Opinião

Campanha não é mandato. Não confundam férias com trabalho.

Não vi, nem ouvi, em direto. Li e ouvi os comentários dos entendidos na matéria após o debate ter terminado. Não sou político nem a favor de quem é agarrado ao poder seja do que for, muito menos na política porque o muito tempo desenvolve pessoas com vícios e que não trazem nada de melhor para o país. Sempre ouvi dizer que férias não se comparam a trabalho, isto é, quando se vai de férias é tudo uma maravilha, todos nos abraçam, andamos sempre rodeados de muita gente etc., o que não acontece quando se decide regressar. As coisas mudam radicalmente. Não se pode confundir férias com trabalho.

O mesmo se aplica na política: não confundam campanha com mandato. As coisas são totalmente diferentes. Durante a campanha promete-se tudo, mesmo sabendo que não é possível. Tal promessa nunca vai sair da gaveta, mas a maioria acredita e vai a correr colocar a cruz mediante o que lhe prometeram, enganados. Só se é enganado uma vez, na segunda só cai quem quer.

Neste mandato a governação foi péssima, deu-se com uma mão e retirou-se com as duas, mas ninguém deita sentido a isso. Este governo foi o governo da família que até suspendeu o programa Sexta às 9 porque estava a incomodar os tais familiares do Antonio Costa: apresentaram a árvore da família nesse mesmo programa e ele ficou preocupado. Daquele programa algo mais se esperava, mas ninguém vê isso. Até colocaram a prima do António Costa como moderadora do debate entre Rui Rio e António Costa, mas mesmo assim o Costa perdeu. Perdeu e notou-se na cara que estava desejoso que o debate terminasse. Este debate foi visto por 2,7 milhões de pessoas, transmitido em simultâneo pelos três canais (RTP, SIC e TVI), mas será que serviu para a mudança?

Claro que não. Ninguém se preocupa com a situação e era agora que se devia refletir e decidir como votar. A mudança é saudável. Nunca fui a favor de repetição de mandatos. É preciso sangue novo para algo mudar e o país precisa de mudar. O Costa vem de uma formação com vícios e continua. Basta ver a equipa. E vamos a caminho de uma nova bancarrota se nada for feito a curto prazo. Durante o debate, a determinada altura, falava-se da produção do Serviço Nacional de Saúde e Rui Rio provou aos que tinham dúvidas que tem um conhecimento sobre os principais assuntos do Estado e mostrou ter um programa para o país (precisava de mais tempo e mais agressividade da parte de Costa). António Costa deixou falar e não se alargou muito. Será que foi bom? Evitava responder, parecia que queria o debate morno e evitou entrar em fervura. Já Rui Rio entrou no debate e demonstrou as suas capacidades como bem o sabe fazer e, sobre as contas, mostrou os sinais de alerta no défice. Esteve excelente quando salientou a pesada carga fiscal, a mais alta de sempre. António Costa, sem mostrar os dentes, respondeu que muita coisa melhorou, mas Rio tinha a lição bem estudada e mostrou como este governo deu com uma mão e retirou com as duas.

É triste, mas o nosso país já importou mais do que exportou e isso faz crescer a dívida, mas ninguém vê isso. Devíamos questionar por que razão, nos últimos três a quatro anos, mais de 350 mil pessoas emigraram. Devíamos questionar porque é que a nova geração não acredita nos políticos. Devíamos questionar porque é que a Justiça não funciona. Só mesmo em Portugal. É por estas e outras que as pessoas cada vez mais ficam em casa, não acreditam na forma como se formam governos em Portugal e este governo não é exemplo para ninguém.

Parabéns ao Rui Rio pela escolha dos membros para as listas – muita juventude a encabeçar listas – e parabéns ao Rui Rio pela forma como se apresentou no debate e mostrou que é um senhor e sabe controlar-se debaixo de muita pressão.

O debate entre os dois não servirá para melhorar a imagem de nenhum, no meu entender. Servirá para que a política venha a reavivar-se. Se os jovens ouviram, tiveram a oportunidade de sentir que podem ingressar na política, porque há um bom líder que confia na juventude – chama-se Rui Rio.

Se ainda não votou decida-se e vote bem, vote para a mudança.

Pelo menos, devemos evitar uma maioria seja de quem for, por isso mesmo tem que votar.


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