das intenções de voto, Tiago Mayan começou com 0,90% e na última sondagem apresentava um melhor resultado (2,3%), enquanto que o ex-presidente da Junta de Freguesia de Rans subiu de 0,8% para 2,1%.

HÁ UM GRÁFICO COM ESTA EVOLUÇÃO

É sabido que André Ventura e Ana Gomes travam uma “guerra” à parte: a luta pelo segundo lugar. Ainda que tenham estado sempre muito próximos em termos de percentagens de intenção de voto, a realidade é que na sondagem mais recente Ventura ultrapassa a candidata apoiada pelo PAN e Livre, ainda que apenas por duas décimas (11% e 10,8%, respetivamente).

O candidato apoiado pelo PCP, João Ferreira, registou uma menor percentagem entre 3 e 7 de janeiro (2,8% e 2,6%, respetivamente), tendo vindo a recuperar no dia 14 deste mês (3,2%). Já Marisa Matias é a candidata com piores resultados, já que tem vindo, semana após semana, a apresentar percentagens mais baixas.

Marcelo Rebelo de Sousa destaca-se claramente como preferido e não há grandes dúvidas que continuará, por mais cinco anos, em Belém. Ainda assim, os seus números têm sofrido algumas oscilações e nunca conseguiu recuperar os 68,9% iniciais. Para tal tem contribuído o desenrolar da pandemia de Covid-19 em Portugal. O atual Presidente assumiu que, a confirmar-se a reeleição, este “segundo mandato vai ser mais difícil”, tendo em conta o clima de incerteza que a Covid-19 arrasta consigo: não se sabe quando terminará nem se conhece a extensão do impacto social e económico no futuro do país. Uma coisa é certa: não se adivinham tempos fáceis.

As críticas chegam de todos os lados e salientam, sobretudo, a má gestão e abordagem no combate ao vírus no país.

Depois de Marcelo declarar que o Governo não previu a terceira vaga da pandemia de Covid-19, Marisa Matias aproveitou a deixa para lembrar que “numa situação destas as responsabilidades têm que ser assumidas por todos os órgãos de soberania e não apenas por um”, afirmando que também a Presidência da República subestimou a segunda e terceira vaga da pandemia.

Para além disso reforçou que “todos os setores que tiverem de fechar, devem fechar, mas tendo a certeza e a garantia de apoios”.

O chefe de Estado assumiu ainda que, se necessário, será utilizada a requisição civil de meios de saúde privados, mas observou que, até aqui, “não houve necessidade” de o fazer. Ora Ana Gomes também deu a sua “alfinetada” em relação a este assunto: a candidata acusou Marcelo de ter “minado” uma melhor negociação do Estado com os privados, responsabilizando-o pelo facto de nem todos os meios humanos e físicos estarem a ser aproveitados.

Tudo isto numa altura em que os novos casos, internamentos e óbitos atingiram números (ainda mais) assustadores: desde o dia de início da campanha (10 de janeiro) e até ao dia 21 de janeiro Portugal registou um total de 118.972 novos casos e 1985 óbitos.

Portugal está a viver os piores tempos desde o início da pandemia… e não sabe se o pior não estará para vir.

NEGATIVO OU POSITIVO?

Um outro assunto que colocou Marcelo “debaixo de fogo” foi o mistério do caso positivo. No passado dia 11 de janeiro, o Presidente fez um teste rápido que deu negativo, mas um segundo teste (RT-PCR) acusou positivo para a doença – ora, em situação normal, a partir daqui teria que cumprir período de isolamento, já que os falsos positivos são muito raros e não existe, regra geral, recomendação de contra-análise. Mas não foi o que aconteceu: apesar de ter ficado em isolamento, o Presidente repetiu o teste PCR, desta vez no Instituto Ricardo Jorge, e testou negativo. Se a história acaba aqui? Nada disso!

As autoridades de saúde aconselharam um teste “tira-teimas” que confirmou, finalmente, que Marcelo Rebelo de Sousa não está infetado.

Soube-se que em 10 meses de pandemia Marcelo realizou mais de 80 testes à Covid-19, de vários tipos: rápidos, PCR e serológicos. A maioria foi feita na Fundação Champalimaud.

A POLÉMICA DO VOTO ANTECIPADO

Em entrevista ao Lusojornal, o atual Presidente defendeu a introdução do voto eletrónico em Portugal, que os portugueses deveriam poder votar por correspondência nas eleições presidenciais e que nas legislativas poderia haver um maior número de deputados eleitos pela emigração.

Ora e era exatamente pelo voto eletrónico que se clamava nas filas de espera de diversos concelhos portugueses no dia de voto antecipado: no Porto, por exemplo, ao meio dia, a fila já era de mais de meio quilómetro e passadas cerca de duas horas passou para o dobro. Resultado? Indignação, desistências e o que menos se quer em tempos de pandemia: aglomeração de pessoas.

O primeiro-ministro António Costa declarou, em conferência de imprensa, que o voto antecipado “correu bem, com elevada taxa de participação na ordem dos 80% relativamente ao número de cidadãos inscritos”. Já em relação à organização assume que “houve uns [concelhos] onde houve uma excelente organização e a votação decorreu de forma fluida, enquanto em outros, manifestamente, houve uma má organização e que implicou longos períodos de espera”.

LÁBIOS VERMELHOS

“Não está muito bem em termos de imagem, com aquele batom vermelho, como se fosse uma coisa de brincar” – este foi um comentário dirigido à candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda Marisa Matias, por André Ventura, por esta estar a usar um batom vermelho durante uma ação de campanha em Portalegre.

O comentário, que claramente tinha como objetivo atacar e rebaixar a candidata, acabou por funcionar de forma oposta para Ventura: uma observação apontada pela maioria das pessoas como “populista e machista”, “inadmissível nos dias de hoje” e que se transformou numa enorme onda de apoio a Marisa Matias… até por parte de rivais na corrida a Belém – Ana Gomes publicou, nas redes sociais, um vídeo onde aparecia a pintar os lábios da mesma cor.

A tag #vermelhoembelem tornou-se tendência nas redes sociais, e muitas foram as caras conhecidas, de lábios pintados de vermelho, a mostrar o seu descontentamento face à infeliz intervenção do presidente do Chega.
Mais do que lábios vermelhos, esperemos que no final da “festa” Portugal consiga seguir em frente, de cabeça erguida e vestido de cores de liberdade e democracia.

milenio Stadium - Corrida a Belem - intençao de voto

 

Inês Barbosa/MS

 

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