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VOSMI – Victims Of Syndicated Mortgages Investments

As histórias na primeira pessoa

Chamemos-lhe Maria. É a protagonista de mais uma história de vítimas das syndicated mortgages que trazemos hoje para as páginas do Milénio Stadium. Maria, durante quase toda a sua vida, não lidou com nada que se relacionasse com dinheiro – era o marido que tratava de tudo. Até que se separou e a sua vida mudou. Mais, muito mais do que seria de esperar. Os dois filhos tinham 11 e 19 anos e havia uma vida pela frente que era preciso garantir. Maria investiu o dinheiro que lhe coube depois da venda da casa da família para se certificar que nada iria faltar aos filhos. E… correu mal. Muito mal. Pelo meio Maria ainda teve enfrentar outra batalha – a da sobrevivência a um cancro da mama. A história, sendo parecida com tantas outras, tem a marca de quem a conta – na primeira pessoa.

Depois de me separar do meu marido, tivemos de vender a casa e então pensei em arranjar uma maneira de pagar as minhas contas e criar os meus filhos. Comentei com uma amiga – “como vou fazer para conseguir viver sozinha?”. E ela falou-me num senhor, consultor financeiro, que anunciava na rádio uns investimentos que davam bom rendimento. Então um dia liguei para esse senhor. Contei-lhe que tinha acabado de me separar e que precisava de ajuda porque não sabia como ia pagar as minhas contas e ele respondeu-me “procuraste a pessoa certa, fizeste muito bem em vires falar comigo”. Em 2016, quando vendi a minha casa e ficou tudo resolvido, ele veio a minha casa, trouxe mais dois senhores com ele – um acho que era notário. Começámos a tratar dos papéis e eu pensei que estava só a investir o dinheiro da casa – depois de comprar mobílias e tudo, fiquei só com 90 mil dólares, mas ele acabou por investir também os meus rsv´s. Eu apenas sabia que os investimentos me iam dar 8% de juros, mas não sabia o que eram Syndicated Mortgages, não entendia o que era aquilo.  Eu assinei os papéis todos, pensei que estava tudo bem. Entretanto o advogado ligou e eu até disse, “oh isto também é preciso advogado?” e ele respondeu “pois, isto não é brincadeira tem que ter um advogado”. A verdade é que eu não percebi nada do que ele me disse, estava muito má a ligação. Sabe que o meu ex-marido é que tomava conta dos meus investimentos e eu não tinha nenhuma noção de como é que as coisas funcionavam. Quando eu disse ao consultor financeiro que precisava da ajuda dele, expliquei que o meu ex-marido é que tomava conta de tudo o que tinha a ver com investimentos e ele respondeu-me “não te preocupes eu estou aqui para ajudar”. E eu confiei nele. Depois do dinheiro investido eu devia receber juros de quatro em quatro meses, mas só recebi uma vez. Em 2017 comecei a receber uns email’s que começavam sempre por dizer que se precisasse de um advogado… e eu fiquei confusa – mas para que é que eu preciso de um advogado? Então liguei ao meu consultor financeiro a perguntar o que se passava, porque devia haver algum problema para eles me estarem sempre a mandar estes emails. E ele esquivou-se. Disse-me – “tens que telefonar para eles porque eu legalmente não posso dar informação nenhuma”. E eu ainda respondi “não percebo porque é que o senhor não pode dar-me informação. Foi consigo que eu investi o dinheiro”. E pronto eu então liguei e, segundo eles, estava tudo bem. Eu não tinha que me preocupar com nada porque os meus investimentos eram ótimos. Que havia, sim, alguns atrasos nos pagamentos, mas que isso era normal.

Entretanto, o meu consultor financeiro no final de 2018 deixou de atender o telefone, nunca mais me atendeu. E eu deixei de ter informação. Pedi ajuda a um amigo e ele levou-me a outra pessoa que me disse que eu nunca mais ia ver o meu dinheiro. Foi aí que comecei a fazer pesquisa na internet e encontrei o grupo do Facebook com pessoas que também foram vítimas como eu e entrei no grupo. Comecei a falar com as pessoas e comecei a perceber bem o que isto era. E foi aí que percebi que o meu dinheiro tinha “andado”. Já este ano o meu consultor financeiro ligou-me a perguntar se eu queria investir mais e eu nem queria acreditar. Perguntei-lhe “o senhor está a gozar comigo?” e ele respondeu que eu estava a ser pessimista, que não podia pensar assim. No fim, a conversa acabou muito mal porque ele disse-me “então vai por o dinheiro no banco, que lá não dão nada por ele, ou então põe debaixo do colchão e eu espero que a tua casa não arda e aí vai-se o dinheiro todo”. E eu fiquei muito sentida com aquilo que ele disse, magoou-me muito.”

MB/MS

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