Opinião

Afinal, quando se pode sair para visitar os amigos?

Será que isto que nos impuseram vai ser para continuar?

Um dia conversava com um amigo, claro mantendo a determinada distância que nos foi imposta, uma obrigação que temos que continuar a respeitar. Depois de escassos minutos de conversa cada um foi ao seu destino e eu pensei, “mas que raio de vida vai ser esta?”, nem se pode cumprimentar os amigos e familiares… Isto mais parece uma prisão, aliás nem na cadeia tal coisa se passa. Já alguém pensou se tudo isto pega moda? Já repararam que uma pessoa não pode planear nada, não pode sair da localidade, do país mesmo que nos digam que se pode viajar? Quantos é que vão pensar duas vezes antes de decidir? Agora vai ser o medo que algo corra mal… vai levar muito tempo para que tudo volte ao normal.

Eu por vezes fico a pensar que vivemos numa caixa onde nos é imposto o que podemos fazer e ali estamos. Desculpem, mas a paciência começa a esgotar-se. Começo a imaginar como será estar na cadeia sem se poder fazer nada – nós neste momento estamos quase lá. O poder político hoje diz uma e amanhã diz outra e nós cá andamos. Acho que isto nos trouxe uma lição para a vida, vamos passar a dar mais valor ao que se tem e às coisas mais importantes da nossa vida, reparem que hoje muitos de nós devem ter saudades de se sentarem com os amigos e desfrutar de uma bebida e duas de conversa, daquelas que não se têm todos os dias – dar duas caralhadas e terminar com gargalhadas. Eu já tenho saudades disso. Lembro-me de ouvir dizer que no tempo da ditadura não se podia falar de certas coisas, não se podia ligar a rádio sempre que se desejava (quem tinha…), nem sequer se podia acender um isqueiro, etc. Bem pensado hoje estamos pior que nem sequer podemos visitar um familiar ou um amigo, ou vice versa, só se podem juntar grupos de cinco. Afinal o que é isto? O cidadão anda tão distraído que nem se apercebe da vida que estamos a levar e alguns até acham normal.

Uns dias antes de um amigo ser chamado para o outro mundo, ele contava-me a frustração que sentia em ter sido expulso/proibido de entrar numa casa que o avô, tio e o próprio pai foram fundadores e eu achava um pouco estranho esse amigo estar tão irritado e revoltado só por não poder frequentar uma casa onde sempre se sentiu bem. Uma casa onde os seus familiares tanto fizeram em prol da cultura da região, tanto do seu tempo deram para que a mesma ali chegasse. Até ele próprio muito deu, de bom, para enriquecer a cultura da região por estas terras. Hoje compreendo a sua frustração, a sua revolta – querer ir, mas não poder. Agora percebo tudo o que o próprio me contava, querer ir e não poder porque lhe tinha sido imposto não entrar lá. As pessoas que tal atitude tiveram deviam de ter vergonha de andar no meio da sociedade, (podemos chamar a este tipo de pessoas ridículas e com um nível cultural muito baixo), hoje que se coloquem no lugar do falecido e comecem a refletir sobre a decisão que tomaram. Agora que nos foi imposto pelos governantes não haver ajuntamentos, não se frequentar certos locais etc., como é que se sentem com a atitude que tomaram perante um pobre que sempre foi educado e sempre soube ver a diferença cultural e pessoal? Pensem bem no que fizeram: uma coisa é nós tomarmos a iniciativa de desaparecer e ignorar prepotentes e populistas, outra é sermos obrigados/proibidos de frequentar. Espero que depois desta nova experiência, que todos estamos a ter, muitos aprendam lição e a saber respeitar. Como eu hoje compreendo a forma como o nosso amigo se sentia, porque hoje quero convidar ou visitar um amigo e não posso porque essa regra me foi imposta derivado à Covid-19.

Histórias verdadeiras que nos chamam atenção agora que estamos a viver um ciclo que não estávamos habituados.

 

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