Opinião

Ouvi e gostei – Há que agarrar a boa vontade da juventude

Numa manhã soalheira ouvia uma rádio local, claro na língua de Camões, – alguns jovens com muita vontade de se envolverem nas atividades ligadas à nossa cultura e que mostravam capacidade e interesse em fazer parte e aprender.

Fiquei muito contente com o que ouvi, mesmo quando diziam que lhes davam poucas oportunidades. O pouco que ouvi… concordo com eles. Adorava ver mais juventude envolvida no setor clubístico da nossa comunidade. Não importa a região, mas deviam envolver-se mais, especialmente todos aqueles que querem seguir os passos dos seus familiares, com o intuito de aprenderem a etnografia das suas regiões, a realidade das coisas sem fugir à regra de como tudo se fazia para que, futuramente, possam dar continuidade. Seria muito bom que para se familiarizarem com aquilo que os avós e pais faziam no passado, se envolvessem como voluntários, mas nunca precisassem dos clubes para viver. Seria muito bom envolverem-se, mas manterem as tradições etnográficas, gastronómicas e artesanais, fazerem peças de teatro, e terem consciência que um rancho folclórico não é só dançar, ou tocar castanholas, etc. – há muito para se fazer. Era isso que adorava ver na juventude. O problema é que os próprios pais os influenciam e metem-lhes na cabeça que devem exigir algo em troca sempre que fazem algo em prol da casa. Que sempre que saem para uma atuação devem ser retribuídos ou privilegiados. Assim não se vai lá, e depois andam alguns a prometer passeios, (agora não se sabe se é para agradar aos jovens ou se é para benefício próprio). Mas pior é quando os próprios responsáveis empurram pela porta fora os que são generosos e têm conhecimento, porque esses colocam ideias para o futuro e têm visão. É triste porque esses são empurrados porque os de pedra e cal podem perder o lugar, por isso é que não convém que alguns jovens estejam envolvidos. Para certas pessoas, estarem rodeados de alguém com conhecimento é uma aflição. Ficam incomodados e é por isso que os jovens com competências lhes dizem “eu já volto” e nunca mais aparecem.

Meus amigos, isto não é uma crítica. Isto é aquilo que se vê atualmente e ninguém tem a coragem de dizer nada. Sabem porquê? Porque 75% das pessoas não sabe viver sem o clube/associação, não sabe associar-se a nada, nem com ninguém. Essas pessoas parecem formigas a querer voltar ao habitat. Será que não se deve desconfiar de algo? Na minha terra sempre que havia fumo havia fogo.

Em certos aspetos concordo com os jovens. Alguns envolvem-se para dar uns passeios, beber uns canecos e pouco mais, outros procuram e adoram aprender os usos e costumes dos seus pais. Só que em certas casas… pobres dos professores… Atenção, não têm culpa de não saber, mas podiam ser humildes, educados e não manipuladores. Só estão a estragar o futuro da nossa cultura. Assim os jovens não aprendem nada, e assim vamos nós andando com a nossa cultura deste lado do atlântico. Depois há pessoas que nem com um pé de cabra (arranca pregos), alguém os consegue arrancar de lá. Eles saem, mas ficam encostados ao tranqueiro da porta para entrar novamente. Alguns vão bater o recorde do Salazar. Sentem-se aflitos e com dor de cotovelo dos que sabem. Reparem que há certas pessoas que têm a coragem de se demitirem porque alguém lhes fez frente (qualitativamente) e lhes apontava os erros. Passado pouco tempo, voltaram ao tal habitat, voltaram para morar, povoar, porque há interesses pessoais.

Recentemente, vi e ouvi jovens com muitas capacidades. A esses eu digo – unam-se e não tenham medo de aprender para dar continuidade ao bom trabalho feito, mas procurem e juntem-se aos que sabem.

A juventude é o futuro, mas no que toca ao campo da cultura regional coloquem-se ao lado de quem os possa ensinar, porque ainda há muita gente com capacidade e força de vontade para lhes passar o testemunho.

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