Portugal

A pandemia e as medidas trágico/cómicas do governo

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Foto: DR

 

Se me permitem, esta semana, irei debruçar-me sobre as medidas trágico/cómicas, que têm sido tomadas pelo governo, e que nos desgovernam e confundem diariamente.

Não há como fugir a uma sátira ao que se passa neste país, pois no decurso das medidas impostas pelo governo, estamos no seguinte estado de arte:

Continua o uso de máscara obrigatória no local de trabalho, salvo situações onde seja possível manter a distância. Pois bem, quem define e anda de fita métrica a averiguar este distanciamento obrigatório? Ninguém! Pois é. Enquanto nas escolas, um professor pode ser processado por tirar a máscara por breves momentos, nas empresas polvilham funcionários a fumar tranquilamente nos intervalos. Há coerência? Não há.

O governo obriga ao uso de máscara, mas diariamente jornais e telejornais transmitem a falta de cumprimento das normas, por parte dos próprios deputados. A normal impunidade dos membros de governo, que me remetem imediatamente para o episódio de há uns anos, no qual, o engenheiro Sócrates fumava tranquilamente um cigarro, enquanto havia sido decretada a proibição de fumar em espaços fechados.

Ou seja, tudo é para cumprir, exceto quem tem de cumprir, como cumprir e quando cumprir. Muito pior que qualquer teste de interpretação de poesia.

Também, como sabem, a circulação entre concelhos ficou proibida entre as 23h de 27 de novembro e as 5h do dia 2 de dezembro, e ainda, entre as 24h do dia 4 de dezembro e as 5h do dia 9 de dezembro, salvo as exceções que haviam sido aplicadas durante o fim de semana de finados. Às escolas, foi indicado que serão encerradas nos dias 30 de novembro e 7 de dezembro. E que os funcionários públicos têm tolerância de ponto, com a óbvia recomendação às empresas privadas para dispensar os trabalhadores. Posto isto, surgem questões tão hilariantes como os estabelecimentos, numa primeira fase, poderem estar abertos à tarde, mas a população não poder arredar pé das suas casinhas. Depois, lá o governo emendou. O que não emendou, e que afeta brutalmente o país, é ser permitido estarem abertos as superfícies comerciais, nas quais se verificam milhares de pessoas juntas, loucas por um Natal vindouro, mas depois não se podem sentar sete pessoas numa mesa para almoçar.

Que dizer?! É a selva.

As superfícies comerciais podem estar abertas, mas o pequeno comerciante tem de fechar portas todos os dias referidos à uma da tarde. E fecham, acreditem! Todos os dias há estabelecimentos de rua a fechar. Não há comércio que resista à incongruência das medidas anárquicas impostas por este governo.

Já nas medidas para concelhos com mais de 240 casos por 100 mil habitantes, o recolher obrigatório das 23h às 5h, é uma total piada, quando durante o dia as grandes superfícies têm mais gente que o Lux numa sexta-feira à noite. E por Lux? Sabem que agora serve pequenos almoços até à uma da tarde? É fabulosa, a ginástica que os estabelecimentos têm que realizar para manter portas abertas.

E nós, aqueles que temos de obedecer? Estamos completamente doidos, não percebemos rigorosamente nada do que se passa. Precisamos estar sempre de telemóvel na mão, a consultar o que nos é permitido naquela semana… seis pessoas numa mesa de refeição, oito numa casa familiar, 30 numa sala de aula e chegámos ao Daily Show da geringonça.

Chamem por favor a ambulância para este governo, tenho a certeza que está com COVID-19 e não é assintomático. Aliás, talvez por isso, tenha recentemente lançado o plano da vacinação.

Bom fim de semana.

Amélie Bonsart/MS

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