Opinião

Da pandemia ao pandemónio!

É quase impossível fugir aos comentários sobre esta pandemia que a todos afeta. Não porque não existam uma diversidade de outras situações desligadas deste tema que mereciam a atenção dos cidadãos, mas porque nesta fase em que se encontram a generalidade das sociedades e o pânico social que grassa entre todos, não falar da Covid-19 é mascarar a mais importante preocupação que ocupa os nossos espíritos, por muito que já nos aborreça o martelar informativo sobre o assunto.

Há milhares de mortos em todo o mundo e mais de um milhão de infetados por esta “peste” que não pára de se disseminar em todos os países, à exceção (pelo que nos é dito…) do país que lhe deu origem, a China!

Em Portugal, a 5 de março de 2020, a Covid-19 já matou cerca de trezentas pessoas, aos quais se juntam mais de uma dezena de milhares de infetados, para além de outros tantos que, embora sob suspeita, ainda não foram diagnosticados por ausência de testes.

Embora a doença, segundo especialistas, esteja a desenvolver-se entre nós a um ritmo desacelerado, começamos no entanto a ter mais certezas do que ignoramos sobre ela, embora a quarentena a que todos (ou quase todos) nos submetemos pareça estar a dar alguns resultados, prolongando infelizmente as nossas expectativas de nos vermos livres de tudo isto a curto prazo. E, se bem que precisemos de continuar confiantes no que nos é dito pelas organizações mundiais e nacionais ligadas à saúde e por todo o séquito de especialistas e epidemiologistas que estudam este Covid-19, a natureza deste vírus, a sua forma de contágio e a sua completa erradicação continuam a merecer dúvidas constantes e a colocar-nos perante o dilema de qual a melhor forma de o combater. Não está em causa acreditarmos em toda a charlatanice de curas milagrosas que invadem as redes sociais e muito menos a aceitação das baboseiras assassinas de alguns líderes de países como Trump (e a sua anterior teoria da invulnerabilidade dos EUA aos efeitos da Covid-19), ou à “gripezinha” de Bolsonaro que, perante o eventual colapso das “suas” economias e a turbulência social que tal desencadeia em momentos pré-eleitorais vão, a muito custo, admitindo alguns cuidados essenciais à vida dos seus cidadãos.

O que está verdadeiramente em causa na atual situação, para os cidadãos que cumprem “religiosamente” as indicações de prevenção das suas autoridades sanitárias e dos seus governantes, é a sua desconfiança na alteração das opiniões e os seus discernimentos sobre o combate a este vírus, bem como a interpretação dos seus desenvolvimentos. Em Portugal, perante a estupefação de alguns mais atentos promotores da sua proteção, foi-nos afirmado que as máscaras serviam apenas para proteger os outros da nossa eventual infeção e não nos protegerem a nós, pelo que eram dispensáveis para todos aqueles que não estavam infetados. Hoje, muito tempo após terem concluído que a infeção pode demorar dias a manifestar-se e nem todos os infetados apresentarem sintomas gerais de infeção, aconselham agora o uso geral de máscaras de proteção. Conclusão: pensamos agora que a primeira indicação não era correta e apenas tinha que ver com a falta de máscaras no país!…

As mesmas autoridades deram-nos uma explicação aceitável de que a Covid-19 iria desenvolver-se numa curva ascendente até um pico, para depois diminuir progressivamente. Para evitar esse pico, que iria saturar e fazer colapsar a nossa capacidade nacional de cuidados de saúde, tornava-se necessário “amortecer” esse nível máximo da curva ascendente, através do isolamento social (quarentena) o que, necessariamente, prolongava o tempo em que esta estirpe continuaria entre nós.

Todos os dias somos confrontados com os resultados nacionais desta epidemia e é com algum alívio que nos dizem que, pelo comportamento dos dados obtidos, a curva epidemiológica está estacionária num patamar, o que augura uma eventual descida para breve. Mas, muito recentemente, os epidemiologistas da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública vêm a público declarar que estão intrigados com a curva errática da epidemia, quanto à quantidade dos novos casos de infeção, o que não é normal neste tipo de doenças. Tal circunstância leva-nos a pensar que essa “curva errática” se deve à também forma errática como têm sido feitos os testes de despistagem do vírus, por insuficiências do nosso Ministério da Saúde, influenciando erradamente os resultados diários das autoridades sanitárias e os cidadãos crentes numa melhoria da situação. Conclusão: será que isto acontece apenas para nos animar ou deve-se a mais um caso semelhante à falta de máscaras, neste caso dos equipamentos para realizar os testes?

Poderia ainda continuar a falar-vos sobre as orientações/exigências do Governo português, neste estado de exceção em que nos encontramos, no que diz respeito às normas de segurança a adotar nas entradas no país e na vigilância do confinamento dos nossos cidadãos mas, embora uma grade maioria os cumpra, os maus exemplos multiplicam-se não me deixando capacidade de os comentar. Com tanta informação disseminada pelos órgãos de informação, uns só podem acontecer por negligência assumida e outros pela forma “simplex” do comportamento das autoridades policiais.

No meio desta pandemia que se poderá transformar num pandemónio, por falta de transparência dos órgãos competentes e da desconfiança que suscita, resta-me desejar-vos: PROTEJAM-SE!

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