Carlos Monteiro

A lareira… Sim, a lareira!

O Natal está à porta e muitas são as imagens de tempos idos que nos avivam a memória.

Se para muitos os presentes e as mesas fartas são as principais lembranças de Natais passados, para outros a palavra família tem um valor acrescido nesta altura do ano.

Quando dou por mim a tentar perceber o verdadeiro significado da época natalícia, admito que foi perdendo o brilho e encanto que teve noutras alturas, principalmente depois de ter emigrado para um país onde não tenho hoje familiares, além da esposa e filhos, e não se tem o conforto das amizades de uma vida, deixadas do outro lado do Atlântico. Época com sabor agridoce, sem dúvida. Haja saúde – diz-se à boa maneira portuguesa.

Apesar de ter perdido o encanto, não é por isso menos importante. Antes pelo contrário. O que parecia antes irrelevante e insignificante é hoje motivo de memórias fantásticas, expressivas de momentos inesquecíveis que muito dificilmente se repetirão. Momentos que se perpetuam na nossa memória e que nos levam numa viagem a um passado de convívio e afeto que devem simbolizar esta época.

Recordo-me do ritual anual de alternar o Natal e passagem do ano, ora com a família do lado materno, ora com os familiares do lado paterno. Guardo com carinho as memórias de quartos cheios, onde os primos dormiam juntos, aguardando ansiosamente o amanhecer para poder finalmente ver os presentes, cuidadosamentre colocados junto de uma árvore de Natal apinhada para satisfazer tanto pedido.

Lembro-me da emoção do rasgar do papel a cada presente e do brilho nos olhos cada vez que aparecia um embrulho com o nome inscrito na caixa; do cheiro do arroz doce e do leite creme a ser torrado à noite e o aroma do café de cevada feito pela manhã, que inundava a casa assim que o sol raiava; do bolo de azeite com manteiga, das fritas de abóbora e dos biscoitos que eram especialmente preparados para a época.

Mas hoje há uma memória de valor inestimável, que na altura parecia ser algo tão trivial, que me vai acompanhar até ao fim dos meus dias… A lareira. Sim, a lareira! As memórias do frio de dezembro no planalto beirão e do cheiro da lareira; dos bancos de madeira de vários tamanhos em redor da lareira; dos planos e sonhos de menino ao calor da lareira; dos segredos de namoradas e namorados desvendados ao som da madeira a arder na lareira; da roupa nova que se vestia no dia 25 ao lado da lareira; das anedotas e dos jogos novos ao pé da lareira; mas acima de tudo memórias da cumplicidade e afeto dos pais, irmãos, primos, tios, padrinhos e avós à volta da lareira.

As lareiras daquelas casas frias e já desgastadas testemunharam os mais belos episódios de amor e união. Momentos únicos de partilha que jamais poderão ser repetidos e ficarão para todo o sempre.

Lembre-se… partilhar amor e fomentar a união nesta época não custa absolutamente nada!

Feliz Natal para si e para todos os seus familiares e amigos!

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