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Quando a arte a ciência se cruzam

O festival é produzido pelo Art Institute de Nova Iorque e já passou pela América do Norte e por Portugal. Agora foi a vez de voltar ao Canadá, a Toronto, à Gales Gallery, na York University.

Marta DeMenezes é artista plástica e Comissária Executiva do Festival FACTT, o Festival Art and Science Trans-disciplinary & Trans-national. “O festival é apoiado e produzido pela Cultivamos Cultura e pelo Art Institute de Nova Iorque. O FACTT começa todos os anos em Lisboa e depois tem uma itinerância que desde o início que passa por Toronto. O FACTT 2019 começou em Lisboa e depois de Toronto segue para Nova Iorque e para Corfu. O festival é comissariado por mim em Lisboa e eu recebo artistas daqui e seleciono também os artistas que fazem sentido dentro do tema desse ano. Há artistas portugueses e estrangeiros, depende do tema que é escolhido. Este ano é o (Be)coming e a itinerância faz-se em colaboração com as pessoas e os comissários locais que vão receber o FACTT”, explicou ao Milénio Stadium.

A artista sublinha que o interesse pelo cruzamento da arte com a biologia está a crescer e que Ontário tem um bom exemplo disso. “Esta arte é feita com matéria viva e ainda é pouco abraçada pelo meio académico, quer seja ao nível do ensino, quer seja ao nível da investigação. No entanto existem algumas exceções: aqui em Ontário, em Windsor, por exemplo, a Jennifer Willet ensina especificamente arte e biologia a alunos de Artes. Mas podemos dizer que o interesse por esta área tem aumentado a nível mundial”, avançou.

A edição deste ano conta com a participação de artistas de Portugal e estrangeiros que se propuseram a criar obras para uma exposição que retrata a impermanência de nos tornarmos permanentes. A mostra contou com o apoio de Roberta Buiani, diretora artística do Festival Artscisalon e Joel Ong, diretor do Centre for Digital Arts and Technology (Sensorium).

Buiani diz que o grande objetivo do Artscisalon é “colocar na mesma sala artistas e cientistas porque eles têm linguagens diferentes e nós funcionamos como uma espécie de mediador. Ninguém precisa de ter uma licenciatura em nenhuma destas áreas, basta apenas que estejam abertos ao diálogo. Esta organização surgiu em 2012 e nos últimos anos temos vindo a crescer exponencialmente. Estamos sempre abertos a novas propostas e dentro de qualquer um de nós há espaço para criar, só temos que estimular esse lado criativo”, contou.

Joel Ong já expôs no Ontario Science Centre e no Museum of Contemporary Arts em Toronto e atualmente é professor assistente de Computational Arts na York University. Nesta exposição o seu envolvimento acontece através do Centro for Digital Arts and Technology (Sensorium) do qual é diretor.

“O que é realmente interessante é que podemos exibir aqui no FACTT trabalhos dos nossos alunos e esta mostra é mesmo sobre a vida e a interação da arte com a ciência. Hoje falamos muito de tecnologias da informação, mas várias peças desta exposição ajudam-nos a adquirir algo sem que tenhamos de ser grandes entendidos na matéria. Uma das peças dos meus alunos é um jogo interativo que cria uma imagem a partir de um algoritmo que visualiza o nosso corpo e o espaço”, explicou. 

Folhas branqueadas em lixívia ou urina destilada são algumas das curiosidades que encontramos nesta mostra que pretende aproximar a nossa vida quotidiana da ciência.

Joana Leal/MS

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