Opinião

Eleições portuguesas. Quem é quem e o que quer!…

Estamos finalmente em pleno período oficial da campanha eleitoral para as eleições legislativas de 6 de outubro de 2019, após um longo período de jornadas e ações partidárias não-oficiais com o mesmo objetivo.

As organizações políticas concorrentes perfilam-se nas “avenidas virtuais” da comunicação e redes sociais, marchando ao ritmo dos seus hinos partidários e ao compasso da marcha militante da “esquerda-direita-esquerda-direita”, ladeados por uma diminuta população expectante de umas esferográficas, uns porta-chaves ou umas sandes de leitão assado!

Na “grelha de partida” desta competição nacional estão todos os partidos (adversários e “amigos” do atual governo…) com assento no Parlamento e os que não o têm a eleger o Partido Socialista (PS) como seu principal inimigo. Não tanto porque pensem vir a ganhar as eleições a este último, mas porque querem evitar que este vença por maioria absoluta, arriscando conseguirem apenas uma simples “vitória de Pirro”!

Tendo por base a evidente e ilustrada leitura da opinião pública que todos os partidos políticos portugueses fazem da esperada vitória do PS, descobrem-se as estratégias que agora utilizam para ganhar o eleitorado que, previsivelmente, rodeia aquele partido.

Ninguém se quer situar muito à “esquerda”, nem muito à “direita”. O objetivo é posicionarem-se num “centro-esquerda”, que permita uma aproximação àquilo que tem caracterizado a ação do atual Governo e que tem deixado os portugueses minimamente satisfeitos.

Para o Partido Comunista Português (PCP), um dos (até aqui…) amigos parlamentares do PS, a tarefa de “endireitar” um pouco o partido, para manter o apoio parlamentar ao PS, não foi fácil, nem isenta de rupturas. Entre o legado histórico bolchevique da construção do socialismo, segundo Lenine, e a acomodação às ideias social-democratas dos mencheviques de Martov, sobram os conflitos de obediência aos princípios e ao líder dos seus militantes, que tem corroído a sua expansão eleitoral a favor do PS e do Bloco de Esquerda (BE), não parecendo que venha a ter algum impacto significativo na decisão final do eleitorado a seu favor e contra o PS.
O BE, também ele (até aqui…) “amigo” parlamentar do PS, quer disputar até ao limite o voto dos eleitores, adaptando o seu manifesto eleitoral às por si consideradas insuficiências do projeto do PS, sem cruzar as linhas vermelhas de um futuro entendimento com este, antes tentando captar mais força negocial para as suas propostas. Num partido constituído por uma associação de interesses intelectuais e ideológicos, entre vários tipos de leninismos “puros” (…) e trotsquismos de várias tendências, conjugados no princípio da “revolução permanente” e cuja continuidade existencial depende em muito do seu sucesso público e mediático, apenas algum ganho eleitoral pode permitir a sua continuidade na cena política nacional, no quadro da sua relação com o PS, embora um resultado eleitoral superior possa conduzir-nos a uma possível aventura semelhante à dos nuestros hermanos ibéricos, em consequência das aspirações políticas e ideológicas dos bloquistas.

O Partido Social Democrático (PSD), há meses confrontado com uma crise de identidade ideológica e/ou de fracos resultados das sondagens de opinião, tenta desvincular-se da anterior direção liberal de Passos Coelho e afirmar-se como um partido social-democrata, ou seja, mais ao centro. No entanto, sendo a social-democracia um conceito historicamente situado no centro-esquerda (terreno político ocupado pelo PS), esta “viragem” do novo líder Rui Rio corre o perigo de, para além de não conseguir apagar a imagem anterior do partido, não conquistando votos ao PS, levar parte do seu eleitorado de direita a votar no Centro Democrático e Social (CDS), que ele próprio intitula como um partido de direita e assim hipotecar toda a sua estratégia.

O CDS, assumidamente uma organização política de direita, com desejos de aglutinar todo o setor conservador, dentro e “fora” do Parlamento, tem um histórico recente de asneiras táticas da sua liderança partidária que ainda não foram esquecidas (independentemente do “mea culpa” assumida pela sua líder Assunção Cristas), para além de disputar as eleições num contexto político e social muito favorável ao PS e ao distinguir a simbologia do seu “centrismo” identitário como vantagem, não parece que, quaisquer que sejam os seus resultados, possam infletir a base eleitoral do atual partido no Governo.

O pequeno Partido dos Animais e da Natureza (PAN), confessadamente um partido de causas e sem ideologia, apadrinhado por eleitores descontentes com todas as outras máquinas partidárias, tenderá a ganhar alguns pontos à esquerda, à direita e ao centro, mas continuará a ser “muleta” de qualquer partido que satisfaça as suas pretensões.

O PS encontra-se assim numa conjuntura interna que lhe antecipa um excelente resultado eleitoral, enquanto resultado da gestão desta legislatura, desde que e até lá não cometa nenhuma das habituais asneiras “infantis” com que nos brinda ocasionalmente e sem que a presunção o conduza à maioria absoluta, que diz não desejar (…) e que não precisou para granjear a simpatia da maioria dos cidadãos. Sendo Governo, por antecipação, num cenário internacional de grandes interrogações políticas e económicas, ao PS competirá, entre outras, gerir o país na estabilidade política, social e económica possíveis, reconhecendo: a prioridade da sua ação sobre as grandes desigualdades; a dignidade da vida de todos os portugueses; não deixando que alguns dos seus correligionários exorbitem as respetivas funções e exercendo uma vigilância permanente sobre a competência e eficiência de quem chefia os nossos serviços públicos.
Se assim for, a eventual instabilidade internacional não nos provocará danos irreparáveis!

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