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Água a preço de luxo

 

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Água pura do Ártico. foto: DR

 

“Água mais pura do planeta”, do Ártico, já estão a ser vendidas a 80 euros, numa atividade que atrai cada vez mais especuladores em todo o mundo.

Uma atividade perigosa, cheia de riscos, que envolve barcos no círculo polar a quebrar gelos equipados de gruas e no período mais invernos. O negócio que floresce e continua a atraír empreendedores da Europa ou dos Estados Unidos, com vista a vender “a água mais pura do planeta”, que vem do Ártico, como uma bebida de luxo, segundo relata o diário “El País”.

O caso de Jamal Qureshi, que se tornou um ‘caçador de icebergues’ em Svalbard, na Noruega, após deixar o seu trabalho em Wall Street, em 2013, e vende agora garrafas de água do Ártico a 80 euros por unidade.

Para atender os pedidos, Jamal Qureshi tem de vencer resistências naturais e ir em busca da água dos icebergues num período restrito de inverno, de cerca de quatro meses. A idéia de ter essa água foi quando esteve de férias no local como mochileiro e trouxe de lá água como um presente para a sua mulher, e acabou por criar uma marca de água de luxo. “Pensei que podia fazer o mesmo para mais gente e ajudar esta comunidade”, frisou.

O jornal espanhol disse que, o “negócio atrai cada vez mais empresas e especuladores nos últimos anos”, frisando também que organizações ambientalistas, como a Greenpeace, alertam para os danos ecológicos e contaminação no processamento e transporte da água.

Outros especuladores em todo o mundo estão em busca de explorar os icebergues nas costas do Canadá, Groenlândia ou Noruega – também Quidi Vidi destila icebergues de 20 mil anos para produzir cerveja, a Auk Island Winery mistura os gelos com uvas, e a Canadian Iceberg Vodka Corporation converte-os num destilado à base de fécula de batata.

Com o aquecimento global, os mares enchem-se de icebergues que derretem, aumentando o nível das águas, e o ‘slogan’ de alguns exploradores nesta atividade tem sido “Prova o Ártico para salvar o Ártico”. Júlio Barea, responsável da campanha de águas da Greenpeace, enfatiza a perda de 500 toneladas de gelo anuais e questiona “quantos icebergues vai retirar esta gente?”

A empresa de Jamal Qureshi avança retirar por ano entre três a quatro toneladas – o que, segundo a Greenpeace, é “uma gota no oceano”, questionando ainda a contaminação associada à captação e refrigeração da água dos icebergues, o que pode ser “pior que o suposto benefício”.

ElPais/MS

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