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Velhice não tem que ser sinónimo de solidão

O First Portuguese Canadian Cultural Centre of Toronto tem fornecido, ao longo de vários anos, serviços e atividades para idosos da comunidade. Esta é uma preciosa e inovadora ajuda que garante uma melhor qualidade de vida aos mais velhos.

“O First Portuguese já tem o Senior Centre há mais de 60 anos e eles vêm aqui passar o dia para falar, conviver, para não estarem sozinhos em casa. É uma boa distração. Temos zumba, bingo, dia de filme, música… Eles aqui fazem muitas atividades e assim não estão sozinhos, chateados em casa – têm aqui amigos. Nós também temos outros programas como a escola portuguesa e ajudamos a comunidade – somos uma non-profit organization.”, disse Paula Faria, Coordenadora do Centro Drop In do First Portuguese. 

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Apesar de estar no First Portuguese há pouco tempo, Paula Faria assume que este é um trabalho onde se sente realmente realizada. “Eu adoro – sou novinha, estou aqui há oito meses. Adoro, eles têm histórias maravilhosas para contar. Eu vou para casa sempre com um sorriso na cara! É um trabalho em que não estou sempre a olhar para o relógio para ver o tempo que passa – é um dos melhores trabalhos que eu já tive na minha vida! Nós estamos agora a chamar pessoal para vir: no primeiro dia podem almoçar aqui gratuitamente para experimentar. Eu acho que é um programa muito especial, muito bom, porque muitos seniores já têm essa coisa que têm que estar em casa e em casa eles ficam tristes e deprimidos. Aqui, pelo menos, estão alegres, pintam, estão com outros amigos e passam o tempo muito melhor”.

Com o compromisso de planear eventos e atividades diárias dirigidas aos idosos, o FPCCCT acredita que a saúde física e mental e a permanente vontade de aprender são a chave para um final de vida mais feliz.

“Nós estamos a trabalhar com o Millenium Support Group – vão ser quatro apresentações assim, uma por cada mês. Hoje é demência, para o mês que vem vai ser brain games, jogos que podemos jogar com o nosso cérebro para mantê-lo ativo, e eles vieram ter connosco e, com certeza, achámos isso muito importante para os nossos seniores saberem”, sublinhou Paula Faria.

O Millennium Support & Care Group é uma instituição de caridade sem fins lucrativos que se dedica a tentar fazer com que idosos e pessoas com deficiência vivam uma vida mais feliz e ativa. 

“Fazemos projetos em diferentes organizações de idosos. Acabei de chegar de Davenport Perth, fui para lá com cerca de 40 senhoras portuguesas. Na Villa Luso temos uma casa de repouso onde fazemos exercícios – Tai Chi às segundas-feiras, yoga às quintas-feiras e também uma empresa que faz visitas juntamente com dietistas e profissionais dedicados à demência. É, geralmente, para educar os idosos para que eles saibam como se expressar e lidar com os problemas que possam ter – ou até fazer o mesmo em relação a um amigo ou familiar”, explicou Bernard Lapuente – Coordenador de Projeto do Millennium Support & Care Group.

Desde 1999, o Grupo Millennium presta diversos serviços tais como apoio domiciliar, visitas recreativas e sociais e realização de seminários gastronómicos e educativos.

“Às vezes, quando o grupo é pequeno, também convidamos membros da comunidade para as nossas palestras e espetáculos. Qualquer um que esteja disposto a vir! Nós nunca cobramos nada, é tudo grátis!”, informou Bernard.

Maria Lucinda Martins faz parte do First Portuguese há cerca de seis anos e contou ao nosso jornal que, no seu caso, foi amor à primeira visita!

“Eu gosto muito! Quando comecei só vinha dois dias por semana, mas depois gostei tanto que acabei por vir os dias todos! E para mim é muito importante e acho que não é importante só para mim – acho que é importante para qualquer pessoa idosa vir, sair de casa, porque, de contrário, em casa, o dia todo a olhar para as mesmas paredes, a olhar para a mesma televisão nós ficamos velhos mais depressa! Aqui nós rimos, brincamos, contamos histórias, confraternizamos uns com os outros, é tudo uma família! Eu sou voluntária também – preparo os pequenos almoços para os idosos todos e comemos bastante bem cá! Depois temos atividades: pintamos, fazemos tricot, crochet, jogamos bingo, temos ginástica… Uma porção de coisas que eu acho muito boas para nós.”, disse.

Já Maria Sá tem uma irmã que sofre de Alzheimer e achou que seria interessante comparecer nesta iniciativa do First Portuguese, em conjunto com o Millennium Support. “O problema dela maior é que fala, fala normal, se estivermos a conversar com ela, ela dá resposta certa, mas não se lembra de absolutamente nada. Esqueceu por completo! E o problema maior é não comer. Não come, está a sumir de dia para dia. Não quer estar sozinha, tem medo de tudo e de todos. É muito triste! De maneira que hoje a trouxe aqui a ver se conseguia fazer algo por ela, mas é claro que não se pode fazer nada…”, lamentou.

Se está nesta situação ou conhece alguém que precisa de apoio não hesite em contactar a instituição. Lembre-se: “O que é bom para o coração é bom para a mente!”

Inês Barbosa

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