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Rússia anuncia eficácia de 92% da vacina Sputnik V

Rússia anuncia eficácia de 92% da vacina Sputnik V
A nurse prepares to inoculate volunteer Ilya Dubrovin, 36, with Russia’s new coronavirus vaccine in a post-registration trials at a clinic in Moscow on September 10, 2020. – Russia announced last month that its vaccine, named “Sputnik V” after the Soviet-era satellite that was the first launched into space in 1957, had already received approval. The vaccine was developed by the Gamaleya research institute in Moscow in coordination with the Russian defence ministry. (Photo by Natalia KOLESNIKOVA / AFP)

A equipa de investigadores que está a desenvolver a vacina russa contra a covid-19 anunciou que os resultados preliminares da terceira fase do ensaio clínico apontam para uma eficácia de 92% da Sputnik V.

De acordo com o Fundo de Investimento Direto da Rússia e o Centro Nacional de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, uma análise preliminar de 20 casos de covid-19 identificados entre os participantes nos ensaios clínicos permitiu concluir que a vacina é 92% eficaz.

Estes resultados resultam de uma análise a mais de 16 mil voluntários, entre o total de 40 mil envolvidos no ensaio, que decorreu três semanas depois de terem recebido a primeira dose da vacina ou de um placebo.

O anúncio, divulgado esta quinta-feira pela revista científica “Nature”, foi feito na quarta-feira, através de um comunicado publicado no site da Sputnik V, dois dias depois de a farmacêutica Pfizer ter revelado que dados provisórios indicam que a sua vacina pode ser eficaz em 90% dos casos.

As conclusões da Pfizer decorrem, no entanto, do registo de 94 infeções entre quase 44 mil, representando uma amostra superior à russa.

Devido a esta diferença, um epidemiologista britânico, Stephen Evans, citado pela “Nature” alerta que o reduzido número de casos reportado no ensaio da Sputnik V implica um menor grau de certeza sobre a eficácia da vacina.

“É necessário um acompanhamento adicional porque os resultados são compatíveis com uma eficácia muito menor – 60% – com base nesses dados”, refere.

Um outro especialista em imunologia citado pela mesma publicação, Shane Crotty, diz que “não concluiria nada a partir de 20 eventos”.

O desenvolvimento da vacina russa contra a covid-19 tem sido controverso, uma vez que o protocolo dos ensaios clínicos não foram tornado públicos, ao contrario de outras candidatas, como a da Pfizer, não sendo por isso claro se já estava prevista uma análise preliminar aos 20 casos positivos.

“Temo que estes dados tenham sido apressados pelo anúncio da Pfizer”, disse à “Nature” outra imunologista britânica, Eleanor Riley, alertando que “isto não é uma competição”.

No início de setembro, os resultados preliminares de um estudo publicado pela revista científica “The Lancet” davam conta que a vacina russa contra a covid-19 é segura, não provocaram reações adversas graves e motivaram uma resposta de anticorpos.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.285.160 mortos em mais de 52,1 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

JN

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