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Abdul Aziz – O homem que parou atacante durante o massacre na Nova Zelândia

Abdul Aziz não quer que lhe chamem herói, mas na Nova Zelândia é assim mesmo que o olham. Armado com um leitor de cartões, enfrentou Brenton Tarrant à entrada da mesquita de Linwood, evitando a repetição do massacre que o extremista branco havia perpetrado minutos antes no templo de Al Nur, onde assassinou mais de 40 pessoas.

O imã da mesquita de Linwood, Latef Alabi, é o primeiro a elogiar aquele cidadão afegão radicado em Cristchurch. “Se não fosse Aziz, teríamos muito mais mortos”, disse o religioso, em declarações à agência de notícias Associated Press e reproduzidas pela Euronews.

O imã conta que ouviu uma voz e parou a cerimónia religiosa para espreitar pela janela. Viu um homem vestido com roupa preta estilo militar, de capacete e com uma carabina na mão.

Brenton Tarrant gritou para a congregação, que reunia mais de 80 pessoas naquela mesquita, e ordenou que se deitassem no chão. Abdul Azis não obedeceu. Pegou no que tinha mais à mão, uma máquina de leitura de cartões de crédito, e saiu para a rua, confrontando o assassino.

“Disparou sobre mim umas quatro a cinco vezes”, contou Abdul Aziz, que foi progredindo escondido atrás dos carros estacionados. “Queria afastá-lo da mesquita, por isso fui avançando para ele”, acrescentou, em declarações recuperadas pelo jornal espanhol “El Mundo”.

Enquanto fugia entre os carros, Aziz apanhou uma arma que Tarrant tinha deixado para trás. Apontou ao assassino e disparou, mas não tinha munições.

Tarrant dirigiu-se para o próprio carro, para pegar outra arma. “Assim que ele entrou no carro atirei-lhe com a máquina de registar cartões e a janela do carro rebentou”, contou Aziz. “Acho que o assustei e fugiu”, acrescentou.

O assassino entrou no carro e arrancou a vociferar, prometendo matá-los a todos. Aziz ainda correu atrás da viatura, que desapareceu num cruzamento. Tarrant viria a ser detido minutos depois pela polícia.

“Se tivesse entrado na mesquita, teríamos morrido todos”, disse o imã da congregação de Linwood, agradecendo a coragem de Aziz. Nascido em Cabul, no Afeganistão, Abdul entrou na Austrália como refugiado ainda rapaz. Após 25 anos a viver entre os “aussies” mudou-se para a Nova Zelândia.

Abdul Azis estava acompanhado dos quatro filhos a assistir às orações de sexta-feira quando Tarrant tentou continuar o massacre que havia começado minutos antes na mesquita de Al Nur. Aí, o assassino teve pela frente Naeem Rasheed, o primeiro a opor-se à barbárie.

Professor paquistanês, de 52 anos, foi abatido pelo assassino, que matou também o filho, Talha Naeem, de 22. É recordado e elogiado pelos compatriotas, que criaram o movimento #NaeemRashid para perpetuar a memória do primeiro homem que tentou parar Tarrant.

Pelo menos 50 pessoas morreram e quase outras tantas ficaram feridas durante o ataque.

Fonte: JN

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