Luís Barreira

Portugal confinado!

Opinião

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Crédito: DR.

Quando no fim do ano passado e na esperança de que o novo ano se declarasse melhor que o anterior, muita gente evocava que “já se via a luz ao fundo do túnel”. Tive ocasião de avisar se essa luz não seria a de um comboio de problemas que vinha em sentido contrário?! Não sendo nenhum depositário de premonições; crendices populares ou um pessimista por natureza, apoiei nessa altura essa afirmação com base nas perspetivas científicas do desenvolvimento da Covid-19 em Portugal, nos relatos existentes sobre uma nova estirpe mais infeciosa desse vírus e no comportamento relaxado, de muita da nossa população, face a esta pandemia.

Pois bem, janeiro está aí e é o que se vê! 

No primeiro mês de 2021, morreram 5.576 portugueses devido à Covid-19, numa média de 179,9 óbitos por dia, correspondendo a que em cada sete dias morreu uma pessoa por Covid, em cada cinco minutos. O passado mês foi, até agora e como se previa, o pior mês desta pandemia no país, atingindo 45% do total de óbitos, 43% de infeções e registando um aumento de 136% de internados e 78% de pessoas nos cuidados intensivos.

Segundo a Direção Geral de Saúde, só no passado domingo (31), houve 303 mortos (o número mais alto que atingimos) e 9.498 casos de infeção e, numa perspetiva mais geral desde o início desta pandemia, o país já viu falecer 12.482 cidadãos, 720.516 casos de infeção e mantém cerca de 181.623 casos ativos.

Perante o desespero dos nossos profissionais de saúde, a braços com falta de camas nos hospitais, filas de ambulâncias à porta dos mesmos sem possibilidades de deixar os seus doentes e falta de recursos humanos para o seu acompanhamento, o Governo decretou mais um conjunto de medidas restritivas adicionais, como o fecho das nossas fronteiras terrestres e aéreas, a pessoas sem justificação adequada ao momento, o ensino passa a ser virtual, maior fiscalização e pesadas multas para quem não obedeça às regras particulares instituídas e, entre outras disposições domésticas, prepara-se para aceitar a ajuda oferecida por alguns países europeus (Espanha, Áustria, Alemanha), em material clínico, profissionais de saúde e acolhimento dos nossos doentes nos seus hospitais.

Apesar disso, um recente inquérito à nossa população (não confirmado) disse-nos que, neste momento, há menos pessoas a cumprir as medidas impostas pelo executivo o que, a confirmar-se, leva a questionar-me se as forças policiais não terão de andar de bastão na mão, para dissuadir alguns bandos de energúmenos que continuam a desafiar as regras estabelecidas e a vida de todos os portugueses.

Nesta fase difícil em que nos encontramos, com o Governo português a tentar agradar a “gregos e troianos”, agilizando as sobrecarregadas estruturas do nosso Serviço Nacional de Saúde (sem conseguir conter as críticas dos seus profissionais), com sucessivos subsídios a quem está a ser prejudicado (patrões e empregados) com as medidas adotadas (que não agradam a uns e a outros) e a dívida pública a resvalar para mais de 270 mil milhões de euros, interrogamo-nos sobre qual vai ser o esforço que vai ser pedido a todos para “endireitar” a economia nacional, depois de estarmos curados (??) deste maldito vírus que nos inferniza a vida.

Com as atenções viradas agora para a vacinação das populações, somos “metralhados” diariamente, através dos órgãos de informação nacionais, sobre os “alegados” atrasos dos fabricantes na distribuição das suas vacinas, fazendo perigar os planos de vacinação europeus, entre os quais o português (embora a nossa DGS afirme que, por enquanto…, está cumprir o seu plano), levando as autoridades europeias a suspeitar do açambarcamento de alguns países, em desfavor de outros, neste negócio que envolve muitos milhões para as farmacêuticas, sejam elas a Pfizer, Moderna, AstraZeneca, BioNTech, CureVac, etc. Ao mesmo tempo que os países menos afortunados se queixam de não ter recursos económicos suficientes para comprar as ditas vacinas, criando uma situação económica e social explosiva que, inevitavelmente, afetará também os países economicamente mais desenvolvidos, mesmos que estes consigam atingir a imunidade de grupo.

A propósito da tão desejada imunidade ao vírus, também no nosso “quintal” europeu houve igualmente alguns poucos abusos de uns espertos, (sempre disponíveis para furar os esquemas convencionados), fazendo-se vacinar sem estarem nos grupos prioritários, como foi o caso, entre nove outros, da Diretora do Centro Distrital de Setúbal da Segurança Social (prontamente demitida) ou uma outra protagonizada por um responsável do INEM que, após vacinar o seu pessoal e porque lhe sobraram várias vacinas, desceu a escada e mandou vacinar os 11 funcionários da pastelaria do lado, que também não estavam no lote dos prioritários (espero que não tenha sido uma troca por pasteis de nata…).

Reconhecendo que as vacinas são um bem escasso e que toda a gente anseia ser vacinada, mas que tem de esperar pela sua vez no plano nacional de vacinação, estas situações, embora pontuais, desencadearam um clamor de protestos públicos e políticos contra a ausência de controlo por parte do Governo, que também não ficou isento de críticas por decretar a vacinação exagerada de muitas centenas de políticos, quando faltam vacinar ainda muitos profissionais de saúde, bombeiros, pessoas dos lares e outros profissionais com ocupações na chamada linha da frente de contacto com eventuais infetados.

Estamos num dos piores momentos desta pandemia que não desarma facilmente e a população está sensível. O que se pede a este ou a qualquer outro Governo que estivesse no seu lugar, é uma atuação firme e atenta ao cumprimento das suas determinações, sem descurar a preparação atempada para os previsíveis obstáculos que teremos de enfrentar. Há um ano atrás ninguém sabia nada sobre este vírus e as suas pesadas consequências, mas hoje já sabemos o suficiente para não voltar a cometer os mesmos erros do passado recente.

Na generalidade, não sairemos mais ricos desta embrulhada, mas queremos sair vivos!

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