Opinião

Era bom que se trabalhasse para a mudança

Há tempos ouvi uma conversa que me espantou. Uns jovens falavam sobre a gestão de casas sem fins lucrativos. Segundo eles, sendo sem fins lucrativos a gestão tem que se passar uma imagem credível e de muita confiança para o exterior, para que o sector empresarial se predetermine a colaborar com donativos, para ajudar a crescer esse tipo de instituições, especialmente, quando estão envolvidas na divulgação de cultura.

Eu, como sou direto, digo quando não gosto e aponto o dedo quando o erro acontece, não podia deixar passar a dita conversa em claro. Obviamente que são só palavras e as promessas leva-as o vento, mas eu, desde que vi um cachorro a andar de bicicleta, agora acredito em tudo. 

Ainda no fim de semana passado falava com pessoas amigas a quem expliquei a razão do meu afastamento de algumas coisas e porque fui criticado ao, em certos eventos, propor que todos pagassem a respetiva entrada, e todos me deram razão. Meus amigos, desculpem-me, mas no meu entendimento é assim: primeiro faz-se um orçamento, depois procura-se saber como se vai conseguir pagar as despesas, para que o saco não fique vazio. Porque tirar é fácil, mas voltar a encher é difícil. No entanto, o que vejo é que em vez de preparar a juventude para o futuro – em termos de gestão, especialmente, ensinar como angariar para depois gastar, como preparar um orçamento para se ter a certeza que, no final, as festas não dão prejuízo – prometem-se mundos e fundos. E eu pergunto, para que será tudo isto? E dou a resposta: para que se tenha alguém ao redor. Isto porque os mais visionários, isto é, os que têm visão de futuro, não se metem em euforias e a esses começa a faltar o calor humano experiente. Valha-nos nossa Santa Engrácia! Eu também gostava de prometer aos meus que os levava até à Austrália, até ao Brasil etc. etc.. Assim a mudança nunca vai ser possível e, com atitudes medíocres como esta, quando chegarem a certa altura não vai ser possível dar continuidade – a imagem já está negativa pelo facto acontecido no passado, mas com promessas assim, “credo que violência”. 

É surpreendente a forma tão fácil e natural com que algumas pessoas assumem as suas promessas. Não se esqueçam que a falta de capacidade predispõe a um negativismo no futuro e que é preferível praticar o bem do que, apenas, prometê-lo. Não continuem a prometer para que no futuro outros possam sofrer. É preciso saber ensinar a sermos humildes e trabalhar para a mudança. 

Quando vejo pessoas que dizem, com a boca cheia, que quem faz parte de uma direção tem que ter direito a regalias automaticamente, saio da roda da ajuda. É que, para mim, ou se vai dar um contributo e fazer crescer ou um dia não sei como tudo vai ser.

Até breve.


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