Opinião

Quem é Jagmeet Singh?

Dado que estamos a dez meses de uma eleição nacional, devemos ter um melhor conhecimento de nossos líderes partidários federais para que possamos tomar uma decisão informada em outubro.

Jagmeet Singh nasceu a 2 de janeiro de 1979, em Scarborough e é filho de pais imigrantes indianos. É advogado especialista em defesa criminal e é o atual líder do Novo Partido Democrata, desde 2017. Anteriormente, foi membro do Novo Partido Democrático do Ontário no Parlamento Provincial (MPP) para Bramalea – Gore-Malton, entre 2011 e 2017. 

Ideologicamente, Singh assume-se como um progressista e democrata social. Ele defende que o salário mínimo federal deve subir para $15 por hora, apoia a descriminalização do porte, para uso pessoal, de todas as drogas e apoia a eliminação de várias deduções fiscais, disponíveis para os que ganham mais.

A sua carreira política começou em 2011, quando disputou as eleições federais na Bramalea – Gore – Malton. Mais tarde, naquele ano, tornou-se membro do parlamento provincial. Em 2015, tornou-se vice-líder do Novo Partido Democrático de Ontário, onde permaneceu sob o comando de Andrea Horwath, até 2017.

Jagmeet Singh anunciou a sua candidatura à liderança do Novo Partido Democrático para substituir Tom Mulcair. Singh foi eleito presidente no dia 1 de outubro de 2017, com uma votação na primeira volta de 53,8%, num campo de quatro. Após a sua eleição, Singh tornou-se a primeira pessoa de um grupo minoritário a liderar um partido político federal canadiano, de forma permanente, e o primeiro sikh a vestir turbante a sentar- se como legislador provincial no Ontário.

Como o leitor já deve saber, a eleição de Singh para o Parlamento canadiano foi impedida por manobras políticas, que tinham como objetivo negar-lhe uma plataforma na capital. Embora essa data de eleição seja agora definida, ainda restam dúvidas sobre se o governo é capaz de decidir por quanto tempo as comunidades ficam sem representação. O sistema de eleições no Canadá permite que os assentos permaneçam vazios por um tempo, excecionalmente, longo. Apesar de adotar datas fixas para as eleições gerais, o governo mantém ampla discrição sobre o momento das eleições.

 A lei exige apenas que as eleições parciais sejam convocadas entre 11 e 180 dias após o orador do Commons reconhecer, oficialmente, uma vaga e que as campanhas tenham pelo menos 36 dias de duração. Na minha opinião, a diferença atual no tempo médio que os cidadãos ficam sem representação não pode ser justificada. A realidade para o líder do NDP pode resumir-se na célebre frase do poeta irlandês Oscar Wilde “a única coisa pior do que ser falado é não ser falado”. 

Singh está a enfrentar um teste crítico de eleição no circuito de Burnaby South que será realizada no próximo dia 25 de fevereiro. A campanha de Singh está a chamar a atenção para algumas das dinâmicas raciais em jogo e questões sobre o que a representação, realmente, significa. Escusado dizer que esta é a sua grande oportunidade de entrar no Parlamento e enfrentar o primeiro-ministro Justin Trudeau e o líder da oposição, Andrew Scheer.

Já afirmou que no passado recente que não descarta a hipótese de trabalhar com os conservadores para derrubar um governo federal liderado por Trudeau, se o NDP tiver o maior número de deputados num parlamento minoritário. O NDP ultimamente tem tido problemas em conseguir dinheiro dos seus membros e outros, atingindo números ainda mais baixos em popularidade, nas sondagens. Sem um líder permanente em Ottawa, a cada semana, a falta de unidade entre os membros do seu partido pode levar a mais fragilidade. Na melhor das hipóteses, ele é eleito para o parlamento, mas não pode esquecer os desafios que o seu partido enfrenta, atualmente. 

Com a eleição federal em outubro, claramente os conservadores esperam que o NDP tenha uma campanha bem-sucedida, pois acreditam que isso tirará o voto aos liberais. O tempo dirá.


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