Luís Barreira

Vacinas contra a Covid19. Respostas e dúvidas!…

Vacinas contra a Covid19-europa-mileniostadium
Foto: DR

 

À medida que crescem as inquietações mundiais sobre o rápido desenvolvimento das infeções e óbitos provocados pela Covid-19, atingindo enormes sobressaltos económicos nas diversas economias nacionais, na capacidade de defesa dos diversos sistemas de saúde pública e no controlo das contestações sociais, o mundo é invadido pela publicitação de dezenas de vacinas capazes de suster a pandemia que não para de nos afetar.

Se bem que, segundo dizem, umas estão já em fase final dos testes que lhes possibilitarão a acreditação junto das instâncias sanitárias responsáveis pela sua aceitação, outras aceleram todos os processos que as possam conduzir a tal objetivo, evidenciando as possíveis vantagens sobre as primeiras.

Assistimos assim a uma “corrida” entre laboratórios e indústrias farmacêuticas que, para além da previsão dos enormes lucros que possam proporcionar aos seus detentores, são alvo de uma enorme expetativa da população mundial, enquanto “milagre” que as possa salvar desta difícil situação em que nos encontramos.

A celeridade com que as informações disponíveis sobre os resultados destas vacinas têm sido divulgadas nestas últimas semanas (algumas das quais estariam disponíveis até ao fim de 2020), pode levar-nos a pensar que tudo isto apenas se destina a aliviar a nossa atual preocupação com a evolução da doença e a minimizar as contestações às limitações que nos têm sido impostas, considerando que as vacinas, na melhor das hipóteses, apenas estarão disponíveis com segurança no segundo semestre de 2021. No entanto, acreditando que o desenvolvimento das novas técnicas, no domínio da biotecnologia, têm permitido acelerar os processos de criação de novas vacinas em meses, situação que antes durava anos, a população mundial e os seus responsáveis sanitários, em face da urgência da situação, poderão vir a aceitar a solução que vier a ser proposta a mais breve prazo. Mas, porque o acesso à saúde é defendido como um bem individual e coletivo, a população vai começar a interrogar os seus decisores e nomeadamente os responsáveis pela saúde pública, sobre outros aspetos relacionados com esta matéria, tais como o preço, acessibilidade das vacinas que vierem a ser adotadas e a sua verdadeira eficácia.

Em causa estão milhões de pessoas, de diferentes estratos económicos e coabitando distintos lugares do planeta, que devem merecer igual tratamento, sob pena de o não terem, serem objeto de uma injusta segregação e manterem focos de infeção que, tarde ou cedo, manterão o vírus ativo e a sua possibilidade de propagação.

Que critérios de custos da vacinação vão ser implementados e quem vai suportá-los, tendo em consideração a multiplicidade das situações humanas antes evocadas?

Que plano logístico de distribuição e vacinação pode ser assegurado, no enorme contexto de situações, onde se releva a tomada de vacinas em várias doses e a sua preservação em muito baixas temperaturas, reconhecendo que tal projeto implica imenso tempo de preparação, meios humanos, materiais e económicos, além de sinergias de todo o tipo, para se conseguir assegurar um razoável resultado?

Por outro lado, se bem que os promotores das dezenas de vacinas em preparação, entre as quais (por facilidade de identificação) a Oxford e da farmacêutica AstraZeneca, a Sinopharm, a Moderna, a Pfizer e BioNTech, a Sputnik, a Johnson & Johnson, a CureVAC, entre outras, de origem britânica, norte-americana, russa ou chinesa, se esforcem por demonstrar a eficácia das suas diferentes vacinas (ao nível da sua superioridade decimal face à concorrência), o cidadão comum tem o direito de conhecer as particularidades funcionais de cada uma, nomeadamente quando todo este processo sobre a Covid-19 foi envolto numa enorme ignorância da comunidade científica e quando algumas vozes responsáveis aconselham tornar a futura vacina obrigatória.

Perante esta diversidade de vacinas, nos processos biotécnicos que conduziram à sua criação e nas suas características particulares, impõe-se saber qual o tipo de imunidade que produzem e a temporalidade dos seus efeitos imunológicos, assim como se elas oferecem a possibilidade de se atingir uma imunidade coletiva ou se são apenas uma proteção individual para pessoas consideradas de risco.

Enfim, um conjunto de perguntas legitimadas pelos direitos dos cidadãos ao conhecimento das drogas que irão ingerir e dos seus efeitos nas características sanitárias individuais de cada um, num contexto de vários milhões de outros, com os quais estamos em permanente interação.

Não sei se todas as perguntas merecerão uma resposta assertiva e convincente, nem se obteremos o “milagre” da cura contra este maldito vírus agora ou mais tarde. Até que me convençam, continuarei a lavar as mãos frequentemente, a evitar frequentar aglomerações e a usar máscara protetora. Estes são alguns dos paliativos que, até agora…, conservam a lucidez que me permite interrogar o presente e a expetativa de um futuro melhor para todos os seres humanos.

 

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