Opinião

Notas soltas em revista

Numa semana em que os acontecimentos mundiais não a marcaram por algo excecional, além dos resquícios consequentes de problemas anteriores, salvo alguns casos que nos afetam a moral e os sentimentos quotidianos, resta-me fazer um périplo pelo desenvolvimento de algumas informações de Portugal e do mundo que, pelo interesse geral que ocasionam, justificam umas linhas críticas.

No nosso “cantinho” português foi notícia a aprovação do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2020 que, após muitas “ameaças” de chumbo na generalidade, passou à discussão na especialidade, com a abstenção previsível do Bloco de Esquerda e do PCP e com os votos contra do CDS (que ninguém sabe agora o que é…) e a estrondosa oposição do PSD (que ninguém sabe ainda o que vai ser…).

Na disputa pela liderança do PSD, os militantes deste partido não conseguiram dar a vitória absoluta a Rui Rio na primeira votação interna de sábado passado (11), pelo que vai realizar-se uma segunda volta eleitoral entre os dois candidatos mais votados, ou seja, Rui Rio e Luís Montenegro. O primeiro, Rui Rio, que encabeça uma ideologia de raiz social-democrata, apostada no centro político, que se aproxima da mesma linha da social-democracia do PS e cujo OGE poderia ter sido o seu próprio Orçamento, apenas votou contra por razões internas do seu partido, ficando em primeiro lugar. O segundo, Luís Montenegro, mais liberal e à direita de Rio que, numa clara demonstração de oposição ao PS, afirmou claramente estar contra o OGE mesmo sem o conhecer, para marcar a diferença com o seu opositor em período eleitoral, ficou em segundo.

No próximo sábado (18) – segunda volta eleitoral -, saber-se-á quem vai ser o próximo líder do PSD e dar descanso a esta crise interna do maior partido da oposição que, se os resultados forem muito aproximados entre os dois candidatos e reconhecendo a proximidade do Congresso deste partido (Fevereiro de 2020) e o seu histórico,… a “guerra” entre as personalidades em disputa poderá não ficar agora concluída!…

Por cá, ainda uma notícia de última hora. O Tribunal Constitucional não deu razão a um dos muitos recursos de Ricardo Salgado, antigo presidente do BES (o ex-DDT, Dono Disto Tudo, lembram-se?) e obrigou-o definitivamente a pagar uma coima de 3,7 milhões de euros, relativos à falsificação das contas da ESI (Espírito Santo Internacional), empresa financeira sediada no Luxemburgo, mas cujas contas eram viciadas na Suíça. Falta o julgamento de outros processos pendentes que tanto prejudicaram os seus depositantes e continuam a prejudicar todos os portugueses.

Por falar em prejuízos, dá-me ocasião de referir que o Brexit do Reino Unido já lhe causou 151 mil milhões de euros de perdas e, segundo a Bloomberg, ainda lhe vai causar mais cerca de 82 mil milhões até ao fim do ano, diminuindo a economia britânica a valores que não teriam acontecido se se mantivesse na União Europeia.

Mas nem só a economia e os futuros e imprevisíveis resultados do Brexit preocupam os britânicos, também os “dramas” da Coroa, com o afastamento principesco de Harry e Meghan da família real, a que já foi dado um título (o Megxit) e o histórico de escândalos, de divórcios e traições palacianas da corte, começam a levantar muitas interrogações aos seus cidadãos sobre as “rendas” pagas a esta elite que desafia as regras do seu esperado comportamento público!

A propósito de escândalos e em mais um episódio de “a guerra segue dentro de momentos”, o secretário de Defesa dos EUA veio agora declarar que não viu nenhuma prova concreta de que o general iraniano Qasem Soleimani, morto por ordem do presidente norte-americano, estivesse a planear ataques contra embaixadas americanas!…

De facto, Donald Trump, para justificar o seu ato, começou por dizer que o general iraniano planeava ataques indefinidos contra alvos americanos. Mais tarde afirmou que o alvo era a embaixada dos EUA em Bagdad. Depois afirmou que, além da sua embaixada, o agora defunto general pretendia atacar outras missões diplomáticas. Mais recentemente e após as últimas declarações do chefe do Pentágono, “embrulhou-se” em justificações afirmando que a especificação dos alvos não era importante, que era tudo uma manobra mediática dos democratas americanos. De Trump espera-se tudo, até que um dia faça uma inadvertida declaração de guerra e o mundo acarrete as consequências!

Em guerra pensavam que estavam os “guardas da revolução” do exército iraniano quando, por engano, lançaram um míssil contra um avião comercial da Ukraine International Airlines, matando 176 pessoas, entre uma maioria de iranianos e canadianos. E em guerra de palavras e atos estão todos os países e parte do povo iraniano, contra os responsáveis do regime iraniano que tentaram esconder a responsabilidade do seu exército neste massacre de civis.

Se bem que os responsáveis máximos do Irão já tenham assumido o pesar por esse desastre e a inculpação dos seus responsáveis diretos, este acontecimento fez-me recordar o avião da Malaysia Airlines que, em 2014, em pleno conflito da anexação da Crimeia pela Rússia, foi abatido na Ucrânia causando a morte a 298 pessoas sem que, neste caso, a Rússia ou os rebeldes pró-russos assumissem a responsabilidade do ato.

Enfim, uns e outros, em diferentes circunstâncias, mas por razões políticas semelhantes, dão veracidade a uma afirmação de George Orwell, inserta no seu livro “Politics and the English Language”, de 1954, quando afirmava: “A linguagem política, destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez“

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