Augusto Bandeira

Presidenciais já ali na esquina, 24 de janeiro

Sondagens são o que são, mas a corrida de sempre foi pelo segundo lugar

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Créditos: José Fernandes/sic/JN

Já todo o cidadão sabia que o professor Marcelo Rebelo de Sousa não precisava de campanha, ainda sem ter apresentado a candidatura já era o vencedor das eleições presidenciais de 2021. Neste momento todas as sondagens o confirmam, agora a preocupação é com a percentagem, o atual presidente quer obter uma percentagem acima da de Mário Soares, 70.35%, recorde ainda hoje por bater, que foi obtido em 13 de janeiro de 1991, na sua reeleição para um segundo mandato como Presidente da República, foi um resultado esmagador. 70.35% não é fácil, mas houve uma razão muito simples, o PSD liderado por Cavaco Silva, que na altura era primeiro-ministro, deu apoio para a sua recandidatura presidencial e isso foi o que o levou a obter uma percentagem esmagadora. Hoje o atual Presidente não tem hipótese de lá chegar, mesmo com a fraca qualidade de candidatos não vai conseguir, porque então vejamos: o PS deu liberdade de voto, mas indiretamente alguns membros do Governo pediram para os votos dos socialistas serem concentrados nos candidatos à esquerda. 

Uma percentagem vai votar Ana Gomes e mesmo assim alguns socialistas vão votar em André Ventura contra sua própria vontade, é mesmo só pela raiva contra o seu partido por, também indiretamente, o Costa dar apoio a Marcelo. E a maioria dos socialistas votam em Marcelo sem dúvida porque ele tem levado este Governo ao colo e o próprio Marcelo virou-se um pouco para o lado do eleitorado de esquerda, jogou muito bem as cartas. Vamos ver agora o que vai fazer no próximo mandato, espero que faça o que Mário Soares fez ao Cavaco Silva no seu segundo mandato, mesmo depois de Cavaco Silva ter decidido apoiar a sua recandidatura. Tanto que fez e atrapalhou a governação do Cavaco, que em 1995 o PS venceu as legislativas. Vamos esperar um Marcelo diferente e com menos medo. 

O PSD e o CDS deram o apoio a Marcelo, mas mesmo o eleitorado do PSD e do CDS não vai votar todo no Marcelo, muitos destes vão votar em vários candidatos pelo facto de não estarem contentes com o trabalho do atual Presidente. O que mais sorte vai ter neste campo é, sem dúvida, André Ventura. Não quer dizer que o querem no poder, é simplesmente uma forma de dizer a Marcelo que estão descontentes. No final, o maior inimigo de Marcelo que tanto quer obter uma percentagem histórica, vai ser a abstenção, posso estar enganado, mas vai ser das maiores de sempre por várias razões. É a Covid, é o descontentamento e a própria qualidade dos candidatos. Uma das últimas sondagens dava Marcelo Rebelo de Sousa com 67,9 %, mas pode vir a descer, Ana Gomes com 11,4 %  empate com André Ventura também com 11,4 %, que é aqui a disputa – o segundo lugar vai ser discutido entre Ana Gomes e André Ventura, um destes dois vai subir dependendo da campanha de todos os candidatos. Marisa Matias com 4,3 %, que pode vir a descer ainda mais, para mim nos debates foi das piores candidatas, João Ferreira com 2,6 %, apoiado pelo PCP não se vai esperar muito mais, Tiago Mayan com 2,1 %, que pode vir a subir dependendo também da campanha de rua e Vitorino silva, mais conhecido por Tino com 0,4 %, acho que a salvação é a sua simplicidade senão seria dos piores resultados de sempre de qualquer candidato, mas vai tirar alguns votos a outros que podem precisar deles. 

Mas atenção, tudo isto são sondagens e até ao lavar dos cestos a vindima continua, neste caso a intenção de voto das pessoas pode alterar. Não nos podemos esquecer que numa das sondagens da TVI perguntaram aos portugueses o que achavam da atuação de Marcelo Rebelo de Sousa relativamente à atuação do Governo de António Costa: é bom que se tenha em atenção que apesar de manifestarem intenção de voto no atual Presidente, 66% dos portugueses considera que Marcelo Rebelo de Sousa devia exigir mais do Governo de António Costa. Quer isto dizer que sabem bem que ele não está a fazer um trabalho fabuloso, por outro lado aqui demonstram que as alternativas são muito fracas, por isso mesmo as intenções de voto podem alterar, mas Marcelo ganha de longe na primeira volta. 

No dia 24 de janeiro espero ver um Marcelo diferente e com mais coragem. Se fosse noutros tempos e outros presidentes que por lá passaram este Governo já não governava há muito.

Viva Portugal no seu melhor. 

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