Opinião

Contrato Secreto com a Amazon

Representantes da Amazon reuniram-se com o gabinete do primeiro-ministro duas semanas antes da empresa receber um contrato secreto para lidar com os suprimentos e equipamentos médicos de emergência do Canadá.

Foi relatado na comunicação social que duas semanas antes de anunciar que a Amazon havia recebido um contrato secreto para armazenar e distribuir suprimentos e equipamentos médicos de emergência do Canadá, a empresa multinacional fez lobby junto de funcionários do gabinete do primeiro-ministro. Os registos públicos exibidos são de 17 de março, durante a primeira semana do bloqueio pandémico. A Amazon reuniu-se com um consultor de gestão de questões do gabinete do primeiro-ministro e Assuntos Parlamentares. O relatório de comunicações de lobby descreve simplesmente o assunto da reunião como “indústria”. Foi a primeira reunião entre funcionários da Amazon e o gabinete do primeiro-ministro desde abril de 2019.

A  Amazon continua sem comentários em relação à reunião e o gabinete do primeiro-ministro, por outro lado, só oferece detalhes vagos. Duas semanas depois, a 3 de abril, o primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou que o Governo Federal estava, em parceria com a Amazon, a “gerir a distribuição” de suprimentos médicos de emergência, incluindo máscaras faciais e ventiladores. Até ao momento, os detalhes da “parceria” permanecem vagos, com os únicos pormenores concretos no comunicado inicial do Governo a indicar que a Amazon ajudaria a “processar e gerenciar pedidos (de suprimentos médicos) através da sua loja on-line da Amazon Business”.

Funcionários do Governo confirmam agora que o contrato lhes permite armazenar suprimentos médicos de emergência nos armazéns privados da Amazon. O Governo Federal não ofereceu explicações sobre porque precisaria de armazéns privados da Amazon, apesar de operar 12 grandes armazéns e 1.300 centros de suprimentos que deveriam armazenar suprimentos médicos de emergência em caso de pandemia.

Os defensores da saúde dizem que o acordo privatiza efetivamente o gerenciamento do stock de suprimentos médicos de emergência do Canadá, algo que “deve ser controlado publicamente e sujeito a cuidadosa supervisão”.

Relatórios recentes divulgados pelos media sugerem que a rede de depósitos de emergência pode ter enfrentado anos de negligência e má administração sob os Governos Liberal e Conservador. Autoridades de saúde pública anónimos disseram ao Globe and Mail na semana passada que o sistema de stock do Canadá não se preparou adequadamente para uma pandemia. O Serviço Público e Compras no Canadá (PSPC), o departamento encarregado de adjudicar contratos governamentais, confirmou que a Amazon foi contratada pela Agência de Saúde Pública do Canadá (PHAC), a autoridade de saúde pública que administra a rede de armazéns de emergência do Canadá.

Os críticos da parceria dizem que o acordo favorece a empresa de Seattle, que está a enfrentar reclamações por suposta falta de precauções para proteger os trabalhadores contra a COVID-19. Relatórios da Amazon revelam que evitam medidas de segurança como o distanciamento físico, colocando em risco a vida dos trabalhadores e ameaçam a saúde pública em plena pandemia. Procurar poupanças para aumentar os lucros, durante uma crise de saúde, é errado e não deve ser recompensado. Tenho preocupações de que o Governo Federal esteja a escolher fazer um acordo com uma gigante do setor privado que tem um histórico de negligenciar a saúde e a segurança dos seus trabalhadores.

Por enquanto, o público suspendeu o julgamento crítico sobre quanto dinheiro deve ser gasto para apoiar pessoas e empresas devastadas pelo fechamento económico causado pela pandemia. O Governo Federal, livre de qualquer restrição, está a distribuir dinheiro numa velocidade vertiginosa, em quantias impressionantes, sem nenhuma indicação até ao momento sobre o que acontecerá quando a conta chegar.

O diretor de orçamento parlamentar Yves Giroux prevê que o déficit federal será de $252 bilhões, além dos $100 bilhões que o Governo conseguiu acumular em cinco anos antes da pandemia.

Todos podemos concordar que o Governo precisava agir rápida e decisivamente para evitar uma calamidade financeira. Era moralmente obrigado a apoiar as pessoas que mandava não trabalhar e os negócios que obrigava a fechar. O alívio tinha que ser considerável, mas isso não significa que possa ser ilimitado.

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