Luís Barreira

Enfim… lendo noticias com um café na esplanada!

Sob um sol primaveril consegui finalmente beber um café (em chávena…) na esplanada de um café do meu bairro e, enquanto lia as atualidades nacionais, experimentei a estranha sensação de quanto é agradável satisfazer um pequeno desejo como este.

Tal como eu, presumo que muitos milhares de portugueses tiveram o mesmo prazer, concedido pela entrada em vigor, nesta última segunda-feira (5), da segunda fase do nosso desconfinamento.

Depois de 80 dias de reclusão quase absoluta de todos aqueles que respeitaram as limitações impostas, o país começa a restabelecer uma grande parte das liberdades trancadas desde 15 de janeiro por ordem da Covid, garantidas pela melhoria da situação epidemiológica em Portugal.

Enfim… lendo noticias com um café-portugal-mileniostadium
Créditos: DR.

Assim: meio milhão de alunos do 2° e 3° ciclo encaminharam-se para as aulas presenciais de lancheira na mão; os amantes do físico faziam fila à porta dos ginásios ou invadiram os jardins; os surfistas correram para as praias com a prancha debaixo do braço; os museus abriram as portas à cultura; os espaços comerciais com menos de 200 m2 escancararam as portas aos clientes e as esplanadas (ahh… as explanadas) adornadas de chapéus de sol e ementas convidativas “explanaram-se” aos transeuntes ansiosos de “explanar”!

Foi assim, entre outras situações que passaram a ser permitidas, esta segunda-feira de desconfinamento a “conta-gotas”, na expectativa de que estas portas agora entreabertas não nos sejam bruscamente fechadas pela insensatez daqueles que não respeitam a sua saúde e muito menos a do próximo, pondo em risco podermos atingir a terceira fase deste desconfinamento, prevista para 1 de junho.

Embora a situação pandémica pareça estar minimamente controlada no todo nacional, há no entanto alguns sinais preocupantes que não nos permitem baixar a guarda. O país está com 26 concelhos em estado de alerta, onde existem mais de 120 novos casos de infeções por 100 mil habitantes e a região do Algarve e algumas zonas do Alentejo são as mais expostas. No mesmo sentido negativo, o Rt (índice de transmissibilidade) que não tem parado de subir, embora lentamente, já atingiu o fator 1 no continente (considerado de risco) e 0,98 a nível nacional (continente e ilhas), o que está a fazer acelerar as vacinações, os testes e o controlo dos infetados, como medida capaz de evitar o crescimento dos fatores negativos.

Cautelosamente e entre outras medidas restritivas, o Governo mantém o controlo de fronteiras, a proibição de ajuntamentos sociais, culturais e outros que não respeitem as medidas sanitárias em vigor e o uso obrigatório de máscaras na rua.

O que se passa em muitos países do mundo e nomeadamente na Europa, com o aumento exponencial de casos Covid de diferentes estirpes e a nossa própria e péssima experiência do Natal e Fim de Ano passados, assusta-nos e faz-nos temer estar a viajar em contraciclo com os outros, como é o nosso atual caso. Queremos continuar a desconfinar, mas não conseguimos deixar de desconfiar!

Com a proximidade das eleições autárquicas nacionais de 2021, todos os partidos políticos portugueses, à exceção do Partido Socialista que nos governa, afinam as suas estratégias de oposição ao Governo, criando as inevitáveis obstruções à sua ação, casos e “casinhos” que o coloquem em causa perante a opinião pública ou mesmo tentando criar fraturas no entendimento entra o primeiro-ministro e o Presidente da República, entendimento esse que tem persistido ao longo do mandato deste último e que é visto pela oposição como uma aliança que é necessário quebrar para “enfraquecer o inimigo”!

Embora já vos tivesse informado sobre este caso (agora em resolução pelo Tribunal Constitucional) não o vou comentar por agora e deixarei para mais tarde este assunto das naturais disputas entre o Governo e as oposições. No entanto e em consequência do aumento do tom crítico das várias oposições parlamentares, onde se destacam os partidos considerados à direita do PS, algo me surpreendeu nestes últimos dias!

Uma sondagem de opinião, realizada pela Aximage/DN/JN/TSF e divulgada há dias, diz-nos que: o PS está quase a atingir o seu máximo, obtendo 39,7% das intenções de voto; o PSD afunda-se com 23,6%; o BE 8,6%; a CDU 6%; o Chega 8,5%; a Iniciativa Liberal 4,8% ; o CDS quase que desaparece com 1,1% e o PAN 3,2%.

Apesar da oposição ao Governo feita por todos os partidos e de este ter enfrentado os dissabores do pico da pandemia em janeiro último, o PS obteve mais 16 pontos do que o PSD e vale mais do que toda a direita parlamentar. Além de que, pela mesma sondagem, o primeiro-ministro António Costa continua a ser o líder partidário mais popular, com 60% das avaliações positivas.

Bem sei que as sondagens valem o que valem e o tira-teimas são as eleições. No entanto as sondagens são intenções expressas pelos portugueses neste momento, sendo um barómetro que deve ser tido em conta pelos agentes políticos partidários, enquanto base de análise para alterar ou reforçar as suas estratégias. Quem não considera os dados das sondagens, porque os resultados não lhe são favoráveis arrisca-se!…

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