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Ciclovias e as consequências de uma sociedade pouco preparada

No início de 1990, enquanto desempenhava uma profissão anterior, tive o privilégio de ir à Dinamarca apreciar a cultura dinamarquesa e a beleza histórica de Copenhaga. Eu lembro-me de admirar a forma como as suas infraestruturas, no que toca a movimentarem-se pela cidade, respeitam igualmente os pedestres/ciclistas e o trânsito automóvel. Demonstrou-se claramente que a sua consciência social havia sido cultivada durante muitas décadas e que o uso das bicicletas como meio de transporte era simplesmente um estilo de vida. A acessibilidade quer pedestre, com bicicletas ou automóvel era igualmente integrada. O compromisso com as faixas e passeios são iguais para os três. 

Copenhaga, apesar de ser uma cidade muito mais velha que Toronto, adaptou-se e, obviamente, a cultura política tinha uma visão para uma integração adequada e segura das bicicletas como um meio de transporte mais acessível/amigo do ambiente. 

Enquanto que nós aqui em Toronto somos intimidados através de uma filosofia de ‘ciclovias’ para a qual nenhum de nós estava preparado. A pressão política para servir poucos, simplesmente porque eles são ativos e votam, originou o caos total. Toronto, simplesmente, nunca foi construído para uma filosofia de bicicletas. 

Não me interpretem mal. Eu concordo com o argumento da necessidade social das bicicletas como forma de transporte. Mas vamos também ser honestos uns com os outros. A maioria dos ciclistas com os quais nos cruzamos na College ou na Dundas Street não têm respeito nem pelos pedestres nem pelo trânsito automóvel. Eles andam nas ruas, depois saltam para os passeios, amontoam-se com as pessoas, passam os sinais de stop e os semáforos vermelhos. 

A sua imprevisibilidade constante e falta de respeito para com os outros deixa muitos de nós numa aflição incessante enquanto conduzimos pelas duas faixas principais. Quanto às restantes estradas fundamentais da cidade, o mesmo caos. 

Além disso, se nós que usamos automóveis temos de ter uma carta de condução válida, os nossos carros têm de estar certificados e ter seguro. Porque é que os utilizadores de bicicletas não se enquadram nos mesmos requisitos da sociedade para ter o privilégio de usar as nossas estradas? Porque é que não são obrigados pelas mesmas medidas? Afinal de contas, não devemos todos ser tratados da mesma forma? Não existem responsabilidades regulatórias que deveriam ser passadas para os utilizadores de bicicletas?

A outra opinião mais preocupante é que as infraestruturas rodoviárias não estão preparadas para a circulação de bicicletas.  Simplesmente não temos disponibilidade de terreno para oferecer ciclovias. De momento, a nossa cidade não foi construída para acomodar a sua acessibilidade e assim, estamos a enfrentar uma geração de lidar com tempos caóticos para aqueles que pretendem usar as estradas locais. Tanto os pedestres como os utilizadores de automóveis foram desrespeitados nesta decisão e, uma vez mais, a falta de liderança política e visão criaram a presente realidade. 

Esta é a minha opinião sobre o assunto. 

Diga-nos o que acha…

José M. Eustáquio

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