Luís Barreira

Desconfinamento “ao postigo”!

Que saudades eu já tinha de beber o meu café desconfinado (não confundir com descafeinado…). Foram muitos anos habituado a beber a minha “bica” (ou “cimbalino”), para agora estar meses sem poder degustar uma das minhas bebidas favoritas num dos cafés do bairro. No entanto, ainda não tem o sabor de outrora! O copo agora é em plástico e em “route”, sem poder estacionar sentado a apreciar o sabor inigualável desta bebida tão antiga, surgida no século XV em Constantinopla e expandida para todo o mundo, com a ajuda dos nossos Descobrimentos.

Desconfinamento ao postigo-portugal-mileniostadium
Créditos: Georgy Trofimov

Esta é a fase em que nos encontramos após ter sido decretado, na última segunda-feira (15), o desconfinamento aos “soluços” em Portugal (ou a “conta gotas”, como afirma o nosso primeiro-ministro), ou seja, “ao postigo”! E digo “ao postigo” porque o nosso desconfinamento atual se pode assemelhar a uma pequena fresta que se abre (ou fecha) progressivamente, até atingirmos gradualmente o estatuto de desconfinamento total, se o “diabo” o permitir!…E esse “diabo” somos nós e o nosso comportamento, se não soubermos preservar as indispensáveis normas de segurança individual e coletiva durante, pelo menos, este período, o atual plano de desconfinamento fará marcha atrás.

Assim, com todo o otimismo de quem quer sair desta involuntária prisão e das consequências económicas e sociais que este prolongado confinamento originou, os portugueses vão tentar respeitar quatro datas que correspondem a diferentes períodos da progressiva liberdade que o governo decretou. São elas as aberturas faseadas de: 15 de março, período a partir do qual se iniciam as aulas presenciais para o 1° ciclo, abertura do comércio local de bens para venda “ao postigo” e abertura de cabeleireiros, livrarias, barbeiros e similares; o 5 de abril, para os do 2° e 3° ciclo; museus, monumentos, galerias de arte e similares, lojas até 200m2 com porta para a rua, feiras e mercados não alimentares, esplanadas (máximo quatro pessoas por mesa), desporto de baixo risco (??) e atividades físicas ao ar livre, assim como os ginásios sem aulas de grupo; 19 de abril, para o ensino secundário e superior, cinemas, teatros, auditórios, salas de espetáculos, lojas do cidadão (por marcação), restaurantes, cafés, pastelarias até às 22h e 13h, ao fim de semana e feriados, todas as lojas e centros comerciais, modalidades desportivas de médio risco (??), atividades físicas ao ar livre, ginásios sem aulas de grupo, eventos exteriores com diminuição de lotação e casamentos e batizados com 25% de lotação e, finalmente, quase a liberdade total a 3 de maio, com restaurantes, cafés, e pastelarias (máximo seis pessoas ou 10 em esplanadas) sem limitação de horários, todas as modalidades desportivas, atividades físicas e ginásios, grandes eventos exteriores e interiores com limitações de lotação e casamentos e batizados com 50% de lotação.

Se nos portarmos bem (…) é este o arrojado e explícito plano do nosso desconfinamento para as próximas semanas, pese embora existam ainda 69 concelhos a pisar a linha vermelha com mais de 120 novos casos por 100 mil habitantes e termos a noção que, embora continuemos a evoluir positivamente em Portugal, na luta contra as consequências da Covid-19 e suas variantes, estamos em contraciclo com o que se passa em vários países da União Europeia, que têm começado a endurecer as suas medidas antivírus. Por isso alguns dirão que é natural. Andamos sempre em contraciclo com a Europa, no que diz respeito às crises, sejam estas sanitárias, económicas ou financeiras, no entanto eu prefiro acreditar (resistindo às dúvidas…) que, neste caso e tratando-se de contágios, pode ser que beneficiemos de nos encontramos no cu da Europa!

À nossa escala até fomos capazes de eleger o primeiro território europeu a atingir a imunidade de grupo, na Ilha do Corvo dos Açores!…Não sorriam! Bem sei que só tem cerca de 400 habitantes, um centro de saúde, um médico e dois enfermeiros num sopé de um vulcão extinto, mas vale o exemplo deste “Portugal dos pequeninos”. Já nem falo das Ilhas Selvagens onde as “simpáticas” cagarras (tão elogiadas pelo antigo Presidente da República atualmente “desamordaçado”, Cavaco Silva) desfrutam de toda a liberdade!!…

Embora se deva muito à vacinação que está em marcha, há um caso que está neste momento a fazer correr muita tinta e comentários mediáticos. Trata-se do facto de a vacina contra a Covid-19, da AstraZeneca, ter provocado coágulos sanguíneos perigosos em várias pessoas, o que levou já 13 países europeus, entre os quais Portugal, a suspender a sua utilização até ser apurada a causa-efeito desta vacina nos casos detetados.

Sendo que já cerca de 17 milhões de pessoas foram vacinadas com esta vacina e que os casos mundialmente detetados com o aparecimento de coágulos foram 30 (uma percentagem de 0,0000…), se eu tiver em consideração que esta farmacêutica tem provocado imensos atrasos na entrega contratual das vacinas à União Europeia, para além de todo o tipo de reclamações e litígios que tem sofrido por essa razão e reconhecendo a quantidade de tantas outras vacinas contra a Covid que têm aparecido no mercado, se eu fosse um adepto das teorias da conspiração diria que esta farmacêutica está a ser alvo de um “golpe” para ser afastada deste negócio milionário. Como não sou, prefiro aguardar o resultado das investigações à vacina da AstraZeneca antes de tirar conclusões precipitadas, embora esteja consciente de que tais notícias causam pânico nas pessoas que já foram vacinadas com esta vacina e nas outras que vão ser convidadas a fazê-lo, ou seja, o medo está lançado!…

Voltarei para a semana na perspetiva de que continuemos desconfinados ou se fechámos o “postigo’!

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