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Vítimas de investimentos em syndicated mortgages exigem atuação do governo

Dezenas de investidores que perderam milhares de dólares em syndicated mortgages dizem que os reguladores provinciais falharam na proteção de um esquema predatório. Os investidores criaram um grupo e manifestaram-se junto à Law Society of Ontario e no Ministério das Finanças, na baixa de Toronto, na última sexta-feira (13 de setembro).

Em declarações ao Milénio Stadium, Corrine Sutej, porta-voz do grupo VOSMI, explicou-nos que o grupo reúne cerca de 100 investidores de várias províncias. “Somos vítimas deste tipo de investimento de todo o país, mas a grande maioria é de Ontário. Investimos na Fortress Real Developments, julgávamos que o tipo de investimento era seguro e alguns perderam todas as suas poupanças. Estamos aqui a manifestarmo-nos porque achamos que a Law Society of Ontario falhou na nossa proteção e queremos justiça”, disse.

Eduardo Cavaco

A Fortress Real Developments acumulou $920,000,000 de 14,000 canadianos que julgaram que tinham investimentos seguros. A empresa, que fica sediada em Richmond Hill, está a ser investigada pela RCMP (Royal Canadian Mounted Police).

A maioria dos lesados tem o inglês como segunda língua e o nosso jornal falou com alguns dos portugueses que perderam os seus investimentos. Eduardo Cavaco tem 73 anos e na pré-reforma sonhava com uma velhice tranquila. “Não quero mencionar, mas investi muito dinheiro na Fortress. Só em juros atrasados, de cerca de um ano e meio, temos à volta de $200,000 e nós não os vemos. Acreditei que estava a investir num plano seguro para a reforma, para passear e fazer tudo o que gostava na vida, mas este sonho está a desaparecer”, explicou.

Cavaco, que desconhecia este tipo de investimentos, pede agora ajuda ao governo. “Não conhecia syndicated mortgages, mas fomos na cantiga do nosso consultor financeiro e da publicidade da rádio e da televisão. Queria apelar ao Ministério da Justiça para nos dar apoio jurídico e para abreviar os casos que estão em tribunal porque algumas das vítimas já têm idade avançada”, lamentou.

Fernanda Cortes

Em 2014 Mário Narciso sofreu um acidente de trabalho que o deixou numa cadeira de rodas. O prémio do seguro, no valor de $500,000, foi investido na Fortress. “Nunca nos disseram que era um investimento de alto risco e confiámos no investidor porque era uma pessoa com boa reputação na comunidade. Agora temos filhos pequenos, ele não pode trabalhar, e não sabemos como vamos viver porque o custo de vida está insustentável. Tem um ano que eu não durmo, tenho ansiedade, depressão… Queremos justiça, eu não vou desistir”, informou a esposa, Fernanda Cortes.

Maria Almeida

Maria Almeida tem 70 anos e investiu $200,000. “Investi todo o dinheiro que tinha e confiei no investidor, mas infelizmente saiu tudo mal. Os juros eram de 8%, dava-me $16,000 por ano, mas com a nossa pensão já vivíamos bem. Não estava à espera de ficar rica, mas este dinheiro ajudava”, adiantou.

Os lesados que estavam na manifestação investiram em syndicated mortgages em propriedades geridas pela Fortress Real Developments, a maior empresa do país neste ramo. A empresa está a ser investigada pela RCMP e os agentes associados à Fortress foram multados em 1,1 milhão pela Financial Services Commission of Ontario.


Autor(a): Joana Leal
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