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OMS, Merkel, Greta, Trump… Há 300 indicados para o Nobel da Paz

O prémio Nobel da Paz será anunciado na sexta-feira e, num ano de muitas incertezas e desafios mundiais, os especialistas reconhecem dificuldade em antecipar um vencedor, numa lista de candidatos com 211 pessoas e 107 organizações.

 

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The portrait of Alfred Nobel is seen prior to the announcement of the winners of the 2020 Nobel Prize. (Photo by Jonathan NACKSTRAND / AFP)

 

“Estou menos seguro (sobre quem irá ganhar) do que estive em muitos anos”, disse ao canal televisivo CNN Dan Smith, diretor do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, reconhecendo que os juízes vão estar mais do que nunca cientes da importância deste prémio, em tempo de pandemia.

De acordo com o testamento do industrial sueco Alfred Nobel, o prémio anual deverá ser entregue à pessoa que “tenha feito mais ou melhor para promover a comunhão entre as nações, a abolição ou redução dos exércitos permanentes e o estabelecimento da paz”, mas a tradição tem deixado maior margem de justificação para a escolha entre as nomeações e os tópicos preponderantes em cada ano têm sido utilizados como critério.

Para 2020, estão nomeados 318 candidatos (211 pessoas e 107 organizações) sendo conhecidas as identidades de várias destas opções, mas nem todos têm igual reconhecimento de possibilidade de vencer.

Os especialistas em prémios Nobel inclinam-se para a hipótese de a pandemia de covid-19 poder servir de pretexto para a escolha, indicando a Organização Mundial de Saúde como um sério candidato, embora as críticas a que a organização – e o seu diretor-geral, Tedros Ghebreysesus – tem sido sujeita (nomeadamente pelo Presidente dos EUA, Donald Trump) na gestão da crise sanitária possa ser um forte empecilho.

Trump também é um dos nomeados (foi indicado por um congressista republicano dos EUA), tal como o seu adversário democrata, Joe Biden (indicado por um congressista democrata), mas, em ano de eleições presidenciais norte-americanas, nenhum deles reúne qualquer consenso entre os especialistas.

A ativista Greta Thunberg também está indicada – mas será preciso que as questões ambientais dominem as preocupações do júri para que a jovem sueca seja escolhida – tal como o fundador da Wikileaks, Julian Assange, que está a ser julgado em Londres para saber se será extraditado para os EUA, onde é acusado de espionagem.

O líder da oposição russa, Alexey Navalny, que acaba de recuperar de um envenenamento na Sibéria (alegadamente cometido pelas autoridades do Presidente Vladimir Putin), também está na lista de nomeados, tal como o povo de Hong Kong, que se tem mobilizado em violentos protestos contra a nova lei de segurança imposta por Pequim a esse território semiautónomo.

As organizações não-governamentais Repórteres Sem Fronteiras e o Comité para a Proteção de Jornalistas estão na lista de nomeados, num ano em que muitos profissionais da comunicação têm visto o seu trabalho impedido ou a sua integridade física violentada. Os especialistas também colocam na lista de potenciais vencedores o movimento Forças para a Liberdade e Mudança, do Sudão, onde uma revolução popular conseguiu afastar o Presidente Omar al-Bashir.

A Organização das Nações Unidas (ONU) e a Aliança Atlântica (NATO) também ocupam lugar de relevo, pelas suas insistentes tentativas em manter a paz em longos e duros conflitos, em diversos pontos do planeta, tendo sido ainda salientado o esforço diplomático pela paz feito pelo Governo alemão, pelo que a chanceler Angela Merkel surge igualmente na lista, a poucos meses de abandonar a liderança do seu Governo.

O anúncio do prémio será feito na sexta-feira e a cerimónia de entrega do prémio acontecerá em 10 de dezembro, em Oslo, Noruega, com o laureado a receber o prémio de dez milhões de coroas suecas (quase um milhão de euros), para além de um diploma e uma medalha. Por causa da pandemia de covid-19, a cerimónia de Oslo contará com a presença de apenas cerca de 100 convidados.

JN/MS

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