Opinião

A sociedade e as mudanças

É urgente uma mudança na forma de ver as coisas. Isto não é um recado, é a realidade do que se vive no nosso meio. Já falei várias vezes e até já escrevi um artigo de opinião sobre este assunto.

Ao ver os jornais da semana passada verifiquei a quantidade de festas na nossa comunidade, entre aniversários e outras e é, sem dúvida, uma loucura. Durante a chamada época baixa temos fins-de-semana que o cidadão se questiona a ele próprio para onde vai. Agora aproxima-se uma época que, no meio da comunidade portuguesa, estão marcadas cerca de doze festas. É impossível haver qualidade em todas, há umas com mais que outras, umas com mais público que outras e assim se vai continuar. Será que este é o bom caminho? Nota-se, em alguns, que a juventude não aparece e nos que os jovens aparecem dizem, “que coisa mal organizada, tempo perdido, isto não se admitia há vinte anos atras”. É isto que se ouve, mas junto de outros não dizem nada porque querem paz, não se querem zangar e preferem não aparecer. Assim, cada vez mais a juventude se afasta desses clubes – alguém já pensou em fazer um estudo para perceber a razão do afastamento da juventude?

Segundo consta, alguns dos líderes julgam que são donos de tudo – isso é muito mau, mas nem tudo é assim mau. Li o resumo de uma das festas na semana passada de um determinado clube da comunidade onde a juventude está de parabéns – temos que saber dizer o mau, mas fica-nos bem dizer o que de bem se faz e, neste caso, a juventude esteve à altura. Gostei da forma como se assumiram na liderança, mas com a experiência dos mais antigos próxima. Isto é saudável a forma como se apaixonaram e apreciam e esperam ajudar. Ali nota-se a união porque só mesmo assim é que se consegue levar as coisas em frente, como uma jovem teve ocasião de dizer.  Não é por acaso que, nas poucas festas que frequento promovidas por essa instituição, a juventude está em peso na linha da frente em todas as tarefas. Parabéns, são pessoas com mais ambição de ver as coisas a seguir em frente e isso consegue-se com sangue fresco e não com viciados. Tenho pena que outros assim não o façam. Há muitos com a escola do Salazar – estão de pedra e cal, em bom português, apenas para a foto porque as atividades são medíocres e sem qualidade nenhuma tanto a nível cultural como etnográfico e muito menos gastronómico. Quando não se deixa o poder a troco de nada, que até se trata mal alguém com capacidade que acaba por se retirar,  isso não é saudável e nas esquinas comenta-se, com ou sem razão, mas coisas são ditas, e onde há fumo há fogo. Nós portugueses dizemos que há mil e uma formas de confecionar bacalhau, eu acho que cá há mil e duas formas de gerir um clube – o estar agarrado a tudo e o querer controlar tudo não é bom e desmotiva outros. Isso de chegar e tentar controlar todas as atividades não funciona porque no final os resultados são negativos. Há quantidades que são saudáveis e noutros tempos funcionou, hoje não funciona e a prova é que há festas com uma adesão que não paga a água, quanto mais as despesas reais que os clubes têm. E depois há outro grave problema, quando os elementos das respetivas direções não aderem, não participam. Aí é ainda pior e ali transmite-se um ar de intranquilidade e de desunião. E não me digam que não podem, quem não pode não se mete nelas, mas atenção que temos clubes com uma gestão e uma transparência qualitativa e nota-se no crescimento e nas festas que organizam. Aí temos que dar os parabéns aos voluntários desses clubes.

Há dias ouvia numa rádio local alguém a falar que, a curto prazo, vai haver uma casa do Minho. Meus caros minhotos eu ri quanto quis, porque de onde veio a dita frase de uma das pessoas que mais criticou tudo e todos quando alguém falava numa possível união de clubes do Minho. O que, aliás, faz todo o sentido – unindo forças e ideias, passa a haver mais massa crítica, mais adrenalina na organização de festas, passa-se uma imagem de confiança para o exterior e as pessoas começam acreditar no que se faz, a envolver a juventude nas lideranças e com uma retaguarda qualitativa para lhes passar os usos e costume. Não basta fazer comentários negativos em frente ao público, a juventude depois não aparece e com razão. Perdem-se talentos por culpa de pessoas que julgam que só eles é que sabem – enfim, nada do que não esteja à vista de todos, mas gostei de ler as palavras de alguns jovens ao valorizarem os mais experientes e ao agradecerem o facto de estarem próximos. Não haja duvida que têm crescido pelo facto de serem unidos – um bom líder sabe dar ordens e não ameaça, delega e assume erros, passa a palavra e fica fora, deixa fazer. É preciso motivar com exemplos e isso só acontece com união. Saber lidar com pessoas, tratá-las com respeito, mas sem misturar relacionamento profissional com pessoal, é papel fundamental no líder. Manter um bom relacionamento com a equipa ajuda a mantê-la motivada. Um líder tem que saber lidar com pressões, um líder tem que saber apresentar objetivos e saber fazer um orçamento para uma festa, saber onde vai buscar o respetivo dinheiro para as despesas. Ser líder não é dar duas gargalhadas e mandar umas farpas que não fazem sentido. Saber escolher quem compra para não se comprar em excesso. Na frente ninguém diz nada, mas nas costas dizem – come-se e bebe-se e ainda se reparte, isso demonstra a falta de capacidade de gestão.

Espero ver a casa do Minho a curto prazo. Todos a trabalhar em prol de um bom futuro, manter as tradições sem inventar festas para promover pessoas, mas sim para passar aos mais novos as tradições. Já se veem jovens com capacidade para dar seguimento e espero que, a curto prazo, se pense numa casa.

Parabéns a todos os jovens que têm evoluído e procuram aprender e saber das tradições, gostei do que li.

Para terminar, concordo com o Sousa Cintra, nem todo o cidadão tem jeito para certas coisas.

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