Opinião

A dança das sondagens!

Como vai sendo habitual em períodos eleitorais, realizou-se mais uma sondagem aos portugueses, destinada a conhecer a sua atual intenção de voto, para as próximas eleições legislativas.
Num estudo coordenado por algumas instituições académicas portuguesas, executado por uma empresa especializada e a pedido de alguns órgãos de comunicação social de referência no país, foi feito um teste ao comportamento eleitoral dos votantes e aos resultados partidários expectáveis das próximas eleições legislativas de outubro, em Portugal.

Entre outros elementos disponíveis nessa sondagem, sublinho os que indiciam os resultados percentuais de cada partido, se as eleições fossem hoje. Assim: o PS obteria 37%; o PSD 25%; a CDU (PCP e Verdes) 8%; o CDS 8%; o BE 8%; o PAN 3% e a Aliança (partido recente formado por Santana Lopes) 2%.

Outro elemento interessante obtido pelo estudo foi o de que, na avaliação do desempenho do atual Governo, 34% dos inquiridos consideraram-no “mau” e “muito mau”, enquanto 54% o consideraram “bom” e “muito bom”.
As sondagens “valem o que valem”, dizem regularmente os políticos que através delas saem descontentes (reafirmando que o que interessa é o voto na urna…) e os que saem satisfeitos (receando que os resultados reais das eleições lhes venham a ser adversos…)! No entanto, uns e outros, dedicam a maior atenção aos resultados destes inquéritos, modificando estratégias eleitorais e comportamentos públicos, porque eles salientam tendências.

Se, como é o caso, uma sondagem feita a oito meses do ato eleitoral é apenas uma previsão falível, não deixa de ser uma amostra comportamental atual dos cidadãos e, como tal, há que tirar algumas conclusões.
Uma delas é a de que os “ventos” do populismo, que parece estarem ativos em vários países da Europa, não parece terem atingido a estabilidade das nossas formações partidárias, embora nos mereça uma atenção especial a crescente abstenção eleitoral e os votos brancos e nulos, que têm aumentado significativamente nos últimos atos eleitorais e que, para além da fidelização partidária que todas as formações partidárias pretendem manter, se tornaram o alvo da disputa de todas elas.

Outro aspeto que me merece atenção parece ser o facto de que há ainda quem não percebeu que as sucessivas greves que têm acontecido neste período pré-eleitoral e que foram profusamente “cavalgadas” por todos os partidos da oposição e por aqueles que, diretamente não o sendo (PCP e BE), pretendem aumentar o seu score eleitoral, não correspondem a uma diabolização do governo do Partido Socialista, antes pelo contrário, o Partido Socialista continua a subir nas intenções de voto!

Perante os resultados obtidos por este recente inquérito de opinião, quer os partidos considerados à esquerda do PS ou os que se situam à sua direita, por diferentes razões, alinham agora os seus grandes objetivos no sentido de evitar que o PS venha a conseguir a maioria absoluta nas eleições legislativas de outubro. Situação que me parece atingível, face aos inúmeros problemas ainda existentes no setor social e económico, com fortes repercussões no comportamento dos eleitores e, tendo em consideração governações absolutas anteriores, ao receio legítimo do país ser governado por um partido com maioria absoluta.

No entanto, e ao contrário do que alguns analistas políticos pensam, nomeadamente de que os portugueses vão ser levados a votar nas legislativas na popularidade dos seus líderes partidários, no caso de o Partido Socialista ser o partido mais votado, embora sem maioria absoluta, mas indigitado para formar Governo, se as eleições fossem hoje e a haver a possibilidade de se concretizar uma nova geringonça, semelhante à atual (PS apoiado pela CDU e pelo BE), ela seria necessariamente de forma diferente. Não apenas pelos parcos ganhos eleitorais do PCP e do BE, refletidos nesta sondagem, após uma legislatura de apoio parlamentar ao PS e que as respetivas direções partidárias têm dificuldade em explicar aos seus aderentes, mas também pelos “sapos engolidos” neste percurso e das consequentes convulsões internas. Nesse contexto e no caso de se reeditar o atual esquema governativo português ou um outro qualquer acordo interpartidário de coloração diferente, os portugueses irão ser chamados a votar, não na popularidade dos chefes partidários, mas nos respetivos detalhes do programa de governo que os venha a unir e os responsabilize perante o eleitorado.

Se tal vier a acontecer (e a situação externa não o condicionar) os portugueses passarão a ter de dar mais atenção ao debate das ideias políticas, em detrimento do culto mediático das personalidades, tornando o conteúdo das escolhas muito mais consciente.

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