Opinião

António Costa foi à “bruxa”?!…

Se fosse possível estabelecer uma relação imaginária entre os galardões internacionais conquistados por Portugal e a temporalidade deste governo português, poderíamos supor que o primeiro-ministro consultou “os astros”, antes de se meter nesta quase impossível governação, em finais de 2015.

De facto, Portugal tem vindo a tornar-se, pelos melhores motivos, um dos países mais badalados na Europa, senão no mundo. Ter o nosso Ministro das Finanças Mário Centeno, como Presidente do Eurogrupo, António Guterres como Secretário-geral da ONU e tantos outros portugueses em lugares de relevo mundial, pode não significar grande coisa para muita gente mas associar isso à inversão do caminho da miserabilidade em que nos encontrávamos antes e o diabólico futuro que alguns nos previam, repondo salários, emprego, as contas públicas, as pensões e a esperança dos portugueses, não tendo sido obtido por artes mágicas de um qualquer Merlin, nem por ser António Costa o “Rei Artur”, deu a este governo uma projeção externa e interna de grande destaque na arena europeia e mundial.

Amar Portugal, sentimento que antes se encontrava obscurecido pelas dificuldades que nos foram impostas, explodiu com a grande conquista futebolística do Euro 2016. Agarrados ao seu orgulho patriótico, os portugueses fizeram dessa vitória o símbolo da sua afirmação gritando: “estamos cá e somos tão bons ou melhores do que os outros”!

Vencer agora a Taça da Liga das Nações em 2019, com toda a exaltação que produziu entre os milhões de portugueses residentes em todas as paragens deste planeta, em pleno calendário do Dia de Portugal, Camões e das Comunidades, foi a “cereja no topo do bolo” que levou os portugueses, adeptos da bola e todos os outros que vertem lágrimas ao som do hino nacional, a exclamar sem complexos: “2016 não foi um episódio sem continuidade, somos mesmo bons”!

Mas não só no futebol recolhemos glórias, para que não digam que somos apenas “bons” com os pés ou que este desporto é apenas o parente pobre da cultura nacional!

Portugal, pelo terceiro ano consecutivo, voltou a vencer este ano os óscares turísticos dos World Travel Awards, como o melhor destino europeu. Entre os 41 galardões que lhe foram atribuídos e os já habituais prémios para o Algarve, Lisboa ou Madeira, o país obteve as distinções para o Alqueva e os Passadiços do Paiva em Arouca, incentivando os nossos autarcas do interior a preservarem e a tornarem acessível ao turismo as nossas maravilhosas paisagens naturais. O turismo, que tornou os nossos maiores centros urbanos em cidades cosmopolitas, mau grado as críticas de quem quer preservar o “Portugal dos pequeninos”, tornou-se uma indústria nacional florescente, alimentando de forma sustentável várias áreas económicas nacionais, caídas em ruptura há vários anos atrás e incentivando, pela procura, um vasto conjunto de atividades sociais e culturais, que fazem do país um centro de acolhimento de investimentos internacionais.

Assim, a “sorte” das escolhas deste governo, no plano interno e externo, atribuídas muitas vezes pela oposição política, a um “passe de mágica” de António Costa e da sua equipa governamental, mais não são do que uma correta aposta, após uma correta apreciação dos parcos recursos naturais e financeiros de que dispunhamos, para alterar com êxito a deprimente situação em que nos encontrávamos.

Se o primeiro-ministro foi à “bruxa” antes de iniciar a governação do país, aconselhando-se sobre o rumo a tomar, eu não sei! Só posso constatar que, apesar do muito que há ainda a fazer para tirar Portugal do marasmo económico e social em que se deixou envolver durante décadas, os portugueses sentem agora que estão no caminho certo da sua afirmação, como gente que sente ter direito a um lugar no mundo.

Porém e na verdade, não foi António Costa que treinou a selecção nacional de futebol, mas sim o honesto e humilde Fernando Santos e um grupo de incansáveis e habilidosos jogadores, que fez aumentar o nosso ego patriótico, com mais esta vitória frente aos “grandes” da modalidade. Mas, na dialética que se produz entre causa e efeito, o sucesso dentro das quatro linhas e no retângulo nacional, associam-se no progresso da auto-estima dos portugueses e produzem surpreendentes resultados que não resultam de qualquer tipo de feitiçaria, antes da vontade dos homens.

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