Opinião

Não foi a primeira vez que aconteceu e… será que a história do que aconteceu em Guimarães está bem contada?

Usamos muitas expressões que se podem considerar racistas. São usadas sem ofensa e que todos usam muitas vezes.

Marega

Quantas vezes se utiliza expressões como “mulata” ou “a coisa está preta” e são tão naturais que saem sem ofensa, mas hoje em dia todo o cuidado é pouco. Não sou racista e o racismo aplica-se a, muita coisa não só à cor da pele do cidadão. “Mulata”, segundo Chrystal Méndez, era e é utilizado na língua espanhola, aplicava-se ao filhote macho do cruzamento de cavalo com jumenta ou de jumento com égua. Hoje, para muitos, pode ser uma ofensa chamar mulata a um/a cidadão/a de cor mais clara, resultante de um cruzamento entre um branco com alguém de cor preta. Nunca se deve chamar alguém de preto/a nem mulato/a. Faz parte do saber respeitar as etnias que nos rodeiam, especialmente hoje que as fronteiras estão abertas como nunca e há muitas mais hipótese de haver cruzamentos. Todos devem olhar para o passado, olharem-se ao espelho e perguntar/refletir de onde vieram, porque o racismo pode ter muitas interpretações ofensivas, mesmo quando as cores de pele são iguais. Outra expressão que se utiliza sem ofensa e muitas vezes é utilizada: “A coisa está preta” – pode ser uma situação desconfortável, desagradável, difícil, perigosa para quem a usa e mesmo mal entendida por aqueles a quem a expressão é dirigida. A palavra preta, no contexto de “a coisa está preta”, pode ser compreendida/recebida como algo ruim. Representa uma tarefa mal feita ou realizada de forma errada. Para muitos é aplicada como uma frase racista que identificam como trabalho realizado pelo negro. São muitas, diz Chrystal Méndez, as expressões utilizadas com naturalidade e que muita gente não percebe o que de negativo têm para o cidadão de cor negra. Todas tem um passado muito negativo. Foram mais de 300 anos de passado esclavagista que não se apagam facilmente. Por exemplo – coisa simples e que afeta milhões e é usada sem ofensa nenhuma -, a expressão “meia tigela” era usada quando os cidadãos de cor negra trabalhavam à força nas minas de ouro e nem sempre conseguiam alcançar as metas que lhes eram exigidas e, quando isso acontecia, os pobres (os considerados negros), eram punidos com apenas metade da tigela de comida – o que, naturalmente, era errado. E assim ganhavam o apelido de meia tigela.

Hoje para muitos não tem significado nenhum, nem os ofende, nem tem valor, mas são coisas como estas que exigem muito cuidado.

O que aconteceu em Guimarães não tem perdão. Cânticos direcionados a um profissional, de um nível muito baixo e de verdadeiro racismo são imperdoáveis. Os adeptos que os utilizaram devem ter-se sentido mal ao ver o que aconteceu. No fundo, não vão ser punidos porque a justiça está como todos sabem, o que pode acontecer é uma punição ao clube que, no meu ponto de vista, não têm culpa.

Agora pergunto: isto aconteceu pela primeira vez? O que foi feito no passado? Será que alguém me pode responder?

Seria bom todo o cidadão saber, procurar informações para entender a realidade e a história de etnias diferentes da nossa. Pesquisar as histórias de culturas e povos. Seria bom todo o cidadão saber ajudar o próximo para que eles/as saibam que não estão sozinhas, saber conversar sem dar piadas porque racismo é crime e não uma piada. Seria bom todo o cidadão saber criar laços de solidariedade antirracista, saber conversar com pessoas de outras etnias para entender como o racismo acontece na vida de cada um. Seria bom todo o cidadão saber incentivar outros a serem antirracistas. Não devemos ter vergonha ou medo de falar sobre racismo com os outros.

Se é contra o racismo nunca pare de lutar até que todas as etnias estejam abertas ao diálogo e dispostas a acabar com ele.

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