Opinião

Covid-19. Em conformidade com o conformismo? Não!…

Que me perdoem os leitores por voltar a falar dessa epidemia a que se chamou inicialmente “Coronavírus” e que foi novamente rebatizada, agora com o nome de Covid-19.

Voltei ao assunto, não porque os atuais alarmes noticiosos passaram a dar grande destaque aos danos económicos dos países onde o vírus se propagou e se está a propagar, mas porque ele alastra cada vez mais, constituindo uma verdadeira ameaça para os cidadãos de todo o mundo, onde se inclui Portugal, embora o nosso país, por obra e graça do acaso (!…), ainda não tenha sido atingido por essa praga.

Se na China continental o número de óbitos e infetados, provocados pelo Covid-19, continua a subir (2.592 mortos e mais de 75 mil infetados (dados públicos), há cada vez mais vítimas em países como o Irão, Japão, Hong Kong, Coreia do Sul, Filipinas, França, Estados Unidos, Espanha e mais recentemente a Itália, onde e até ao momento, já provocou quatro mortos e 185 infetados, sem que se saiba quem foi o agente promotor do vírus nesse país uma vez que nenhum dos casos detetados esteve na China ou em ligação com alguém que pudesse estar eventualmente contagiado. Situação que levanta, mais uma vez, a ignorância científica sobre as múltiplas formas de propagação deste vírus.

Se bem que a OMS, a União Europeia e as autoridades sanitárias e governamentais portuguesas façam discursos e declarações de algum alerta, mas tendencialmente pacificadores, para não criar pânico entre os cidadãos, o facto é que esta doença epidémica continua a propagar-se até em países, como o caso da Itália, onde deveria existir um sistema de controlo e dissuasão da epidemia muito mais eficaz. Mas nesta Europa plena de instituições controladoras, o caso italiano não é infelizmente o único, onde a permissividade das instituições sanitárias, face à ameaça do Covid-19, pode causar sérios problemas à vida dos seus povos.

Hoje, num jornal televisivo da hora de almoço, dei conta que haviam chegado vários aviões a Portugal com cidadãos de diversas nacionalidades, entre os quais italianos. No aeroporto, o repórter interrogava os passageiros sobre se tinham sido controlados nas partidas, para deteção de eventual infeção do vírus. Resposta: não! O repórter insistia: “e na chegada?” Resposta: não, juntando em voz sorridente que tal poderia acontecer porque Portugal não tinha casos de infetados pelo coronavírus!?…

A continuar assim, pergunto eu – até quando?…

Porque queria comprar um objeto no bazar chinês do meu bairro, receando que alguns deles tivessem ido a “casa” festejar o Novo Ano chinês e porque não confio nas declarações censuradas pelas respetivas autoridades nacionais (independente das razões aduzidas), nas suas medidas preventivas, nem pela atempada eficácia das suas ações, desloquei-me a uma farmácia local para comprar máscaras protetoras, tentando estar munido de algo essencial à minha proteção, no caso de me aproximar de uma eventual fonte da epidemia. Resposta: não… estão esgotados em todos os fornecedores! Mas como é que isso é possível, não havendo casos noticiados de infetados em todo o território nacional e tendo em conta que ninguém está a usar máscaras? Só me ocorreu uma razão: ou foram todas para exportação (vendem-se mais caras…), ou estão fechadas em armazéns, até que a epidemia se revele em Portugal e possam ser vendidas (mais caras…).

Compreendo agora melhor a preocupação dos inúmeros comerciantes chineses instalados no país quanto à falta de clientes nos seus estabelecimentos e as consequências económicas para os seus negócios. Afinal parece-me que, sem quaisquer intenções segregacionistas para com os residentes chineses, há mais gente a pensar como eu, não querendo correr o risco de contágio, perante uma comunidade muito fechada sobre si própria e mantendo eventuais comportamentos silenciosos, herdados da vida no seu país natal.

Mas se tal atitude da nossa parte possa parecer compreensível para com o comércio chinês, também a poderíamos alargar a outros residentes em Portugal originários dos países onde grassa esta epidemia, alguns dos quais nossos vizinhos. E porque está indecifrável, até ao momento, a origem do recente contágio em Itália, fazendo-nos duvidar das primeiras explicações sobre a forma de transmissão deste vírus, a situação torna-se ainda mais preocupante!

Não quero acreditar que as autoridades sanitárias portuguesas estejam à espera que alguém seja detetado com o vírus em Portugal para colocarem em prática um sistema de medidas preventivas, capaz de tentar evitar a sua entrada em território nacional. Se isso infelizmente vier a acontecer, já esse caso eventualmente contaminou outros e, esses outros, outros tantos.

Por esta doença e em resultado de um casual conformismo de quem tem que zelar pela nossa saúde coletiva, nem queremos fazer parte de honrosos resultados estatísticos indicando: “morreram poucos”!

Não queremos que morra alguém. Mexam-se!

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