Opinião

“FODA À MODA DE MONÇÃO” que quase se transforma em Foda e Meia, deu para comer e repartir

Mais uma iniciativa da ACMT

Decorreu sábado, dia 21 de setembro de 2019, pelas 19:00 horas, na própria sede, com uma adesão reduzida como opção da direção – assim foram informados os convivas, mas na realidade andaram a pedir pelas portas para conseguir 90 comensais. Gente de garra, sim! Segundo informação prestada publicamente durante a altura do repasto por sua excelência Sr. Presidente, um grupo de Monçanenses aproximou-se da ACMT para que este evento se pudesse tornar uma realidade. Como o presidente desta associação disse e bem a casa está aberta para todos. Neste dia viram-se muitas caras novas, pessoas que quiseram promover a iguaria da sua terra natal. Parabéns pela iniciativa ao grupo que se prontificou a dar o passo. A iguaria estava aceitável: borrego saboroso, não deve ter vindo de Portugal pelo custo do prato por pessoa, mas o importante é que estava saboroso, o Borrego excelente e a primeira remessa de arroz aceitável a segunda a merecer críticas construtivas – faltou-lhe as mãos certas para colocação dos condimentos, justificação dada. Todos têm de compreender que as condições são escassas e os voluntários fizeram o seu melhor, sendo que nem da profissão são e arriscaram. Merecem os parabéns. Houve, no entanto, algumas falhas que não deviam de acontecer.

Recordo-me de várias vezes em deslocações com a confraria dos gastrónomos do Minho, que tanto divulgou este prato, (para quem não sabe este prato sempre existiu com nome Cordeiro à Moda de Monção e sempre foi o prato ex-líbris da região de Monção) ouvir o Dr. Francisco Sampaio, ex-juiz da confraria dos gastrónomos do Minho falar deste prato com uma sabedoria que os convivas ganhavam mais apetite. Como ele sabia contar a história que este prato tem por trás! Caros amigos, foi uma falha não haver ninguém para alegrar os comensais com a dita história, mas em geral esteve bom. A comida, “Foda à moda de Monção, uma história do Alto Minho”, como eu referi acima, nada mais é que um prato de cordeiro feito em fornos de lenha acompanhado de arroz, que também é preparado em fornos de lenha, e que tem um sabor excelente quando é confecionado desta forma e onde há condições. Não havia necessidade de na sala se ter dito que o cordeiro andou de casa em casa durante dois dias pelas backyards. Aí ficou mal… Até podia ter andado de quinta em quinta, mas com as intoxicações alimentares que acontecem podia dar asas a alguém dizer que se sentiu mal por falta de higiene, que não foi o caso. Por vezes o que fica por dizer ajuda a que não haja conflitos.

Vamos à história da “Foda” – em tempos nem todos os habitantes da região possuíam rebanhos, então iam às feiras para comprarem o animal que serviria para providenciar o seu sustento. Como todos sabem, havia gado de qualidade e outro que não primava pelas melhores carnes. Como o desenrascanço está no ADN dos portugueses, neste caso propriamente relacionado com o cordeiro, nos Monçanenses, para que os animais parecessem gordos e tivessem boa apresentação, os criadores juntavam sal à forragem, obrigando o gado a beber água em grandes quantidades (eram sem dúvida habilidosos, sabiam dar a volta). Chegados à feira, apresentavam um aspeto bem saudável, fruto de terem a barriga cheia de água. As pessoas não tinham conhecimento da manhã e iam no engodo e acabavam por comprar verdadeiros pipos de água, porque na realidade o cordeiro estava com aquele aspeto derivado à quantidade de água que tinha ingerido. Os pobres compradores depois apercebiam-se (regra geral já tarde e longe da feira) e exclamavam “que grande foda”! Para quem conhece o Minho as coisas não se fazem por menos.

É esta a história. Esta expressão acabou por se tornar cada vez mais comum e o prato ganhou mesmo o nome de Foda à Moda de Monção.

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