Opinião

O “Baile de Máscaras”

Não, não vos vou falar sobre a “historieta” das máscaras de proteção individual contra a Covid-19, que as autoridades sanitárias portuguesas inicialmente consideraram desnecessárias, senão contraproducentes, e que agora as tornaram recomendáveis, para mais tarde poderem vir a considerá-las como obrigatórias. Essa crítica já antes a fizera, sustentando que a posição inicial do nosso Ministério da Saúde, face à evidência do benefício das máscaras protetoras, apenas podia residir no facto de não terem máscaras para todos os cidadãos.

Correlacionado com os nocivos efeitos desta “mentirinha pública”, que desacredita as próprias autoridades, lançando a dúvida sobre a verdade de tudo o que dizem e desorientando as populações em pânico, quero hoje falar-vos de outras máscaras que estão a afetar os cidadãos de todo o mundo, a propósito dos cuidados de saúde a ter para não deixar propagar este maldito vírus.

Falo-vos das “máscaras humanas”, aquelas de que alguns governantes mundiais utilizam, para iludir os seus povos a não seguir as regras do confinamento, escondendo intenções eleitorais pessoais e económicas, criando a confusão, a disputa e a mortandade entre os seus povos, para além das consequências nefastas sobre todos os outros.

São vários os casos a assinalar destas consequências e inconsequências de alguns líderes internacionais, através das suas propostas e declarações, sobre a forma de combater o flagelo desta epidemia. Recordarei alguns.

Na Grã-Bretanha, tal como noutros países como a Holanda e a Suécia (entre outros), o primeiro-ministro britânico Boris Johnson começou por manter toda a normalidade da sociedade em funcionamento, como a forma mais eficaz de combater a pandemia. Tratava-se de conseguir alcançar a imunidade de grupo, ou seja, gerir a propagação do vírus e não suprimindo o seu contágio. No entanto: logo que se começou a registar uma grande quantidade de britânicos falecidos e que, segundo um estudo do Imperial College, o vírus afetaria 81% desta população, com uma previsão de 250 mil mortos; desconhecendo-se grande parte das caraterísticas desta doença e, consequentemente, a vacina que pudesse imunizar os seus cidadãos, Boris veio a acatar o bom senso das medidas de confinamento, antes que o alastrar da epidemia “esmagasse” o serviço nacional de saúde do Reino Unido e os milhares de mortos previstos pusessem em causa a sua liderança. Entretanto e em consequência do atraso na implementação das medidas restritivas no país, não estando ainda livre e estabilizado na evolução da Covid-19, que atualmente contabiliza mais de 1.800 mortes, entre pessoas infetadas e uma média de cerca de 400 óbitos diários, a Covid-19 (como “castigo”…) acabou por afetar o seu próprio primeiro-ministro. Funestos resultados em nome de uma economia, que só pode funcionar com seres vivos e das pretensões de um líder a braços com as consequências dos seus múltiplos (…) atos.

Semelhante problema, senão ainda mais grave, tem sido a “mascarada” protagonizada pelo presidente dos EUA, o republicano Donald Trump que, com um discurso pendular, recheado com as suas habituais mentiras discursivas, acompanhadas por um oportunismo político pessoal, tem vociferado constantes hostilidades para com todos aqueles que se opõem à sua posição anti quarentena, incentivando rebeliões dos seus correligionários, contra todos os governadores democratas dos Estados da União que não respeitem a sua posição. Isto após ter tentado ingloriamente uma manobra política ditatorial, ao querer submeter todos os governadores do país e o próprio Congresso às suas decisões, enquanto Presidente dos EUA, tal qual um verdadeiro monarca! Num país devastado por esta pandemia, que já é o mais atingido do mundo e em que a Covid-19 está prestes a tornar-se a maior causa de morte entre os norte-americanos, contabilizando mais de 40 mil mortos, mais de 700.000 mil infetados e registando na quarta-feira (23), segundo dados públicos, cerca de 3.856 óbitos, o seu mais importante representante continua a privilegiar o abandono de medidas que possam travar o desenvolvimento desta pandemia, a culpar tudo e todos pela situação que ele próprio tem sustentado e tentando criar um caos social nos Estados que não votaram nele. Sinceramente que não sei como isto vai acabar, tal como não sabia que futuro iriam ter os EUA e o resto do mundo, muito antes desta pandemia se instalar, mas receio muito do que possa “desabrochar” daquela máscara de bom samaritano, acirrado contra o rival chinês, que não gosta de perder nos seus negócios, nem nas eleições presidenciais previstas para o próximo dia 3 de novembro.

Gostaria ainda de citar o Brasil e o seu “ilustre” dirigente, Jair Bolsonaro, enquanto o “rei do carnaval brasileiro”, marioneta ignorante do seu vizinho Trump, para quem esta “gripezinha” da Covid-19 e a quarentena nacional promovida pelo seu anterior ministro da Saúde (demitido por “bom comportamento” na defesa da saúde), não passa de uma desculpa para os “preguiçosos” dos brasileiros que não querem trabalhar. Mas, com mais de 2.500 mortos e 40.000 infetados da Covid-19 e números que continuamente crescem nas grandes cidades, a uma percentagem diária de 150%, a minha falta de espaço e o respeito pelas atuais e futuras vítimas brasileiras, não me permite gracejar sobre a mascarada governativa deste personagem, assumidamente bafejada por Deus, na sua “cruzada” contra os governadores de vários estados brasileiros que impuseram a quarentena.

No meio disto tudo, há no entanto, uma virtude em toda esta parafrenia de declarações sobre o combate a esta pandemia, destes dirigentes nacionais e de outros que não citei: desmascaram-se!…

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