Opinião

Será que o nosso dinheiro está a ser desperdiçado?

Agora que estamos no meio de uma eleição federal, é um bom momento para pensarmos sobre as questões que têm maior impacto nas nossas vidas. Para muitos é a acessibilidade e desigualdade de rendimentos, para outros a saúde e habitação a preços acessíveis. Cada um de nós tem seus próprios valores e, às vezes, os recursos são insuficientes para pagar o custo final das nossas prioridades.

Parece que todos os partidos políticos estão a oferecer-se para aliviar os problemas da vida diária, mas quais são as plataformas que realmente oferecem soluções significativas?

Para começar, das promessas feitas pelo partido no poder, o déficit não parece importar. Foi o que me disseram nas últimas duas semanas da campanha eleitoral e desde que os liberais revelaram o seu programa eleitoral recentemente, onde encontramos déficits cada vez maiores.

Deveríamos ficar assustados quando os governos não veem problemas com déficits intermináveis e crescentes?

O que são déficits?

Vale a pena lembrar que em qualquer orçamento, seja pessoal, empresarial ou do Estado, temos sempre duas componentes: receitas e despesas. Para uma família estar numa situação líquida negativa (déficit orçamental) é uma situação dramática e insustentável, pois rapidamente surgirão as penhoras. No que diz respeito ao Estado já não é bem assim. Para o Estado, estar anos a fios a ter mais despesa do que receita não parece ser um problema. Há a crença que o país não pode falir e que haverá sempre apoios de financiamento externo.

Nas eleições de 2015, Justin Trudeau conseguiu superar duas décadas de aversão aos déficits ao prometer que enfrentaria três déficits “pequenos” de apenas $10 biliões por ano para estimular a economia. Os déficits acabaram muito mais altos, quase três vezes mais, e duraram muito mais que três anos.

O último plano de Trudeau sugere que ele aumentará as despesas públicas prometendo déficits de $27,4 biliões em 2020-21, seguidos por despesas excessivas de $23,7 biliões, $21,8 biliões e $21 biliões nos três anos seguintes. Esses são déficits muito mais altos do que o próprio governo propôs quando o orçamento foi entregue em março. Curiosamente, os liberais continuam a dizer-nos que a economia está bem, e que estatisticamente nunca a tivemos tão bem.

No momento, apenas pagar os juros da dívida custa-nos $26,2 biliões por ano, de acordo com o último orçamento divulgado pelos liberais no início deste ano. Esse dinheiro não paga nem um centavo da dívida, apenas paga os juros da dívida. É como pagar apenas os juros ou o pagamento mínimo no cartão de crédito – o total que o leitor deve continua a crescer.

O plano de Trudeau de gastar mais de $94 biliões com déficits crescentes nos próximos quatro anos aumentará esse custo para todos nós. Os liberais dizem que querem evitar a austeridade, mas seu plano pode nos levar a isso e aos cortes que se seguem. De acordo com os números de Trudeau, estamos a gastar mais a pagar os juros da dívida do que nas forças armadas – $4 biliões a mais para ser exato.

O Estado pode defender que há vida para além do déficit pois o facto de dar prejuízo sistematicamente não é o problema de uma só pessoa, mas de todas. Na realidade, é evidente que prejuízo atrás de prejuízo nos leva ao precipício?  É assustador que estejamos todos tranquilos.

Em conclusão, o orçamento não se equilibra sozinho. Deveria haver consequências para os partidos políticos que não cumpriram suas promessas orçamentais? Vou deixar isso para outro dia.

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