Opinião

O regresso!…

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Créditos: DR

Final de férias para muitos, início ou continuação do ócio para outros! Neste agosto incaracterístico, em que dividimos a nossa disposição entre a necessidade de nos libertarmos episodicamente das nossas rotinas quotidianas e a triste realidade pandémica que nos aguarda no mundo real, acordamos agora sem a secreta esperança de ver desaparecer rapidamente este diabólico vírus que nos controla e condiciona a vida nos seus múltiplos aspetos.

O sonho de uma rápida solução para esta doença que atinge todos os seres humanos do nosso planeta está ainda longe de ser alcançado, independentemente da procura de uma vacina eficaz e, para todos aqueles que minimizam ou desmentem a perigosidade desta peste moderna, a realidade de cerca de 25 milhões de pessoas infetadas e a velocidade com caminhamos para cerca de um milhão de mortes, deveria deitar por terra todas as suas convicções, muitas delas alimentadas por objetivos perversos.

Sei que é doloroso voltar a falar deste tema, após um período de férias em que tentámos esquecer ilusoriamente a sua existência, mas ele é real, porque fatual, e ignorá-lo apenas aumenta a nossa insegurança.

Portugal, como a maior parte dos países e após um período de uma certa acalmia, tem mantido um ritmo crescente de casos infeciosos diários por Covid-19, situação a que uns chamam “segunda vaga” e que suscita uma muito maior preocupação com a proximidade do inverno e a acumulação com as inevitáveis gripes sazonais. Para além disso, todo o movimento dos cidadãos após férias, o regresso ao trabalho de muitos portugueses e o início das aulas das crianças e jovens, aumentam os fatores de risco

Nestas circunstâncias, o Governo português declarou que, a partir de 15 de setembro, o país vai entrar em “Estado de Contingência”, com um conjunto de mais medidas restritivas, que serão anunciadas no decorrer desta semana. Recorde-se que, de acordo com a lei que regulamenta a Proteção Civil portuguesa, existem varias circunstâncias reais que implicam diferentes formas de atuar e respetivas medidas restritivas: o “Estado de Calamidade”, que é o mais grave; o “Estado de Contingência”, que é um estado intermédio; o “Estado de Alerta”, que é o menos grave e que vigora atualmente na generalidade do país e o “Estado de Emergência” que é decretado pelo Presidente da República e aprovado pela Assembleia da República.

Entretanto, aqui em Portugal, tal como em outras partes do mundo, as medidas restritivas aplicadas aos cidadãos, enquanto proteção dos mesmos face à Covid-19, têm sido objeto de variadas contestações coletivas por parte de movimentos radicais de extrema-direita e seus congéneres, alimentados pelas posições de alguns destacados dirigentes políticos que banalizam os efeitos da Covid-19 (como o caso de Trump e Bolsonaro), cujo objetivo é enfraquecer os governos que tentam controlar os efeitos da pandemia e obter vantagens políticas e económicas de todo o género. No caso concreto de Portugal, embora a grande maioria da contestação seja consequência de pequenos grupos de jovens irresponsáveis e as suas festas coletivas, ignorando as medidas de segurança em vigor, o comportamento das forças políticas nacionais, face às medidas governamentais relativas à Covid-19, tem sido comedido, não obstante algumas “fricções” como aquela que ocupou os meios de comunicação social durante as férias, ou seja: a Festa do Avante, nos dias 4, 5 e 6 de setembro!

Toda a oposição se manifestou contra a realização da Festa do Avante, promovida pelo Partido Comunista Português, na medida em que ela iria colocar em causa as orientações da Direção Geral de Saúde (DGS) portuguesa, colocando em risco as inicialmente estimadas 33.000 pessoas previstas para o evento e desafiando todas as medidas que têm sido aplicadas para outros ajuntamentos. No final da troca de “pedradas” verbais, entre os dirigentes do PCP e de outros partidos políticos que o contestam, a DGS fez sair a sua decisão, reduzindo para metade o número de entradas, alargando os espaços entre a assistência, exigindo lugares sentados para assistir aos concertos, entre outras medidas. Tal circunstância acalmou alguns espíritos, embora não calasse a contestação do Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerando que estas exigências são manifestações “anticomunistas”.

Se bem que, segundo a DGS, esta Festa do Avante apresentava características muito difíceis de planificar, por ser uma manifestação política, associada a concertos musicais e restauração, ninguém ficou satisfeito (nem o próprio PR…) com a resposta tardia da DGS a poucos dias do evento e houve até quem se permitiu “supor”(…) que o Governo do PS estava a fazer um favor ao PCP para que ele decidisse aprovar o Orçamento Geral do Estado para 2021.

Ninguém sabe se o “velho” Jerónimo, que se tem mostrado muito “rabugento” com o PS nestes últimos tempos, vai alinhar na “maioria de esquerda” que lhe é proposta pelo primeiro-ministro António Costa. A primeira experiência não correu bem ao seu partido e não quererá deixar o seu cargo, em vésperas de eleições, como tendo sido o coveiro do mesmo. No entanto, em política!…

Também o divórcio anunciado entre o PS e o PSD não augura nenhuma “maioria do centro” para aprovar o OGE. No entanto, em política!…

Não havendo hipótese de “maioria de direita” (declarada…), com o desemprego a subir, o PIB a descer e as pessoas a adoecer, só nos resta “pedir” à Covid, autora desta desgraça que nos atingiu, que una as formações partidárias, em nome de um país que não aguenta ainda mais uma crise política!

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