Comunidade

Veteranos portugueses associam-se ao Remembrance Day

Ela está nas lapelas de muitos canadianos por estes dias. A cor vermelha chama a atenção e parece ser esse o objetivo. A papoila de papel, que invade as ruas nos primeiros dias de novembro, é uma homenagem aos soldados que perderam a vida em combate, símbolo de uma campanha de solidariedade que nasceu de um poema escrito no campo de batalha.

O Dia da Memória é celebrado todos os anos a 11 de novembro nos países do Commonwealth. No Canadá as comemorações acontecem um pouco por todo o país, inclusive em Toronto. A I Guerra Mundial mobilizou mais de 70 milhões de militares e fez 10 milhões de mortos e 20 milhões de deficientes militares. Neste conflito morreram cerca de 61,000 canadianos e 12,000 portugueses.

Armando Branco é presidente da Associação de Veteranos Portugueses de Ontário. A associação fez 17 anos em abril deste ano e vai estar presente nas comemorações do Remembrance Day no Queen’s Park na próxima segunda-feira (11). Embora nenhum dos sócios tenha combatido na I Guerra Mundial, como ex-combatentes da Guerra Colonial os portugueses estão solidários com a data.

Em entrevista ao Milénio Stadium, Branco garante que quer dar um novo sentido à Liga. “Estamos determinados a continuar a melhorar a vida dos nossos ex-combatentes. Em abril do próximo ano os nossos sócios, que têm dificuldades em locomover-se, vão ter ao seu dispor uma viatura para os transportar a actos médicos a baixo custo. Estamos ainda a trabalhar na criação de um centro de dia para idosos que vai funcionar nos clubes portugueses, a Casa das Beiras é uma das que já está confirmada”, explicou.

A viatura é nova, tem sete lugares, e foi oferecida pela LiUNA, o maior sindicato da construção civil da América do Norte. Outra boa notícia é a possibilidade dos sócios participarem em excursões dentro da província de Ontário a preços convidativos. “Vamos começar na primavera ou verão e a parceria será com uma empresa portuguesa. Os sócios vão ter almoço incluído na viagem e podem ir, a partir de Toronto, até às Mil ilhas, Kingston, Niagara Falls, London ou Oshawa”, adiantou.

Para já a Associação de Veteranos Portugueses de Ontário tem 800 sócios, mas o objetivo é chegar aos 1000. A inscrição custa $30 e a quota anual é de $30. Qualquer um pode fazer parte da associação, independentemente de ser ou não ex-combatente, e os sócios têm descontos em mais de 700 lojas em Portugal Continental, Açores e Madeira. No Canadá, em Ontário, os descontos são divulgados semanalmente no Facebook da Associação e variam entre 5 e 10%.

Natural de Moçambique, Armando Branco combateu quatro anos na Guerra do Ultramar no local onde nasceu. Na altura tinha 21 anos e nunca lhe passou pela cabeça fugir à tropa. Durante a guerra trocou correspondência com a sua madrinha de guerra, hoje atual esposa. “Com o fim da guerra fui para a África do Sul, depois fui para Portugal e mais tarde para o Canadá. Voltei a Moçambique há cerca de 20 anos e agora tenho lá ido mais frequentemente. Este ano não fui, mas para o ano espero lá ir”, contou.

Branco recebeu uma preparação militar de seis meses e na chamada recruta aprendeu a manusear armas e fez treino de preparação física. Ao nosso jornal disse que gostava que o Estado português tratasse melhor os seus veteranos até porque alguns regressaram com debilitações. “Muitos voltaram com stress pós-traumático e precisam de ajuda psicológica para lidar com as memórias da guerra. A Guerra Colonial foi demasiado longa e a descolonização não foi das melhores, talvez por isso alguns prefiram esquecer”, lamentou.
A Guerra Colonial decorreu entre 1961 e 1974 e em 13 anos de conflito muitos soldados perderam a vida.

Joana Leal/MS

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