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Sismo de magnitude 4,9

Sismo de magnitude 4,9 é o maior dos últimos 20 anos
Foi sentido num raio de 280 quilómetros

Um terramoto de magnitude 4,9 teve origem junto a Arraiolos às 11h51. É o maior sismo em terra desde 1998. Foi sentido num raio de 280 quilómetros. Há locais sem eletricidade e escolas evacuadas.
Um terramoto de magnitude 4,9 foi registado esta segunda-feira a oito quilómetros de Arraiolos e a 16 quilómetros de profundidade às 11h51. O sismo foi sentido num raio de 280 quilómetros e afetou todo o centro e sul do país. Entretanto, já houve pelo menos mais duas réplicas — uma de magnitude 2,5 e outra de 1,7 na escala de Richter. De acordo com os registos sísmicos, este é o maior terramoto registado em terra em Portugal desde 1998.
Fonte dos Bombeiros Voluntários de Arraiolos também avançou que ainda não lhes chegou nenhuma participação de estragos. “Até ver, ainda não temos conta de nada. Não temos nenhuma chamada”, confirmou a mesma fonte. Os bombeiros voluntários de Elvas também avançaram que as escolas daquela região foram evacuadas, apesar de não terem sido afetadas pelo abalo.
António Calhau, dono do Restaurante O Alentejano, no centro do Arraiolos, conta que sentiu “uma vibração muito grande, muito grande mesmo”. “O balcão tremeu e as pessoas que tínhamos aqui no restaurante saíram”, acrescentando que “com 56 anos de vida nunca tinha sentido um tremor de terra como este”. Ainda assim, só houve susto, não há estragos nem feridos — e os clientes já voltaram às mesas. “Já cá estão todos. Agora estamos aqui no comentário”, conta.
Em Évora, a cerca de 25 quilómetros do epicentro em Arraiolos, vários leitores do Observador também deram conta do abalo que sentiram.
“Em Évora, no bairro Alto dos Cucos, foi muito sentido e prolongado. Mais parecia ter iniciado uma explosão e continuou a abanar”, escreveu Maria Rita Fialho. “Os quadros da parede abanaram e tudo tremia. Fugiu imensa gente para a rua.” João Pedras, também de Évora, contou que “abanou a casa toda, a fazer lembrar o sismo de 1969”. Ana Pisco escreveu que tudo “começou por um enorme som, um barulho crescente” e que “depois começou tudo a tremer, as secretárias, a luz”.
Não terão sido registados danos materiais preocupantes, apesar de alguns habitantes em Montemor-o-Novo (a 25 quilómetros da origem do sismo) terem ficado sem eletricidade. Isso mesmo foi confirmado ao Observador por Daniel Simões, adjunto de comando dessa corporação. Além disso, receberam chamadas com perguntas às quais não podem ter resposta. “Ligaram várias vezes a perguntar se vai haver réplicas, mas isso é impossível saber”, refere. Ao Público, Manuel Cordeiro, adjunto de operações da Proteção Civil, diz que o sismo provocou fissuras no edifício da Escola Básica e Secundária de Cunha Rivara, em Arraiolos. Essas fissuras não colocam em perigo o edifício. O sismo também foi sentido em Espanha, na região de Estremadura e nomeadamente em Mérida, Badajoz, Cáceres e Valência de Alcântara. A página “Cope Extremadura” publicou no Twitter um vídeo na altura do sismo numa biblioteca universitária.
De acordo com Serviço Geológico dos Estados Unidos, que também registou este sismo, um terramoto com esta magnitude “normalmente é sentido, mas apenas causa danos menores”. Em média, um sismo com esta magnitude é registado 30 mil vezes por ano. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera classificou este sismo de intensidade IV na escala de Mercalli na região de Elvas. Isso significa que, segundo esta escala que mede os efeitos provocados em infraestruturas pelos sismos, foi moderado: “Os objetos oscilam e a sensação é semelhante à de estar mesmo ao lado de um veículo pesado em movimento. Os carros estacionados também se mexem”.
Os sismos ocorrem quando há uma libertação de energia acumulada nos materiais que compõem a crosta terrestre. A maior parte dos sismos em Portugal acorrem na zona sul do Algarve, mas sobretudo a sudoeste do cabo de São Vicente. Nos últimos 40 anos verificou-se “alguma aglomeração sísmica na zona de Évora, na zona litoral entre Santarém e Coimbra e a este da Costa Vicentina”, explica o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Ainda assim, os cientistas dizem que “é pouco provável” que o número de sismos tenham aumentado em Portugal: “O que aumentou consideravelmente nas últimas dezenas de anos foi a capacidade técnica de deteção sísmica e o número de equipamentos sísmicos instalados no mundo inteiro”.
De acordo com declarações do Instituto Português do Mar e da Atmosfera aos jornalistas, este sismo não significa que a energia libertada vá minimizar a magnitude de um possível sismo de magnitude catastrófica (como o de 1755): na verdade, é possível que essa energia seja transferida para outros locais da crosta terrestre, acumulando-se e agravando ainda mais o risco sísmico. No entanto, isso é algo que os cientistas não podem prever.
Portugal fica na placa euro-asiática, que diverge da placa norte-americana mas que também é limitada pela placa africana. É no limite com esta última que está o Banco de Gorringe, maciço montanhoso submerso no oceano Atlântico onde teve origem o terramoto de 1755. A convergência entre a placa euro-asiática e a placa africana provocou o levantamento da litosfera oceânica que formou esta cadeia montanhosa, onde se localizam os epicentros dos sismos mais violentos ocorridos em Portugal e norte de África.

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