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VOSMI – Victims Of Syndicated Mortgages Investments

As histórias na primeira pessoa

“Chame-me Joaquim ou outro nome qualquer”, afirmou quando pediu para não ser identificado. Trata-se de mais uma vítima dos investimentos em syndicated mortgages que fez questão de contar a sua história ao Milénio Stadium. Chamemos então Joaquim a este homem que assume que a publicidade que ouvia na rádio era tão convincente que o fez acreditar mesmo que nada de mal poderia acontecer e que o investimento era bom e seguro. Como com tantos outros investidores tudo começou a correr bem – tal como previsto. Até que um dia… teve que se convencer que afinal tinha perdido o seu dinheiro. E não pensar mais nisso, para não ficar doente.

“ A minha história é praticamente igual às outras. Tudo começou pelo anúncio na rádio. Aliás, quero dizer-lhe já que, para mim, a rádio que fazia a publicidade tem quase tanta ou mais culpa que o consultor financeiro que pagava essa publicidade. Porque não liam só a publicidade escrita, iam muito além, a publicidade era muito exagerada. A locutora chegava a dizer “eu também lá tenho o meu, do que é que estão à espera?”. Eu sinto que fui enganado pôr uma publicidade fraudulenta. A rádio inventava muito, muito para além do que estava escrito – faziam um jardim de flores onde não existia flor nenhuma. Mas pronto, eu tanto ouvi que decidi contactar a pessoa que estava por detrás daqueles investimentos. A primeira vez que ele veio à minha casa foi de acordo com a minha esposa. Depois como estava tudo a correr como previsto, os juros eram pagos nos prazos estabelecidos e a publicidade continuava na mesma, eu pensei que se calhar era melhor investir outro tanto, mas aí a minha “patroa” disse “não! Outro tanto não, eu por mim nem investia mais nenhum”. Eu respondi “se não queres outro tanto vai ao menos a metade que me pertence”. Eu telefonei ao tal consultor e na segunda vez que veio a minha casa, veio com uma conversa que muita gente estava a vender as propriedades que tinha à renda (porque eu contei-lhe a minha situação – que tinha uma propriedade à renda, e que não era só receber a renda também tinha trabalho) e ele disse que de facto havia muita gente a vender as propriedades para pôr o dinheiro a render nas syndicated mortgages, porque “são 8% sem dores de cabeça nenhumas”. Ele estava a tentar dar-me a volta para que eu vendesse a minha propriedade. Mas eu nessa não caí, felizmente. Depois os juros deixaram de aparecer. Como vi que nunca mais vinham eu ligava para ele e ele dizia para ligar para um outro. Esse outro atendeu-me uma vez, disse que ia ver o meu caso e quando soubesse alguma coisa me dizia. Nunca mais me telefonou. Comecei a ver que estava perdido e a minha mulher não se calava – “tens que telefonar, tens que telefonar”. Eu telefonava. Ao princípio as empregadas diziam que o senhor não estava, mas que quando chegasse ligava. Nunca ligou. Outras vezes diziam que iam ver o que se passava, que davam recado ao tal consultor. Nunca mais ninguém dizia nada. Uma vez consegui falar com ele e a resposta que tive foi “o que é que queres? Eu quando tiver o dinheiro sou eu próprio a ir levá-lo. Não quero que me andes a chatear porque eu não o tenho para te dar. Quando eu receber eu vou-te dar o dinheiro.” Eu ainda disse que já tinha acabado o prazo e que nem juros, nem nada. Nem uma carta a dar uma explicação sobre o que se estava a passar. Não havia esclarecimento nenhum. E aí ele disse “não me ligues mais, eu quando tiver o dinheiro eu levo-te a casa”. Hoje já ponho o coração ao largo e penso assim “faz de conta que fui ao casino e perdi o meu dinheiro” e acho que é o melhor se não uma pessoa anda sempre a pensar naquilo e até adoece. E a minha mulher também já está conformada, porque ao princípio pensava que tínhamos sido só nós (e mais um ou dois…) os burlados, mas afinal agora vemos que foi muita gente. Fala-se que só portugueses foram perto de 500, mas mais uma vez lhe digo, no meu caso a publicidade enganosa foi o que me levou a investir.”

MB/MS

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