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Alemanha foi do desconfinamento ao “travão de emergência” num mês

Há quase quatro meses que a Alemanha vive num para-arranca no que diz respeito às medidas de contenção da pandemia. Ora confina, ora desconfina. No final de fevereiro o país começou a levantar, de forma progressiva, as restrições, mas o travão à liberdade já foi acionado devido ao aumento do número de casos.

Para muitos alemães, o último inverno foi longo e frustrante, cheio de proibições e restrições. Quando pensavam que o pior já tinha passado, eis que a Alemanha volta a tropeçar nos números galopantes de novos casos de covid-19 e enfrenta, agora, uma terceira e perigosa vaga da pandemia.

Na segunda-feira, a chanceler Angela Merkel reuniu-se com os líderes das 16 regiões do país para o que se supunha serem conversações sobre uma maior flexibilização das restrições. Mas o que aconteceu foi decidir fazer uma pausa na reabertura dos bares, restaurantes, locais de lazer e culturais até, pelo menos, dia 18 de abril. Além disso, o país enfrenta um endurecimento das medidas no​​​​ período da Páscoa, de 1 a 5 de abril, com a maioria dos negócios fechados.

Segundo a líder alemã, o país está a viver “uma situação muito grave”, provocada por aquilo que considera ser um novo vírus “muito mais letal, muito mais infecioso e contagioso durante muito mais tempo”, revelou a chanceler, em conferência de imprensa. No início de março, a variante inglesa era responsável por 46% das infeções que se registavam na Alemanha e agora esta mutação é a grande culpada do “aumento excecional” de novos casos de covid-19 no território, de acordo com Angela Merkel.

“O número de casos aumenta de maneira exponencial e as camas nos cuidados intensivos estão novamente cheias”, advertiu Merkel, depois da reunião, de cerca de 12 horas, com os líderes dos estados regionais.

O “travão de emergência” no processo de desconfinar

No final de fevereiro, a Alemanha reabriu as escolas e permitiu que o comércio não essencial abrisse portas, mesmo que com alguns condicionamentos. Agora fez uma inversão no processo cauteloso de reabertura e vai impor uma rígida paragem do país durante as férias da Páscoa. De 1 a 5 de abril, os alemães estão a ser aconselhados a permanecer em casa e a reduzir os contactos.

Os serviços religiosos presenciais vão ser proibidos e as reuniões familiares, entre duas famílias diferentes, estão limitadas a cinco pessoas. Todas as lojas vão estar encerradas, com exceção para as lojas de retalho alimentar que podem abrir a partir do dia 3 de abril.

O vice-chanceler, Olaf Scholz, disse à emissora pública ZDF que o mais “correto era usar o período da Páscoa para puxar os travões”. Além disso, os líderes alemães pediram aos cidadãos que evitem as viagens não essenciais dentro do país, mas também para o estrangeiro.

A incidência de casos positivos na Alemanha está a crescer há várias semanas e está agora situada nos 107,3 novas infeções por 100 mil habitantes. Angela Merkel já tinha admitido que seria adotado um “travão de emergência” caso a incidência ultrapassasse as 100 infeções por 100 mil habitantes, uma medida que implicaria a reintrodução de parte das restrições.

Uma vez confirmado esse cenário, as várias restrições, em vigor desde o fim do ano passado, como as limitações de reuniões privadas e o encerramento de equipamentos culturais e de lazer, vão ser prolongadas até 18 de abril.

O pico da terceira vaga

Na segunda-feira, o Instituto Robert Koch (RKI), registou 7.709 novos casos de covid-19 e 50 óbitos no país.

O pico de incidência da segunda vaga da pandemia foi registado no dia 22 de dezembro, com 197,6 novas infeções por 100 mil habitantes. A 28 de janeiro este valor caiu para menos de 100 pela primeira vez em três meses. Mas a tendência de queda foi revertida em meados de fevereiro. Agora, a incidência está nas 107,3 novas infeções e com uma tendência exponencial.

Nos últimos sete dias, a Alemanha registou um total de 89.207 novas infeções segundo dados das autoridades alemãs.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a variante inglesa está a espalhar-se, significativamente, em pelo menos 27 países europeus e é dominante em Portugal, Alemanha, Dinamarca, Itália, Irlanda, França, Holanda e também Espanha.

As infeções por coronavírus têm vindo a aumentar em algumas partes da Europa nas últimas semanas, à medida que os países se esforçam por vacinar as suas populações, apesar dos atrasos das vacinas.

A Alemanha tem mais de 80 milhões de habitantes e apenas cerca de três milhões de pessoas receberam as duas doses da vacina, ou seja 3,9% da população. Enquanto que sete milhões, 8,7% dos alemães, já foram imunizados com pelo menos uma dose da vacina.

A chanceler garantiu, ainda, que o país está “numa corrida para vacinar”, enquanto tenta acelerar a sua campanha de inoculação. Depois de ter suspendido a vacina da AstraZeneca, o governo alemão retomou a campanha de vacinação com o fármaco na sexta-feira, o que irá ajudar a potencializar a imunização dos cidadãos alemães.

O número de casos positivos na Alemanha já chegou aos 2.667.225, dos quais cerca de 2.423.400 são agora recuperados. A covid-19 já fez 74.714 vítimas mortais em território alemão.

JN

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