Opinião

“Não podes servir a Deus e ao dinheiro”

A religião existe desde que existe o homem, porque um não tem lugar no mundo sem o outro. Seja o Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo ou qualquer outra religião, todas servem o mesmo propósito: explicar a origem da vida e do Universo, fazer-nos entender o nosso propósito. E a religião está em todo o lado, invade a sociedade seja através de símbolos, orações ou com as imposições que coloca ao estilo de vida dos seus crentes.

Da mesma forma que a constituição de uma sociedade serve a necessidade inerente do Homem viver em grupo, a religião preenche o nosso vazio emocional. É preciso acreditar que existe uma força maior que nos orienta, que nos ajuda e que se seguirmos os seus ensinamentos nos garante paz espiritual. Como iríamos gerir a nossa vida se não houvesse propósito, se as coisas não acontecessem com algum motivo e se não houvesse um plano maior?

Se há coisa que todos os seres humanos têm em comum é que precisamos de um sistema de apoio e quando não o temos de quem está à nossa volta, procuramos de “quem está acima de nós”. A religião é isso mesmo, um conforto emocional que nos ajuda a enfrentar os nossos medos, a nossa insignificância, a nossa impotência e a nossa finitude.

O perigo da religião é ser dirigida por Homens que, como tantos outros, sofrem dos males da humanidade. Assim algo que deveria curar e realçar o melhor da humanidade, faz o oposto, envenena-a por dentro. A Igreja Católica e a religião em geral, são dos negócios mais antigos e lucrativos do mundo.

Em Portugal, 97% das pessoas são católicas, ainda que nem todos por fé, mas também por tradição. O direito que aIgreja tem à confidencialidade eclesiástica dificulta o conhecimento dos lucros da Igreja, ainda mais porque diferentes dioceses têm diferentes líderes, diferentes despesas e diferentes receitas. Em 2015, os donativos dos peregrinos ao Santuário de Fátima somaram mais de nove milhões de euros. Sendo este o principal ponto de turismo religioso em Portugal, em 2015 a Região Centro arrecadou cerca de 150 milhões de euros. O Evangelho segundo São Lucas afirma que “Não podes servir a Deus e ao dinheiro”, Jesus apelava a que se vendesse o que se tinha e se desse o dinheiro aos pobres.
Olhando para a Igreja e para religião em geral, vemos o ouro a cobrir anos de mentiras e abusos. E a ajuda aos pobres? Existe, mas, na minha opinião, muito pouco. E os crentes seguem, desviam o olhar da corrupção, dos abusos sexuais, da manipulação e focam a sua atenção nos ensinamentos da Bíblia, mesmo que não estejam a ser seguidos. Porque pior do que perceber que a Igreja não tem uma moralidade superior a qualquer outra coisa é perceber que a religião não nos salva.

E por vezes, enquanto se procura a cura para a nossa alma, acabamos por servir de instrumento a outros seres, um meio para um certo fim, com a finalidade de enriquecer ou apenas pela sede de poder e estatuto. O perigo da religião é deixar-nos levar, é acreditar cegamente de que estes são seres mais iluminados que nós próprios.

E fé, seja qual for a religião que escolhemos ou até mesmo nenhuma, precisamos sempre dela, mas que acima de tudo, seja fé em nós próprios.

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