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Pandemia gera solidariedade na comunidade portuguesa

O proprietário do restaurante Mercado Negro está a ajudar os que mais precisam durante a pandemia de COVID-29 mas recusa protagonismo. “Os heróis desta história são a Celeste e o Alfredo, um casal que dedicou a vida a ajudar os outros. Eu apenas usei as minhas redes sociais para divulgar o projeto e conseguir mais doações. Ajudamos oito famílias carenciadas e algumas são portuguesas”, revelou ao Milénio Stadium.

Oliveira após mais uma entrega.

Desde que fez a publicação no Instagram o post já recebeu 747 likes e na publicação vemos o empresário da restauração a entregar bens alimentares a Celeste Fernandes, uma senhora com 87 anos que está a criar cabazes alimentares para entregar a famílias que dependem destas doações. Celeste pertence à Igreja de Santa Inês de Toronto e costumava participar na recolha de alimentos durante a missa de domingo, mas com a pandemia a despensa da igreja ficou vazia e a paróquia não tem dinheiro suficiente para comprar vales para estas famílias.

Celeste pôs mãos à obra e começou a ligar aos amigos e aos familiares para ajudarem e trazerem os produtos até à sua casa. Carlos Oliveira teve conhecimento da causa através de um dos seus funcionários que é inquilino de Celeste. O empresário colocou caixas junto à esplanada do seu restaurante localizado no 1370 da St Clair Ave W e espera que as pessoas possam ajudar.

“A maioria das doações é feita pessoalmente, mas mantemos a distância social. Ninguém precisa de comprar toneladas de comida, pode ser apenas um saco de arroz ou uma embalagem de massa, contribuam com o que podem. As entregas podem ser feitas a qualquer hora, de dia ou de noite, todos os dias esvaziamos as caixas”, explicou Oliveira.

Oliveira é apenas um dos muitos empresários que teve de encerrar o seu restaurante devido à pandemia. Segundo a Restaurants Canada, um em cada 10 restaurantes teve de fechar no Canadá e 800,000 pessoas perderam o emprego. Em Ontário a associação estima que o encerramento dos restaurantes tenha criado 300,000 desempregados.

“Estou assustado porque o nosso restaurante abriu há um ano e quatro meses e embora tínhamos tido sucesso, tudo o que conseguimos pode ir agora por água abaixo. Pensámos em fazer take out, mas não compensava. Paguei hoje a renda do espaço com poupanças…”, contou ao nosso jornal.

Alguns dos seus funcionários são newcomers, algo que lhe está a tirar o sono. “Nós somos uma empresa familiar e empregamos nove pessoas. Todos os dias falo com os meus funcionários pelo telefone porque alguns são newcomers, estão cá sozinhos, conhecem poucas pessoas e não quero que passem por isto sozinhos. É uma conjuntura muito violenta e o Food Bank tem ajudado a manter a minha mente ocupada”, confessou.

O Mercado Negro já tinha contribuído para outras causas sociais da comunidade portuguesa como o Luso Canadian Charity Society e a Eva, a menina que é filha de um casal português que tem uma doença rara. Depois de apoiar agora estas oito famílias, o objetivo é ajudar também o Toronto Food Bank.

“Com o distanciamento social os bancos alimentares da cidade recebem cada vez menos doações e as necessidades não param de aumentar. As empresas portuguesas estão solidárias, a Churrasqueira Andrade, a Padaria Caldense e vários agentes imobiliários têm contribuído e uma empresa italiana, a Tre Mari Bakery, também nos está a ajudar. Se as nossas doações aumentarem podemos distribuí-las pelo Toronto Food Bank e ajudar ainda mais pessoas”, explicou.

O Mercado Negro acatou as ordens da província e encerrou no dia 15 de março. Ontário foi a primeira província canadiana a declarar estado de emergência e a encerrar empresas consideradas não essenciais. Duas semanas depois o estado de emergência foi prolongado por mais duas semanas e o Premier Doug Ford diz que se se justificar poderá haver uma nova extensão.

Joana Leal/MS

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